28.º ANIVERSÁRIO DA REAL ASSOCIAÇÃO DO PORTO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O FIM TRÁGICO DA MONARQUIA LAOCIANA

Há cerca de um mês, por ocasião da minha estadia em Bangkok, comprei The Last Century of Lao Royalty: A Documentary History, de Grant Evans, decerto importante contributo para uma melhor compreensão da história contemporânea do Laos, o Estado-tampão criado pela França em finais do século XIX. O actual Laos decompunha-se em pequenos principados que prestavam vassalagem ao Rei do Sião. Quando passou a orbitar a Indochina Francesa, o Príncipe de Vientiane foi elevado à dignidade de Rei. Ao contrário dos países circunvizinhos, o Laos manteve até 1975 uma democracia gabada pela tolerância e respeito pela separação de poderes, não obstante a guerra que flagelava a região. O Rei Sisavang Vatthana, considerado uma força moderadora e agente de modernização, fiel ao papel de um monarca constitucional, sempre recusou caucionar uma ditadura militar, procurando apaziguar as tensões irredutíveis que opunham monárquicos a comunistas. Em 1975, o Pathet Lao - Partido Comunista apoiado por Hanói - tomou o poder e logo instaurou uma sanguinária ditadura que ainda hoje persiste.
Ao contrário das proclamações do novo governo, que assegurara respeito pela instituição real, o Rei e sua família foram detidos e confinados a campos de concentração. A deposição pública foi, entre tantos outros agravos morais, um instantâneo da revoltante humilhação. Antes de serem separados, o Rei e a Rainha foram obrigados a sentar-se no chão, pedir desculpas ao povo e agradecer a libertação comunista. Insultados, empurrados e obrigados a repetir slogans revolucionários, os reis receberam então a sentença do colectivo popular: condenados por "feudalismo", "parasitas do povo" e "aliados dos imperialistas". Dessa cerimónia subsiste uma fotografia.
Aos 70 de idade, despido de todas as atenções devidas a um homem da sua condição, o Rei foi confinado a uma cabana e submetido a "reeducação pelo trabalho", ou seja, o cultivo de campos de arroz , oito horas por dia, seis dias por semana. Sisavang Vatthana foi separado da rainha, partilhando uma choça com o seu herdeiro. Submetido repetidamente a maus tratos, tortura e rações de cascas de arroz e ratos, valeu-lhe a piedade filiar do Príncipe Herdeiro, que alimentou o seu pai até, por fim, morrer por inanição. Em 1978, minado pela doença, faleceu. Até meados da década de 80, o governo comunista continuou cinicamente a assegurar que o monarca ainda vivia em reclusão domiciliária e cercado de cuidados. Todos os testemunhos são unânimes em reconhecer a grande dignidade que o Rei exibiu ao longo dos terríveis anos de cativeiro, a desarmante bondade que sempre opôs à crueldade dos seus algozes, a determinação em manifestar a sua condição de monarca budista. 

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