A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

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terça-feira, 1 de abril de 2014

LÁ COMO CÁ: "A REPÚBLICA FRACASSOU"

Entrevista com Dom Bertrand de Orleans, número dois na linha sucessória da família real brasileira que sonha com o retorno da monarquia
Trineto de Dom Pedro II e bisneto da princesa Isabel, o príncipe Dom Bertrand de Orleans, 70 anos, número dois na linha sucessória da família real brasileira, abomina chuchu, odeia rock e ainda sonha com o retorno da monarquia. O sistema caiu em 1889, com a Proclamação da República, mas, para ele, o os Reis eram mais honestos. “Isso é algo para o futuro, pois a república fracassou. Uma prova são os inúmeros casos de corrupção. A monarquia se destaca pela moralidade pública”, comparou ele, que no fim de semana visitou Florianópolis, onde participou do 3o Encontro Monárquico Sul-brasileiro. Argumenta que, em 1993, 13% da população disseram sim ao retorno do império. “O que era sonho passou a ser alternativa e talvez até solução”, avalia ele, irmão de Dom Luís Gastão, que assumiria o poder se o Brasil voltasse a ser império. Reservado, o príncipe só não tem de discreto o nome: Bertrand Maria José Pio Januário Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orleans e Bragança e Wittelsbach. “Muita gente reclama que não cabe nos documentos”, brinca ele. Solteiro, nunca se casou. Entrega-se inteiramente a divulgar os ideais monarquistas dentro e fora do Brasil. No tempo livre ele lê de preferência livros de história, que ele tenta mudar pregando a volta da monarquia.
Por que restaurar a monarquia? Quais os defeitos do sistema republicano?
O objectivo da monarquia é criar na nação o clima de uma grande família, estimulando as qualidades do povo e inibindo suas más tendências. Há uma grande diferença entre a moralidade pública dos tempos do império e dos dias actuais. Ruy Barbosa, que redigiu o decreto que proclamou a república, depois se arrependeu do que fez. Dizia que enquanto na monarquia havia uma escola de estadistas a república era uma praça de negócios. Na época havia mais liberdade de imprensa e uma democracia mais autêntica. Havia quatro poderes, Executivo, Legislativo, Judiciário e o Moderador, conduzido pelo imperador que dava a harmonia entre os poderes. Hoje o Executivo é quem manda. Além do mais, constitucionalmente, o imperador tinha menos poderes que o presidente da república tem hoje. Tinha grande influência, isso sim, principalmente para o bem. No Brasil, a república fracassou. Basta ver os actuais escândalos e o caos político em que vivemos.
Em 1993, 13% da população disseram sim ao retorno da monarquia, em plebiscito. A maioria esmagadora optou pela permanência do república.  Ainda acredita no retorno do sistema mesmo assim?
Não foi derrota. Foi a primeira batalha. Antes do plebiscito o retorno do império era encarado como um sonho. Agora pode ser visto como alternativa e, para muitos, a solução. Hoje é difícil encontrar alguém que diga que a república deu certo. A monarquia não é algo para agora, é algo para o futuro. Um dia, durante palestra nos Estados Unidos, criticaram a monarquia, dizendo que no regime republicano qualquer um pode ser presidente e que todos podem votar para escolhê-lo. Dizer que qualquer um hoje pode ser presidente é a mesma coisa que dizer que qualquer pessoa pode ganhar na mega-sena (o euromilhões lá da terra). E é questionável o argumento de que nós escolhemos o chefe de Estado. O que a gente faz é optar por duas ou três opções postas pelos partidos.
O governo brasileiro dá algum tipo de ajuda financeira aos príncipes herdeiros?
Nada. Quando a república foi proclamada o governo confiscou todos os bens da família real. O processo mais antigo da Justiça brasileira é o nosso, pois a princesa Isabel tinha um bem pessoal que era a sua residência, hoje o Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro. Pedimos reintegração de posse em 1891, então o processo já dura 120 anos.
Fonte: Notícias do Dia

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