UMA SANTA PÁSCOA PARA TODOS!

UMA SANTA PÁSCOA PARA TODOS!

LEI DO PROTOCOLO DO ESTADO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

quinta-feira, 31 de maio de 2012

CABINDA, UM ACTO MISERÁVEL DA DESCOLONIZAÇÃO (II)

Quando em 1960 começou a guerra colonial, apareceram a público movimentos angolanos a reivindicar a independência (MPLA, FNLA e UNITA). Igualmente, em Cabinda surgiram vários movimentos, que nada tinham a ver com os angolanos, a pretender a total independência do território Cabinda. Em 1963, esses movimentos fundiram-se num único, a FLEC (Frente de Libertação do Enclave de Cabinda), chefiado por Luís Ranque Franque, que representava de facto toda a população. Em 1974, na altura do 25 de Abril, esse movimento era chefiado por Henrique Tiago N´Zita. Como já se referiu, os movimentos que pretendiam a independência de Angola nada tinham a ver com Cabinda, não tendo lá qualquer delegação nem qualquer tipo de apoiantes.
Quando se iniciou a desastrada descolonização, após a queda da Segunda República do Estado Novo, verificou-se que a mesma já tinha sido ultimada nas costas dos portugueses, fora da mesa das negociações, por alguns dos militares revolucionários que, dando cobertura às exigências da internacional comunista, não defenderam os interesses dos povos coloniais, mas sim os apetites das grandes potências, nomeadamente da União Soviética. E não pensem que estou a dar qualquer novidade. Estou a revelar o que todos sabem. Basta lerem um discurso significativo do General Galvão de Melo na Primeira Assembleia Constituinte, bem como os bem documentados livros de Almeida Santos, “Quase Memórias”, para chegarem a essa conclusão. E tais traidores dos interesses portugueses e dos povos que se pretendia libertar, tiveram o descaramento de não chamar para a mesa das negociações a FLEC, única representante da População de Cabinda, resolvendo os problemas que lhe diziam respeito à sua revelia, com os três movimentos de Angola, que nada tinham com o assunto. Foi então declarado que Cabinda era parte integrante e indivisível de Angola. Nem mais…! Os elementos da delegação portuguesa que não concordaram com a situação, que estava a ser imposta e não concertada por todas as partes interessadas, naturalmente por prosaico medo físico, não se opuseram a esta tratantada, dizendo um necessário e rotundo não e batendo energicamente o punho na mesa das negociações. E com essa posição pusilânime dos representantes portugueses, a liberdade que o Povo Cabinda vinha auferindo de facto, foi lhe criminosamente roubada. As desculpas dadas na altura para deitar areia nos olhos da esmagadora maioria dos portugueses não servem, como foi o argumento de que tudo estava já tratado e nada havia a fazer. Tudo muito bonito. Não havia exército para fazer cumprir o que quer que fosse, é bem verdade. Na realidade, o que dele restava, gravemente contaminado politicamente, estava manietado pelas instruções da internacional comunista e até, em alguns casos, foram entregues as próprias armas ao inimigo do passado, antes de qualquer negociação oficial. Uma vergonha. Apesar de tal, nada deviam ter assinado, fossem qual fossem as desculpas. Assinando, hipotecaram a liberdade de toda uma população que tinha convivido fraternalmente com os portugueses e, para cúmulo, tinha confiado no Estado Português e no conteúdo do Tratado de Simulambuco, bem como nos princípios aceites pelo mundo civilizado que queria a emancipação colonial. Uma infâmia. Esses intelectuais de pacotilha nem sequer se lembraram do determinado na Carta das Nações Unidas, no seu Art.º 73, que estabelecia o compromisso de serem tomadas em consideração as aspirações políticas das populações. Aliás o Decreto-lei nº 203/74 de 15 de Maio, determinava claramente que os Territórios do Ultramar Português deviam poder decidir sobre o seu futuro, respeitando-se o princípio da autodeterminação. Eu sei que os negociadores  podem dizer que não queriam cumprir a letra de uma Constituição elaborada durante o regime que tinha sido derrubado. Mas, até à entrada em vigor de uma nova Constituição, era a de 1933 que tinha que ser aplicada nos casos duvidosos. Ora, nas Garantias Fundamentais, é citada Cabinda de maneira totalmente distinta de cada uma das outras parcelas coloniais, nomeadamente de Angola. Mas perdurou a vontade de Rosa Coutinho que infelizmente não chegou a ser julgado por um Tribunal Internacional, porque entretanto morreu, não respondendo neste mundo pelos actos contra os direitos humanos que andou a planear e a perpetrar contra populações indefesas. Mas não falemos do lastimável almirante.
Que fazer perante a situação de facto existente e que tirou a liberdade a toda uma população? Como proceder agora para tentar conquistar essa liberdade? A actual situação envergonha toda a comunidade portuguesa e enxovalha a nossa história, tirando a respeitabilidade e a credibilidade a Portugal. Assim sendo, teremos que reagir como fizemos com Timor até se obter a sua independência. Teremos que pressionar a opinião pública mundial e os organismos internacionais até os mesmos abrirem as portas ao desejo de Cabinda de se separar politicamente de Angola. Há alguns anos, juntamente com o escritor e filósofo Henrique Barrilaro Ruas e outros meus companheiros de actividades políticas, tivemos um encontro e uma profunda e discreta conversa com responsáveis da FLEC, que clandestinamente nos procuraram, pois os mesmos tinham medo de serem suprimidos mesmo em território português. Lamentaram veementemente a atitude portuguesa na descolonização, que tinha traído os seu irmãos de Cabinda. Andavam fugidos para não serem abatidos e a sua voz reduzida ao silêncio sepulcral, pois era esse o fim esperado por todos os intelectuais que teimavam em não ultrapassar a fronteira ou que, mesmo fora dela, protestavam publicamente contra a subordinação do seu território a Angola. A População Cabinda ainda está apegada ao conteúdo do Tratado de Simulambuco, vendo nele a sua saída para a Liberdade a que tem direito, lamentando a injustiça de que foi vítima e frisando a deslealdade e a falta de palavra dos seus amigos portugueses. Cabinda, após a independência de Angola, foi invadida por militares cubanos que mataram a torto e a direito, roubaram o que puderam e violentaram as suas mulheres. Perante estas atrocidades, os Estados Unidos, tão lestos no passado a prometer a liberdade às populações das colónias portuguesas, fizeram e fazem agora orelhas moucas às queixas permanentes dos Cabindas. Estão calados de uma forma ignóbil e torpe por causa das jazidas de petróleo e de diamantes que já estão em exploração e pelas reservas de fosfatos e de manganês que se sabe ali existirem e a que têm acesso garantido pelo governo Angolano. A liberdade de Cabinda que se tramasse…! Quando revelei a conversa havida ao meu amigo Zeca Afonso, numa animada discussão sobre as virtudes da descolonização, nem queria acreditar no que estava a ouvir. Bem meditou nesta situação que ultrapassou tudo o que achava possível acontecer com os antigos territórios coloniais portugueses. Para Ele, a única solução era abalarmos como voluntários para as matas de Cabinda e juntarmo-nos de armas na mão aos que lutam pela Santa Liberdade contra o exército cubano e angolano. E dava o exemplo do bem pouco motivador e desastrado ensaio de Guevara no Congo. Mas, o bom senso, nestas matérias, era difícil meter na cabeça do poeta Zeca Afonso, pois além de morrermos como verdadeiros homens, nada de útil iríamos fazer em prol daquela gente. A solução eficiente estava no esclarecimento da Opinião Pública Portuguesa, libertando-a dos pruridos em relação ao actual governo Angolano e do temor reverencial que cada um de nós pudesse ter..!. Entretanto, a doença começou a minar Zeca Afonso e a sua comparticipação no sonho da restauração da verdadeira liberdade africana em Cabinda desvaneceu-se e esfumou-se como a sua própria vida. Sem essa mola romântica e com o trabalho e a rotina diários, os meus ideais de cavaleiro andante em defesa do Povo de Cabinda foram para um canto do esquecimento. É triste, mas fui-me acomodando à situação, esquecendo as minhas obrigações. Porém, as comemorações dos vinte e cinco anos do desaparecimento físico de Zeca Afonso, soaram como um despertador na minha consciência e fizeram-me cair em mim com o remorso por nada ter feito em prol da causa de Cabinda. As nossas animadas conversas e as intenções generosas, congeminadas na altura, tinham ido para os Quintos do Inferno do Egoísmo. Para cúmulo e para agravar o meu mal estar, houve a coincidência de um encontro fortuito com um angolano de Cabinda, desesperado com a infelicidade dos seus e com o desgraçado panorama da sua terra escravizada. Tive vergonha do meu silêncio. Nada fiz após o desaparecimento dos meus amigos Henrique Barrilaro Ruas e Zeca Afonso. Perante o comportamento interesseiro americano na conjuntura africana, resta a força da opinião pública portuguesa a esgrimir as armas diplomáticas que estão ao nosso alcance, isto é, exigir que os nossos responsáveis, para se redimirem da situação criada pela descolonização, através das organizações internacionais, consigam que seja conhecida a vontade da população de Cabinda e a situação clamorosamente injusta que está a viver. Só desse modo poderemos lavar a nossa testada, suja pela falsa descolonização que demos àquela infeliz gente. A única solução possível para acabar com este drama, será a realização de um Referendo organizado em Cabinda, devidamente controlado pela ONU, com a interferência inevitável da OUA. Nesse referendo, deviam poder participar todos os nascidos em Cabinda, mesmo os que neste momento se encontram refugiados noutros países. A comunidade Internacional terá que possibilitar ao Povo Cabinda dar resposta livre à simples questão :- Integração em Angola: SIM ou NÃO.
António Moniz Palme - 2012

COMEMORAÇÕES DOS 500 ANOS DO FORAL MANUELINO DE VILA VIÇOSA

 
À Vila Viçosa encontram-se ligados acontecimentos de enorme relevância da história politica de Portugal e que em muito definiram o futuro da independência do reino de Portugal. Se Guimarães foi o berço de Portugal, Vila Viçosa foi pátria da Restauração da Independência Portuguesa.

S.A.R. O SENHOR D. DUARTE PRESENTE EM MILÃO NO 7º ENCONTRO MUNDIAL DAS FAMÍLIAS

S.A.R., Dom Duarte de Bragança integra a delegação da Confederação Nacional das Associações de Família (CNAF) que, no próximo fim-de-semana, estará em Milão, num encontro com o Papa Bento XVI.

Segundo comunicado da CNAF, a comitiva portuguesa "vai estar representada ao mais alto nível" pelo ministro da Solidariedade e Segurança Social, Pedro Mota Soares e pelo Secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, João Casanova de Almeida.  


A deslocação da comitiva portuguesa, liderada pela representante de Portugal no Vaticano, Teresa Costa Macedo, acontece na sequência do VII Encontro Mundial das Famílias, evento marcado pela presença do Papa mas que contará igualmente com representantes de cerca de 150 países, assim como com o contributo de mais de cinco mil voluntários, revela a CNAF em comunicado.

Além dos dois membros do Governo, a comitiva nacional contará ainda com personalidades como o Chefe da Casa Real Portuguesa D. Duarte de Bragança, o Magistral da Soberana Ordem de Malta Gonçalo Portocarrero de Almada, o Director da Faculdade de Direito de Lisboa Eduardo Vera-Cruz, a ex-deputada Matilde Sousa Franco e a Vereadora da Câmara Municipal de Oeiras Elisabete Oliveira.

AMANHÃ, CONFERÊNCIA NO PORTO: SERIA PORTUGUÊS O DESCOBRIDOR DA AMÉRICA?

Estátua de Colombo na vila de Cuba
Fica aqui o convite para a Conferência «Colombo ou Colon - a história retalhada» que terá lugar no dia 1 de Junho, pelas 18.30h na Universidade Católica do Porto.

No blogue da Associação Cristóvão Colon foi já disponibilizada uma pequena reportagem sobre o dia 19 de Maio, que pode ver aqui

Seria português o descobridor da América?
Colombo e Colon: a história retalhada.
«No ano seguinte de 1493, estando o Rei no lugar de Vale do Paraíso, que é acima do Mosteiro de Santa Maria das Virtudes, por razão da grande peste que nos lugares principais da sua comarca havia, a seis dias de Março arribou ao Restelo em Lisboa, Cristovam Colonbo ytaliano que vinha do descobrimento das ilhas de Sipango e de Antilha, que por mandado dos reis de Castela tinha feito.»

Assim descreveu , anos depois, o cronista Rui de Pina, a chegada de Cristóbal Colón a Lisboa após a sua viagem que ficou celebrizada na história como sendo a descoberta da América.

As imprecisões desta crónica são apenas uma gota no imenso mar de mentiras, deturpações, erros grosseiros e até falsificações que têm feito a História de Cristovam Colon desde que se tornou em Almirante do Mar Oceano e herói de Espanha como resultado daquela viagem.

Desde então, tudo o que se possa imaginar, tanto de positivo como de negativo, já foi escrito e dito sobre o descobridor. Milhares de livros foram publicados, centenas de monumentos foram erigidos em sua honra e poucos serão os países onde não exista, pelo menos uma rua ou avenida com o seu nome. Quase sempre errado… tal como fez Rui de Pina.

Contudo, e decorrido meio milénio sobre os acontecimentos, continuam no ar os enigmas sobre o local onde nasceu e quem foi a sua família. Parte deste desconhecimento dever-se-á ao excesso de informação equívoca que rodeou a sua figura.

Quinhentos anos de encobrimento, de análises distorcidas e de interpretações tendenciosas produziram uma tão grande confusão que qualquer prova que surja fica de imediato abafada por ela.

Praticamente se convencionou que o descobridor era um tal Cristoforo Colombo, italiano, filho de tecelões e ele próprio iniciado nessa profissão. Rebuscaram-se os arquivos para tentar encontrar a pessoa que correspondesse ao personagem. E com retalhos soltos se foi tecendo a sua história. E todos os factos da vida do Almirante Cristóbal Colón que nunca couberam nesta história foram sendo escondidos ou eliminados. A História amputada.

O seu casamento em Portugal e o seu filho português, o seu envolvimento nos descobrimentos portugueses, a sua relação com D. João II e todas as suas ligações com Portugal, inclusive o seu nome Cristovão Colon, continuam a ser ignorados e desprezados. A História retalhada.

CONVITE
Temos a honra de convidar V. Exª e sua Família para assistir à conferência a realizar no próximo dia 1 de Junho (Sexta-Feira), pelas 18h30, na Universidade Católica (Pólo da Foz), sobre o tema: «Colombo e Colon: a história retalhada». Serão conferencistas três membros da Associação Cristóvão Colon - o Eng.º Carlos Calado, o Tenente-Coronel Carlos Paiva Neves, da Força Aérea Portuguesa, e o Tenente-Coronel João Brandão Ferreira, piloto aviador e mestre em Estratégia.

A Comissão organizadora
António Carlos de Azeredo, José Manuel Monteiro, Miguel Lencastre, Nuno Lencastre, Nuno Torres, Rodrigo Brito, Vicente Paiva Brandão
Tenente-Coronel João Brandão Ferreira
Fonte: O Adamastor

DOM MANUEL I, O VENTUROSO

D. Manuel I
Monarca de Portugal
ManuelI-P.jpg
Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, e Senhor da Guiné (1495-1499)
Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc. (1499-1521)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ordem: 14.º monarca de Portugal
Cognome(s): O Venturoso
Início do reinado: 25 de Outubro de 1495
Término do reinado: 13 de Dezembro de 1521
Aclamação: Alcácer do Sal,
27 de Outubro de 1495
Predecessor(a): D. João II
Sucessor(a): D. João III
Pai: D. Fernando, Duque de Viseu
Mãe: D. Beatriz, Infanta de Portugal
Data de nascimento: 31 de Maio de 1469
Local de nascimento: Alcochete
Data de falecimento: 13 de Dezembro de 1521 (52 anos)
Local de falecimento: Lisboa
Local de enterro: Mosteiro de Santa Maria de Belém, Lisboa
Consorte(s): D. Isabel de Aragão
D. Maria de Aragão
D. Leonor de Áustria (Infantas de Espanha)
Príncipe herdeiro: D. João III (filho)
Dinastia: Avis-Beja

Dom Manuel I de Portugal (Alcochete, 31 de Maio de 1469 — Lisboa, 13 de Dezembro de 1521) foi o 14.º Rei de Portugal, cognominado O Venturoso, O Bem-Aventurado ou O Afortunado tanto pelos eventos felizes que o levaram ao trono, como pelos que ocorreram no seu reinado. D. Manuel I ascendeu inesperadamente ao trono em 1495, em circunstâncias excepcionais, sucedendo ao seu primo direito João II de Portugal, de quem se tornara protegido. Prosseguiu as explorações portuguesas iniciadas pelos seus antecessores, o que levou à descoberta do caminho marítimo para a Índia, do Brasil e das ambicionadas "ilhas das especiarias", as Molucas, determinantes para a expansão do império português. Foi o primeiro rei a assumir o título de Senhor do Comércio, da Conquista e da Navegação da Arábia, Pérsia e Índia. Em 1521, promulgou uma revisão da legislação conhecida como Ordenações Manuelinas, que divulgou com ajuda da recente imprensa. No seu reinado, apesar da sua resistência inicial, cumprindo as cláusulas do seu casamento com Dona Maria de Aragão, viria a autorizar a instalação da inquisição em Portugal. Com a prosperidade resultante do comércio, em particular o de especiarias, realizou numerosas obras cujo estilo arquitectónico ficou conhecido como manuelino.

Infância e juventude

Armas de Manuel I de Portugal, Livro do Armeiro-mor, 1509

Constantes surtos de peste negra em Lisboa, capital do Reino, levaram a corte e a nobreza dos séculos XIV e XV a instalarem-se em Alcochete, nomeadamente o rei D. João I e, em meados do século XV, o seu neto infante D. Fernando, Duque de Viseu. Aí, na vila de Alcochete, nasceu em 1469 D. Manuel, filho de D.Fernando, Duque de Viseu e de Beatriz de Portugal.

Durante a infância e a juventude, assistiu à guerra de intriga e conspiração entre a aristocracia e o seu primo direito D. João II, muito cioso do seu poder. Alguns homens do seu círculo próximo foram mortos ou exilados, incluindo o seu irmão mais velho Diogo, Duque de Viseu, assassinado pelo próprio rei. Sucedeu-lhe como 5º Duque de Viseu, 5º Senhor da Covilhã e 4º Duque de Beja, 4º Senhor de Moura. Portanto, quando em 1493 recebeu uma ordem real de comparência no paço, D. Manuel I deveria estar preocupado. Mas o propósito de D. João II era nomeá-lo herdeiro da coroa, depois da morte do seu filho Afonso de Portugal e das tentativas frustradas de legitimar o bastardo Jorge de Lencastre.

D. Manuel I ascendeu ao trono em circunstâncias excepcionais, sucedendo João II de Portugal em 1495 de quem se tornara uma espécie de «filho adoptivo»[1]

Descobrimentos

Gravura contemporânea do elefante Hanno, oferecido ao papa Leão X
Iluminura do período manuelino, "Livro 3 Místicos"

Aclamado em 27 de Outubro de 1495, D. Manuel I provou ser um sucessor à altura, apoiando os descobrimentos portugueses e o desenvolvimento dos monopólios comerciais. Durante seu reinado, Vasco da Gama descobriu o caminho marítimo para a Índia (1498), Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil (1500), D. Francisco de Almeida tornou-se no primeiro vice-rei da Índia (1505) e o almirante D. Afonso de Albuquerque assegurou o controlo das rotas comerciais do Oceano Índico e Golfo Pérsico e conquistou para Portugal lugares importantes como Malaca, Goa e Ormuz.

Também no seu reinado organizam-se viagens para ocidente, tendo-se chegado à Gronelândia e à Terra Nova. O seu reinado decorreu num «contexto expansionista, já preparado por seu antecessor - e marcado pela descoberta do caminho marítimo para a Índia em 1498 e pelas consequências políticas e económicas que advieram deste facto».[1]

A extensão de seu reinado «permite surpreender nele uma personagem determinada, teimosa, voluntariosa, autocrática, detentora de um programa político de potenciação do seu poder dotado de uma assombrosa coerência, posto em prática até ao seu mais ínfimo detalhe.

D. Manuel I opta por uma política de expansão indiana e põe em prática os seus princípios, criando a oportunidade para a realização da viagem de Vasco da Gama em 1497, contra, ao que parece, a oposição de parte do seu Conselho. Escolhe, ainda, a via da inversão pró-aristocrática, ou seja, de restauração de privilégios e direitos antes postos em causa e isto certamente por opção política de Estado. O rei edifica, igualmente, um Estado que prenuncia em boa medida o absolutismo régio e o governo iluminado, por contraponto, aliás, ao problemático e agitado centralismo do seu antecessor D. João II.[1]

Tudo isto contribuiu para a constituição do Império Português, fazendo de Portugal um dos países mais ricos e poderosos da Europa. D. Manuel I utilizou a riqueza obtida pelo comércio para construir edifícios reais, no que se chamaria muito posteriormente estilo manuelino, dos que são exemplo o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém. Atraiu cientistas para a corte de Lisboa e estabeleceram-se tratados comerciais e relações diplomáticas com a China e a Pérsia, além de que, em Marrocos, realizaram-se conquistas como Safim, Azamor e Agadir.

A sua completa consagração europeia deu-se com a aparatosa embaixada em 1514, chefiada por Tristão da Cunha, enviando ao papa Leão X presentes magníficos como pedrarias, tecidos e jóias. Dos animais raros, destacaram-se um cavalo persa e um elefante, chamado Hanno, doravante mascote do papa, que executava várias habilidades. Mas uma das inúmeras novidades que encantaram os espíritos curiosos das cortes europeias da época terá sido sem dúvida o rinoceronte trazido das Índias, que assumiu, então, um papel preponderante na arte italiana.

Obra em Portugal

O Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, um dos legados mais exuberantes do chamado estilo manuelino.

Na vida política interna, D. Manuel I seguiu as pisadas de D. João II e tornou-se quase num rei absoluto. As cortes foram reunidas apenas três vezes durante o seu reinado de mais de vinte e cinco anos, e sempre no paço de Lisboa. D. Manuel I dedicou-se à reforma dos tribunais e do sistema tributário, adaptando-o ao progresso económico que Portugal então vivia.

D. Manuel I era um homem bastante religioso que investiu uma boa parte da fortuna do país na construção de igrejas e mosteiros, bem como no patrocínio da evangelização das novas colónias através dos missionários católicos.

O seu reinado ficará também lembrado pela perseguição feita a judeus e muçulmanos em Portugal, particularmente nos anos de 1496 a 1498. Esta política foi tomada por forma a agradar aos Reis católicos, cumprindo uma das cláusulas do seu contrato de casamento com a herdeira de Espanha, Isabel de Aragão.
O Massacre de Lisboa de 1506 foi talvez uma das consequências da política de D. Manuel I. Seguíram-se as conversões forçadas dos judeus e, depois, confiou ao seu embaixador em Roma a missão secreta de pedir ao papa, em 1515, a permissão de estabelecer a Inquisição em Portugal.

Na cultura, D. Manuel I procedeu à reforma dos Estudos Gerais, criando novos planos educativos e bolsas de estudo. Na sua corte surge também Gil Vicente, o pai do teatro português, e Duarte Pacheco Pereira, o geógrafo, autor do Esmeraldo de Situ Orbis.

Analisando-se a sua obra, verifica-se que avulta a tentativa de reforma do reino, «através da criação de instrumentos unificadores de carácter estatal, como sejam a publicação dos Forais Novos, reformando os antigos, a Leitura Nova (1504-1522), a compilação e revisão da legislação, consagrada pelas Ordenações Manuelinas, a reorganização da Fazenda Pública e a estruturação administrativa daí decorrente. Com ele organiza-se o Estado moderno».[2] D. Manuel I morreu em 1521 e encontra-se sepultado no Mosteiro dos Jerónimos.

Descendência

Realeza Portuguesa
Casa de Avis
Descendência
Ordem Avis.svg
Do primeiro matrimónio, com Isabel de Aragão, infanta de Espanha (1470–1498):
  • Miguel da Paz (1498-1500), presumível herdeiro das Coroas de Portugal, Castela e Aragão
Do segundo matrimónio, com a sua cunhada Maria de Aragão, infanta de Espanha (1482-1517), a 30 de Outubro de 1500:
  • João III, rei de Portugal (1502-1557)
  • Isabel de Portugal (1503-1539), casada com Carlos V, Imperador da Alemanha que se tornaria mãe de Filipe II de Espanha;
  • Beatriz de Portugal, Duquesa de Sabóia (1504-1538), casada com Carlos III, Duque de Sabóia;
  • Luís, Duque de Beja (1506-1555), Condestável do Reino e Prior da Ordem de S. João de Jerusalém, pai do polémico D. António, prior do Crato;
  • Fernando, Duque da Guarda (1507-1534), casado com Guiomar Coutinho, Condessa de Marialva
  • Afonso de Portugal, cardeal (1509-1540), arcebispo de Évora e de Lisboa.
  • Maria de Portugal (1511-1513)
  • Cardeal Henrique, rei de Portugal (1512-1580), cardeal, arcebispo de Braga, de Évora e de Lisboa, Inquisidor Geral, regente do reino e rei;
  • Duarte, Duque de Guimarães (1515-1540), casado com Isabel de Bragança, bisavô de João IV de Portugal
  • António de Portugal (1516) que viveu poucos dias.
Do terceiro matrimónio, com Leonor da Áustria (1498-1558), infanta de Espanha, irmã do imperador Carlos V:
  • Carlos de Portugal (1520-1521)
  • Maria de Portugal (1521-1577), famosa como a mais culta das infantas.

Precedido por:
D. Diogo
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Duque de Beja

1484 — 1495
Sucedido por:
D. Luís
Armas duques beja.png
Duque de Viseu

1484 — 1495
Sucedido por:
o título foi incorporado na Coroa e extinto
Precedido por
D. Afonso
Armas principe herdeiro portugal.png
Príncipe herdeiro de Portugal

1491 — 1495
Sucedido por
D. Leonor
Precedido por
D. João II
PortugueseFlag1495 (alternative).png
Rei de Portugal e dos Algarves,
d'Aquém e d'Além-Mar em África,
Senhor do Comércio, da Conquista e da Navegação
da Arábia, Pérsia e Índia

1495 — 1521
Sucedido por
D. João III

A PARTIR DE AMANHÃ: DOM AFONSO HENRIQUES E AS CORTES DE LAMEGO


A edição deste ano da Feira Medieval de Lamego vai abandonar o histórico bairro do Castelo e descer até à zona envolvente da Praça do Comércio onde reunirá o clero, a nobreza, os mestres de ofício e os servos da gleba para fazerem a evocação histórica do comércio e das artes e dos ofícios medievais. Este ano, a viagem ao passado de Lamego destaca a recriação das Cortes de Lamego por D. Afonso Henriques, através da qual o público poderá vivenciar vários episódios da época, enquadrados na moldura de um mercado. Não faltarão, por isso, mercadores e artesãos que vão desenvolver as suas atividades de comércio.

Ao longo de três jornadas, de 1 a 3 de junho, as ruas e ruelas da zona alta da cidade serão palco de “jogos de destreza e perícia”, “reinos de armas e preitos de vassalagem a D. Afonso”, para além de “bailias e folguedos com músicos”. Fiel ao espírito e à época, a Feira Medieval de Lamego quer continuar a cativar o interesse de vários públicos através de uma abordagem interativa sobre as lendas e tradições enraizadas nesta cidade. No primeiro dia, o evento será dedicado às crianças e às escolas, enquanto que no sábado o ponto alto das celebrações ocorrerá com a recriação das Cortes de Lamego. No domingo, ao início da tarde, após a abertura da feira e “fiscalização dos meirinhos e alvazis”, um Cortejo Régio desfilará pelas ruas “com recebimento das várias ordens militares que partem em fossado nas terras de Moirama”.

A realização de torneios de armas e juízos de malfeitores, “desmandos heréticos e possessões malignas” serão outros episódios históricos cuja reconstituição será feita com as personagens da época. Para quem pretende retemperar forças durante tamanha folia também haverá “comeres fartos e beberes frescos nas tabernas da feira”.
 
Ao apresentar uma programação ampla e bastante apelativa, este evento pretende cumprir duas missões essenciais: fazer a pedagogia dos usos e costumes medievos e expor artesanato nacional e internacional de qualidade. Para além da Praça do Comércio, o espaço ocupado por mercadores e artesãos, muitos dos quais provenientes do Magrebe, será alargado às ruas Marquês de Pombal, Padre Alfredo Pinto Teixeira, das Cortes, Almacave e Nova, para além de um pequeno troço da Av. 5 de outubro. A Câmara Municipal de Lamego apela à compreensão e colaboração dos moradores e comerciantes das zonas envolvidas para que se associem a esta manifestação cultural e respeitem as restrições em relação à circulação e estacionamento automóvel.

Organizada pela Câmara Municipal de Lamego, através do programa VIVERLamego, a realização da Feira Medieval representa um investimento de 36.700 euros, comparticipado em 80% através do QREN.

OLIVENÇA: TERRA PORTUGUESA NO MAPA DE PORTUGAL

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1º DIA DA VISITA DOS PRÍNCIPES DAS ASTÚRIAS


 Mosteiro dos Jerónimos
Parlamento
Embaixada da Espanha

quarta-feira, 30 de maio de 2012

PRÍNCIPES DAS ASTÚRIAS INICIAM HOJE VISITA DE TRÊS DIAS A PORTUGAL

Os Príncipes das Astúrias iniciam hoje uma visita oficial de três dias a Portugal, a convite do Presidente da República, Cavaco Silva, com a deposição no final da manhã de uma coroa de flores no túmulo de Camões, nos Jerónimos.

A visita, que decorrerá em Lisboa e em Braga, terá uma componente política, empresarial, científica e cultural, de acordo com o programa oficial divulgado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros.

Os príncipes das Astúrias, Filipe de Borbón y Grécia, herdeiro da coroa de Espanha, e Letizia Ortiz Rocasolano encontram-se de seguida com Cavaco Silva no Palácio de Belém e são os convidados de honra de um almoço oferecido pelo chefe de Estado.

Pelas 18:00 o casal real e respectiva comitiva deslocam-se à Assembleia da República, para um encontro com a presidente do Parlamento, Assunção Esteves, a que se seguirá uma reunião com a comunidade espanhola residente em Portugal prevista para o final da tarde, na residência do embaixador de Espanha em Lisboa.

Na quinta-feira, Filipe e Letizia deslocam-se a Braga para uma visita ao Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL) e a meio da tarde, após o regresso a Lisboa, promovem um encontro na residência do embaixador de Espanha com personalidades dos sectores empresarial, cultural e social.

Ao início da noite, Cavaco Silva oferece um banquete em honra dos Príncipes das Astúrias no Palácio de Queluz.

Na sexta-feira, último dia da visita oficial, o herdeiro da coroa de Espanha participa numa reunião da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola, num hotel de Lisboa, na presença de empresários dos dois países.

O programa prevê também uma deslocação à residência oficial do primeiro-ministro para uma reunião com Pedro Passos Coelho, seguida de um almoço oferecido pelo chefe do governo português.

A etapa final da deslocação vai decorrer de novo no Mosteiro dos Jerónimos, onde no final da tarde está prevista a cerimónia de entrega do Prémio "Europa Nostra".

AFINAL, A QUEM INTERESSA ACABAR COM AS FREGUESIAS?

Jornal Público de 27-05-2012

"MANIFESTIS PROBATUM", A CERTIDÃO DE NASCIMENTO DE PORTUGAL

"Manifestis probatum" foi uma bula emitida pelo Papa Alexandre III, em 23 de Maio de 1179, que declarou o Condado Portucalense independente do Reino de Leão, e D. Afonso Henriques, o seu soberano.

A tradução da Bula é mais ou menos esta:
 
"Alexandre, Bispo, Servo dos Servos de Deus, ao Caríssimo filho em Cristo, Afonso, Ilustre Rei dos Portugueses, e a seus herdeiros, in 'perpetuum'. Está claramente demonstrado que, como bom filho e príncipe católico, prestaste inumeráveis serviços a tua mãe, a Santa Igreja, exterminando intrepidamente em porfiados trabalhos e proezas militares os inimigos do nome cristão e propagando diligentemente a fé cristã, assim deixaste aos vindouros nome digno de memória e exemplo merecedor de imitação. Deve a Sé Apostólica amar com sincero afecto e procurar atender eficazmente, em suas justas súplicas, os que a Providência divina escolheu para governo e salvação do povo. Por isso, Nós, atendemos às qualidades de prudência, justiça e idoneidade de governo que ilustram a tua pessoa, tomamo-la sob a protecção de São Pedro e nossa, e concedemos e confirmamos por autoridade apostólica ao teu excelso domínio o reino de Portugal com inteiras honras de reino e a dignidade que aos Reis pertence, bem como todos os lugares que com o auxílio da graça celeste conquistaste das mãos dos Sarracenos e nos quais não podem reivindicar direitos os vizinhos príncipes cristãos. E para que mais te fervores em devoção e serviço ao príncipe dos apóstolos S. Pedro e à Santa Igreja de Roma, decidimos fazer a mesma concessão a teus herdeiros e, com a ajuda de Deus, prometemos defender-lha, quanto caiba em nosso apostólico magistério."


A tradução é de Luís Ribeiro Soares, na sua obra «A Bula 'Manifestis Probatum' e a Legitimidade Portuguesa» 

Núcleo dos Amigos do Elmo de Dom Sebastião
(NAE)

VITÓRIA "TÉCNICA" CONTRA O (DES)ACORDO ORTOGRÁFICO

Pequeno artigo publicado na edição de 21 de
Maio de 2012 do jornal Público.
A plataforma Desacordo Técnico da Associação dos Estudantes do Instituto Superior Técnico (AEIST) voltou a merecer o destaque da imprensa escrita nacional, face às mais recentes conquistas alcançadas na luta contra o abjecto (des)acordo ortográfico. Num curto espaço de tempo, os estudantes de um dos mais históricos e prestigiados institutos de ensino superior deste país conseguiram organizar-se, debatendo e agindo livremente, em conformidade com as suas consciências e mais firmes convicções, contra um dos maiores crimes alguma vez perpetrados contra a Língua Portuguesa.  

A Nova Casa Portuguesa congratula a AEIST e todos os estudantes que tomaram parte na decisão de revogar oficialmente o (des)acordo ortográfico, levada a cabo na sua última Assembleia Geral de Alunos, sublinhado-se este acontecimento como um exemplo a ser seguido pelas restantes associações estudantis espalhadas pelo país. 

Esta notícia prova uma vez mais que este acordo, imposto à revelia de uma vontade soberana, não é de modo algum inevitável. 

COISAS DA PARVÓNIA

Pelo João Gonçalves, ficamos a saber que o dr. Medeiros Ferreira anda por aí numa rematada pedinchice para a manutenção do 5 de Outubro. Pois pode pedir à vontade que pelo menos durante os próximos anos, não há mais "Afonso Costa" para ninguém. Com Fátima a rebentar pelas costuras, há quem ainda não percebeu que certos mitos acabaram de vez, precisamente aqueles que julgavam extirpar as raízes culturais deste povo em apenas duas gerações. Vê-se!

A divertida carta do homem que "negociou" a entrada de Portugal na CEE "por razões políticas", está preciosamente esmaltada com as fantasias e contorcionismos propagandísticos do costume, desde as negridões nocturnas do salazarismo que comemorava o 5 de Outubro com feriado, alçamento de bandeirola e banda a tocar A Portuguesa, até à histérica exaltação do Venerando belenense de cada tempo! Como nota cómica, acrescentou a PIDE ao assunto, salientando as lojas de portas abertas durante a data de lazer do último dia de praia em cada verão secundo-republicano. Pois então o que poderá Medeiros Ferreira dizer de tudo o que se passa na 3ª República, com centros comerciais de portões e estacionamentos religiosamente escancarados no sacrosantinho dia? Pior ainda, Medeiros Ferreira diz não estar a pensar "só" no 5 de Outubro, mas a verdade é outra, o 5 de Outubro é o o único feriado que lhe interessa manter. Conforme-se. O país perdeu muitíssimo mais com o fim do 1º de Dezembro e isto no momento em que a República admitiu viaturas da Guardia Civil da Monarquia espanhola em ostensiva patrulha e estacionamento na placa do Monumento aos Restauradores de 1640.

Como se não soubéssemos da gritaria e arrepelar de cabelos que se passou e ainda se passa em determinadas lojas... Claro que sabemos, disso somos informados regular e detalhadamente, mas sendo a coisalaica uma questão de quase integrismo religioso, percebe-se o fanatismo. Em suma, dá-nos tremendo gozo, até para aqueles azuis e brancos que usam avental fora da cozinha.

Medeiros Ferreira pode esperar mais uns anos e quando os seus colegas voltarem ao poder, talvez lhe façam a vontadezinha. Se a Alemanha estiver pelos ajustes, claro.

Nuno Castelo-Branco

Fonte: Estado Sentido

A DEFESA DA LIBERDADE E DA MONARQUIA EM MONTESQUIEU

O recente debate sobre o federalismo americano e europeu, para o qual o derradeiro contributo, pelo menos por agora, veio do José Gomes André - e em particular, a teorização de James Madison em que este ultrapassa algumas das premissas desenvolvidas por Montesquieu -, levou-me a continuar a investigar sobre esta temática e também sobre o pensamento republicano, de que Charles Louis-Secondat é um expoente notável. Claro que quando falo em república ou pensamento republicano é no sentido de res publica, à maneira de Cícero, ou seja, coisa pública, e não no sentido de forma de governo. E dentro do pensamento republicano, importa salientar a existência de duas correntes principais, representadas por Rousseau e Marx, de um lado, e Montesquieu e Madison de outro. Como não poderia deixar de ser, as diferenças entre estas, às quais, grosso modo, corresponde o que se costuma designar por liberalismo francês ou continental e liberalismo anglo-saxónico, derivam essencialmente da forma como encaram a natureza humana e o conceito de liberdade. Hayek faz notar as principais diferenças: “Enquanto para a velha tradição britânica, a liberdade do indivíduo no sentido da protecção pela lei contra toda a coerção arbitrária era o valor principal, na tradição continental era a procura pela auto-determinação de cada grupo em relação à sua forma de governo que ocupava o lugar mais elevado.”1

Absorto nas minhas leituras e investigações, acabei por deparar com um artigo na Political Theory, da autoria de Annelien de Dijn, intitulado “On Political Liberty: Montesquieu’s Missing Manuscript”. Como o próprio título indica, a autora debruça-se sobre um manuscrito perdido de Montesquieu, que ajuda a melhor compreender o célebre livro XI de Do Espírito das Leis, onde são tratados o conceito de liberdade e o regime monárquico. A leitura do artigo vale bem a pena, especialmente porque mostra um pouco do percurso intelectual de um dos grandes teóricos políticos da modernidade, versando sobre as evoluções em que este incorreu. O argumento principal é o de que os súbditos monárquicos não estão necessariamente numa posição pior que os cidadãos republicanos no que concerne à segurança das suas vidas e posses, e que, na verdade, estas podem estar mais seguras numa monarquia do que numa república. Distanciando-se da oposta corrente republicana, que ao recuperar a noção de participação política da antiguidade clássica, acabou por equacionar liberdade com autonomia ou auto-governo, Montesquieu articulou uma concepção negativa de liberdade, procurando desta forma defender a monarquia contra os sectarismos revolucionários. Ao teorizar o conceito de liberdade, Montesquieu afirmou que um homem livre é “aquele que tem boas razões para acreditar que o furor de uma pessoa ou de muitas não lhe roubará a sua vida ou a posse dos seus bens.” Estamos perante uma concepção conservadora e anti-revolucionária, que nos traz imediatamente Burke e as suas Reflexões sobre a Revolução em França à mente.

Esta redefinição do conceito de liberdade enquanto segurança obriga, no entanto, a colocar a pergunta sobre como garantir esta segurança. A resposta de Montesquieu é dada ao debruçar-se sobre a constituição Inglesa. Considerando-se discípulo de Locke, acaba por aprofundar a teoria da separação de poderes, fundamental para garantir a segurança e, consequentemente, a liberdade individual. Partindo da sua famosa proposição de que “todo o homem que tem poder é levado a abusar dele”2 indo até onde encontra limites, Montesquieu considerou que “Para que se não possa abusar do poder, é preciso que, pela disposição das coisas, o poder trave o poder”3, o que nem sempre é conseguido por intermédio das leis “dado que estas sempre podem ser abolidas, como mostraria a experiência dos conflitos entre as leis e o poder, onde este sai sempre vitorioso”4. Socorrendo-me aqui da articulação que José Adelino Maltez faz (a partir de uma edição francesa da obra de Montesquieu), citamos o mesmo na íntegra: “Assim, visionou um sistema de pesos e contrapesos, tratando de limitar o poder no interior do próprio poder, onde, para cada faculdade de estatuir (estatuer), o direito de ordenar por si mesmo ou de corrigir aquilo que foi ordenado por outro, deveria opor-se uma faculdade de vetar ou de impedir (empêcher), o direito de tornar nula uma resolução tomada por qualquer outro. Deste modo, considerava que, para formar um governo moderado, é preciso combinar os poderes (puissances), regulá-los e temperá-los.5

Montesquieu preocupou-se em responder à questão sobre como garantir um governo representativo que assegure a liberdade e minimize a corrupção e os monopólios advindos de privilégios inaceitáveis. A sua resposta vai no sentido de um estado constitucional, que mantenha a lei e a ordem, como forma de assegurar os direitos dos indivíduos6, recaindo a sua preferência, naturalmente, sobre o sistema da monarquia constitucional britânica. Relacionando o governo monárquico com um sistema de checks and balances, segundo David Held, Montesquieu acabou por rearticular as preocupações republicanas e liberais sobre o problema de unir os interesses privados e o bem público, arquitectando institucionalmente a forma como estes interesses se devem relacionar sem sacrificar a liberdade da comunidade7. Esta institucionalização visa, por um lado, impedir a centralização de poder, e, por outro, despersonalizar o exercício do poder político8. E esta despersonalização está também em David Hume, que ao procurar demolir a equação entre monarquia e despotismo, evidencia como as monarquias civilizadas, modernas, constituem-se como um governo de Leis, não de Homens. Também Locke teorizou no mesmo sentido. Ao contrário de Jeremy Bentham, para quem a lei constituía uma infracção contra a liberdade, para Locke, como para Hayek, conforme assinala André Azevedo Alves, “a liberdade em sociedade não é, nem pode ser, ilimitada, antes consistindo na sujeição à lei em alternativa à submissão a um poder arbitrário”9, tratando-se, em suma, da acepção lockeana de que “onde não há lei, não há liberdade.”10

O corolário disto é a concepção de Montesquieu de que a liberdade não está directamente relacionada ou dependente da forma de governo, que um povo não é livre por ter esta ou aquela forma de governo mas sim porque o governo é estabelecido pela Lei, porque obedece ao estado de direito. Isto implica a invalidação do muito utilizado argumento de que uma república garante mais liberdade que uma monarquia. Na verdade, conquanto exista uma ordem constitucional baseada na Lei, na separação de poderes e nos direitos individuais, uma monarquia pode garantir o mesmo ou um maior grau de liberdade que uma república, tal como acontece com a monarquia britânica, na qual Montesquieu se inspirou.


1 - F. A. Hayek, New Studies in Philosophy, Politics, Economics and the History of Ideas, Londres, Routledge & Kegan Paul, 1990, p. 120.
2 - Montesquieu, Do Espírito das Leis, Lisboa, Edições 70, 2011, p. 303.
3 - Ibid., p. 303.
4 - José Adelino Maltez, Princípios de Ciência Política – Introdução à Teoria Política, 2.ª Edição, Lisboa, ISCSP, 1996, p. 148.
5 - Ibid., p. 148.
6 - David Held, Models of Democracy,Cambridge, Polity Press, 2008, p. 65-66.
7 - Ibid., p. 67.
8 - Ibid., p. 68.
9 - André Azevedo Alves, Ordem, Liberdade e Estado: Uma Reflexão Crítica sobre a Filosofia Política em Hayek e Buchanan, Senhora da Hora, Edições Praedicare, 2006, p. 35.
10 - John Locke, Two Treatises of Government, Cambridge, Cambridge University Press, 2010, pp. 305-306.

publicado por Samuel de Paiva Pires em Real Associação de Lisboa

terça-feira, 29 de maio de 2012

JANTAR-TERTÚLIA COM ANTÓNIO DE SAMPAYO E MELLO

A Juventude Monárquica de Lisboa promove nesta quinta-feira, dia 31 de Maio, um Jantar-Tertúlia com António de Sampayo e Mello, autor do livro "Monarquia? Em busca de um caminho para Portugal", no Restaurante Flor do Cais do Sodré, na rua dos Remolares, nº 31 em Lisboa. Terá o preço de 14€. Inscrições através de juventude@reallisboa.pt.

O SIGNIFICADO DO PROVÉRBIO «DE ESPANHA, NEM BOM VENTO, NEM BOM CASAMENTO»

Em Portugal, o mar é um amenizador do clima, mas, devido a Espanha ser continental e montanhosa, os ventos de leste, no Inverno, são frequentemente desagradáveis. Também durante o Verão, o vento proveniente do Norte de África, chamado suão, chega a Portugal depois de atravessar o Sul de Espanha. Por estas razões, os ventos ...de leste são mais secos e rigorosos que os ventos oceânicos.

Quanto à sequência em que se diz «nem bom casamento», trata-se de uma alusão histórica, devido a alguns casamentos mal sucedidos entre as coroas de Espanha e Portugal, os quais, para este país, se traduziram em comprometer a independência política. Por causa do desejo de mantermos a identidade cultural e procurarmos alguma segurança em assunto tão aventuroso, preferimos os casamentos com os vizinhos e as vizinhas, filhos e filhas de famílias conhecidas.


Esta é a explicação que leio na Google. Sem embargo, tenho uma visão um pouco diferente e que tem a ver com um acontecimento histórico.

O nosso rei D. João II, a quem a rainha Isabel a Católica chamava “El Hombre”, tudo fez para conseguir a legitimação do seu filho bastardo, D. Jorge, muito mais depois do trágico acidente que vitimou o Príncipe Herdeiro D. Afonso.

Negada essa legitimação por Roma, D. João II ainda tentou uma aliança fortalecedora que facilitasse a ascensão de D. Jorge ao Trono português.

Assim, enviou uma Embaixada a Madrid, aos Reis Católicos, no intuito de conseguir um casamento do seu filho D. Jorge com uma filha de Isabel e Fernando.

Ao ser confrontado com os monarcas o nosso Embaixador explanou as razões da mesma e as pretensões do seu monarca.

A rainha, altiva, respondeu ao enviado português: “O quê? Que ousadia é essa? Um filha Nossa casar com um bastardo do rei de Portugal? Quando muito, dar-lhe-ei uma bastarda de meu Marido para casar com esse vosso bastardo”!

O embaixador português, calma mas descaradamente, respondeu à poderosa e altiva rainha de Castela e Leão: “Vossa Majestade não entendeu, provavelmente. O que o meu Senhor e Soberano pretende é uma aliança com Leão e Castela, não com Aragão. Pelo que se Vossa Majestade tiver uma filha bastarda, Sua e não de Seu Marido, El-rei Nosso Senhor aceitará!”

Escusado será acrescentar que embora lavada a Honra portuguesa pelo corajoso, audacioso e algo louco representante português, a embaixada teve que dar corda ao sapatinho enquanto os ventos não mudavam de feição e acabava de pescoço e cabeça separados!

Não será deste episódio que surgiu o ditado de que “de Espanha nem bom vento, nem bom casamento”?

Apenas uma reflexão minha, que tem o valor que tem.

Ou seja, pouco ou nenhum. Tão somente uma Reflexão histórica pessoal!

AMANHÃ: PAULO PORTAS APRESENTA "D. MARIA II, TUDO POR UM REINO"


VILA VERDE RECONSTITUI FEIRA QUINHENTISTA E EVOCA POETA SÁ DE MIRANDA

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Terminou ontem a Feira Quinhentista em Vila Verde. Desde o passado dia 18 de maio, aconteceu de tudo um pouco neste concelho minhoto: teatro, poesia, exposições, conferências, bobos da corte e uma ceia com ementa quinhentista, música, dança, artesanato, feira e cortejo histórico.
A Feira Quinhentista atraiu milhares de visitantes a Vila Verde que, desta forma, puderam mergulhar na mentalidade e na sociedade da época e lembrar o poeta Sá de Miranda que aqui viveu durante mais de vinte anos e aqui compôs grande parte da sua obra literária, inspirado nas deslumbrantes paisagens e nos rios cristalinos que atravessam as veigas verdejantes da nossa terra.
A iniciativa do evento coube à Câmara Municipal de Vila Verde que a levou a efeito em parceria com todos os agrupamentos escolares de Vila Verde, a Secundária e a Profissional.
Fotos: Designer Sílvia Abreu
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