A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

MORREU O ÚLTIMO GENERAL


Morreu Silvino Silvério Marques, um dos últimos governantes do Império, certamente o último general digno das estrelas e das passadeiras vermelhas. Conheci-o há cerca de vinte e cinco anos e dele retive deste o primeiro encontro as prendas da inteligência, da boa cultura - aquela que se alimenta do convívio com os clássicos e se alicerça no conhecimento da língua - do patriotismo sem medo do nome e um tom senhorial que já não se encontra numa terra rendida ao jugo da meia-tigela. Com o António Manuel Couto Viana, o Manuel Maria Múrias, o Eduardo Quinhones e o Diogo Loureiro - amigos de primeira linha, todos entretanto falecidos - passei várias vezes pela casa do General ao Restelo, com ele discutindo a possibilidade da transformação da então Nova Monarquia em partido político, iniciativa que, de tão combatida por muitos, acabou por ser inviabilizada. Não fosse tal guerra surda e hoje, talvez, os monárquicos tivessem há muito em S. Bento uma bancada parlamentar. Anos volvidos, ocupando eu as funções de director-adjunto de um jornal diário, tive o prazer de reencontrar o General. Escrevia SSM duas ou três vezes por mês para uma coluna em que aflorava os temas  (proibidos, censurados) do lento descambar para o precipício, da epidemia de estupidez que se foi espraiando e minando ano a ano e até ao desastre presente a sociedade portuguesa. Depois, passei a encontrá-lo de quando em vez - na Sociedade de Geografia, nas celebrações do 10 de Junho, num ou outro lançamento editorial - gabando-lhe a lucidez, a afabilidade e bondade de carácter, o transbordante amor a Portugal que não mais cabia neste portugalinho enganado, pelintra, "europeu", servil de hoje.

O Portugal de Silvério Marques era o meu Portugal; grande, aquém e além mar, fraterno, diverso, conjuntivo. Tudo isso acabou e com a partida de SSM a memória de um outro Portugal vai-se desvanecendo. Estamos mais pobres, mas de tão alienados, poucos se darão conta. Hoje morreu um dos poucos homens que sabia que Portugal era mais, imensamente mais que isto que hoje temos.





Morreu o General Silvino Silvério Marques


Morreu um homem que pautou toda a sua vida por um indefectível amor à terra onde nasceu, que serviu com honra e rectidão as Forças Armadas do seu país, que desempenhou com notável sentido do dever altas funções ao serviço do estado português.

O General Silvino Silvério Marques, antigo governador de Angola, antes e depois do 25 de Abril, e também ex-governador de Cabo Verde, morreu terça-feira.


Segundo soube o único canal televisivo que ontem deu a funesta notícia, "et pour cause", foi a RTP África.


Ainda bem que os outros canais tiveram pudor em noticiar o falecimento do General Silvino Silvério Marques, pois com toda a certeza que aproveitariam para emporcalhar o momento com adjectivos caluniosos à figura do General Silvino Silvério Marques.


O silêncio desses lacaios do regime foi a melhor homenagem que podiam ter prestado a esse nobre português.


Silvino Silvério Marques ( Nazaré, 23 de Março de 1918 / 1 de Outubro de 2013)


Paz a sua alma meu General

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