Não consigo aceitar a ideia de que o 1º de
Dezembro deixasse de ser celebrado em Portugal, acabando o feriado desse dia.
Associei-me, por isso, à petição pública que foi lançada - sou o 548º signatário. E
revejo-me nas posições tomadas a este respeito pela SHIP - Sociedade Histórica da
Independência de Portugal.
A forma como celebramos o Dia da Restauração
resume-se, nos últimos anos, a ser precisamente um dia feriado. E talvez esse
facto limitado tenha contribuído para o banalizar, enfraquecendo a sua
solenidade nacional.
O debate das últimas semanas levou-me a
reflectir um pouco mais sobre o tema. E a considerar que há, na verdade, um
problema nacional sério com o 1º de Dezembro. Mas o problema não é que seja um
"feriado a mais", antes o de que o celebramos de menos. A necessidade não é a de
o apagar; é, ao contrário, a de o assinalar mais e melhor.
Aquilo que nos justifica a Portugal e aos
Portugueses como Nação é termos adquirido independência nacional. É o nosso
facto colectivo mais importante. Sem isso, não existimos. Sem esse facto... não
somos.
Podíamos talvez ter decidido celebrar a
independência noutro dia. Há monárquicos, por exemplo, que festejam esse facto
com referência a 5 de Outubro, data do Tratado de Zamora, em 1143. Ou podíamos
assinalá-la com referência a alguma data marcante da crise do interregno de
1383-85. Mas a verdade é que celebramos a Independência Nacional com referência
à Restauração de 1640. É a nossa data nacional mais importante. Fazêmo-lo assim
há muitos anos: há século e meio. O 1º de Dezembro é o nosso feriado nacional mais antigo.
Penso inclusive que o Dia de Portugal
deveria passar a ser celebrado no 1º de Dezembro, em vez de no 10 de Junho.
O 10 de Junho deveria manter-se como Dia de Camões, podendo ser designado de
"Dia de Camões, da Língua e das Comunidades" - e, a deixar de ser feriado,
poderia ser apropriadamente celebrado, todos os anos, no fim-de-semana mais
próximo, em diversas actividades culturais e em acções externas onde mais
importa: nas comunidades portuguesas da Diáspora e em todo o espaço da
Lusofonia. Mas o "Dia de Portugal", propriamente dito, o nosso feriado nacional
principal, o nosso dia colectivo como Portugal e dos Portugueses deveria ser
festejado e assinalado a cada 1º de Dezembro, centrado no facto político que nos
justifica historicamente: a independência nacional.
Fiz um pequeno levantamento nos países da UE-27
e cheguei a esta conclusão: dos 27 países da União Europeia, são 12 os
Estados-membros cujo Dia Nacional é a respectiva festa da Independência -
Lituânia, Estónia, Bulgária, Grécia, Suécia, Eslovénia, Bélgica, Hungria, Malta,
Chipre, Letónia e Finlândia. E são 4 outros Estados-membros que celebram o Dia
Nacional em data equiparada - Eslováquia (Constituição actual), Roménia
(fundação da Roménia moderna), Alemanha (reunificação) e República Checa
(fundação contemporânea). Portugal integra a minoria de 11 países cujo Dia
Nacional não assinala a independência ou fundação nacional, sendo que a maioria
desses países são, aliás, monarquias em que o Dia Nacional corresponde ao
aniversário do soberano.
A minha ideia é a de que Portugal deve
juntar-se, assim, à maioria da União Europeia: passar a ser o 17º Estado-membro
cujo Dia Nacional celebra também a sua existência como Nação independente - no
nosso caso, o 1º de Dezembro.
Ganhavam Portugal e os portugueses. Ganhava a
consciência nacional. E, a ter que haver economia de dias feriados, ganhava a
produtividade no mês de Junho, sem prejudicar - antes pelo contrário - a
celebração cultural, lusófona e internacional do 10 de Junho, Dia de Camões e da
Língua.




































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