MENSAGEM DE S.A.R. O SENHOR DOM DUARTE DE BRAGANÇA AOS PORTUGUESES

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

NÃO SE LÊ DE OLHOS ENXUTOS...

"(...) António Sardinha, que se mantivera republicano, abandona em 1912 as suas ilusões políticas. Em carta de 30 de Dezembro desse ano, para Luís de Almeida Braga, dá-lhe conta da sua conversão. É um documento que, na verdade, como diz Almeida Braga, não se lê de olhos enxutos. A sua beleza moral retrata vivamente o nobre coração do querido e malogrado Mestre.

Apesar de ser fácil a sua consulta, não resisto a transcrever aqui uma parte dessa carta, em que António Sardinha, depois de participar ao amigo o seu casamento, lhe diz ter-se convertido ao Catolicismo e à Monarquia.

“Casei-me, Luís, é verdade! Mas com que tristeza, ao entrar no meu lar, eu reparei que levava as mãos vazias, que os meus vinte e cinco anos não tinham como os vossos a grandeza duma abnegação, a auréola dum sacrifício. E admirei-vos, admirei-te! Vós sois no niilismo moral que nos abafa o fermento sagrado que há-de levedar uma Pátria. De cá vos saúdo, como te saudei no momento supremo em que deixava de ser um ponto, uma pausa, para me tornar o anel duma cadeia infinita.

(…) Corri depois o nosso Portugal e lá estive em Chaves rezando com minha mulher sobre a campa rasa dos Mártires. Bendito sangue, que foi uma sementeira de milagre!

Recordas-te, Luís, de um dia me dizeres na tua casa, ao fim da jeropiga e entremeando um cavaco com a senhora Teresa (passei a Valpaços, a terra dela), que o erro jacobino havia de morrer em mim, por incompatível com a sinceridade que eu lhe consagrava, e que os meus olhos se abririam para as verdades eternas? Pois, meu amigo, meu Irmão, leste fundo na minha alma e com alegria te conto a minha conversão à Monarquia e ao Catolicismo, — as únicas limitações que o homem, sem perda de dignidade e orgulho, pode ainda aceitar. E eu abençoo, eu abençoo esta República trágico cómica que me vacinou a tempo pela lição da experiência, que livrou a minha existência dum desvio fatal. Rapazes, saibam lá que em Portugal a crença monárquica prospera, saibam que, se repudiamos a miséria partidária dos bandos antigos, muito mais repudiamos a oligarquia criminosa que nos escorcha!

A Monarquia que venha reinstalar a paz neste pobre país, que se reorganizem os fundamentos sociais por um acto de inteligência e força, senão pulverizar-nos-emos numa vergonhosa derrocada!” (...)

Leão Ramos Ascensão, in 'O Integralismo Lusitano'

Publicado por Guilherme Koehler no Grupo “A Monarquia Sem Tabus” (Nem correntes, Nem mordaças)
 

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