COMUNICADO DA CASA REAL PORTUGUESA

COMUNICADO DA CASA REAL PORTUGUESA

LEI DO PROTOCOLO DO ESTADO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

sexta-feira, 20 de junho de 2014

SORTE A DELES

No final dos anos 90 tive a oportunidade de testemunhar em Caracas e na ilha Margarita, onde se desenrolava uma Cimeira Ibero-Americana, um dos principais argumentos a favor da chefia de Estado Real: o impacto da visita do rei de Espanha à Venezuela, ex-colónia, foi arrasador e o furor emanava das ruas engalanadas pelo povo exultante. O facto é que a instituição monárquica espanhola, através do seu prestígio, teve um papel preponderante na afirmação da Espanha moderna no mundo e constitui por estes dias o elemento unificador do frágil puzzle de nacionalidades que a compõe. Sorte a deles. Se é verdade que nos últimos anos tudo vinha correndo mal a Juan Carlos, todas as sondagens hoje apontam para o apoio de larga maioria dos espanhóis ao regime sufragado em 1978. Nesse sentido, segundo o “El País”, e salvo algum imprevisto, o príncipe Filipe será proclamado rei pelo parlamento com cerca de 91% dos votos dos deputados eleitos. Sorte a deles. Ora acontece que a imprensa tem dificuldade em lidar com este panorama, que é uma afronta aos preconceitos que sustentam o nosso disfuncional regime semipresidencialista e o tão perorado inquilino do Palácio de Belém eleito por pouco mais de 21% dos portugueses. E é porque sou português e vivo numa triste e falida república, com as suas instituições desacreditadas e em decadência, que este ponto me incomoda de sobremaneira: a debilidade do nosso regime contrasta com a grandiloquência da instituição real dos nossos vizinhos. E isso, por oposição, torna-nos mais pequenos e mais irrelevantes na cena internacional. É esta realidade que os media portugueses têm medo de encarar, preferindo salientar a marginal, posto que legítima, contestação dos republicanos, ignorando duas cruas realidades: a de que foi a monarquia que permitiu consolidar a democracia em Espanha e de que a república se instaurou em Portugal por meios violentos e antidemocráticos. Azar o nosso.
 
Publicado por  João Távora, Consultor de comunicação em iOnline

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