MENSAGEM DE S.A.R. O SENHOR DOM DUARTE DE BRAGANÇA AOS PORTUGUESES

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

domingo, 15 de fevereiro de 2015

D. MANUEL CLEMENTE, O 44º CARDEAL PORTUGUÊS

D. Manuel Clemente, patriarca de Lisboa, será feito cardeal amanhã(14/02), juntando-se aos outros dois portugueses que são conselheiros do Papa. Mais de 300 portugueses vão a Roma assistir.

Confiante e com espírito de serviço. É assim que os amigos descrevem o estado de espírito de D. Manuel Clemente que amanhã, ao final da manhã, receberá das mãos do Papa Francisco o anel e o barrete, símbolos cardinalícios que o tornarão no 44.º cardeal português. Com a entrada para o Colégio dos Cardeais, o patriarca de Lisboa junta-se aos dois portugueses que já integram este grupo de conselheiros do Papa: D. José Saraiva Martins e D. Manuel Monteiro de Castro.

«O grande lema da sua vida é: se a Igreja pede, eu aceito. E isso aplica-se tanto ao serviço mais discreto como ao de maior responsabilidade», lembra ao SOL o cónego Luís Alberto Carvalho, um dos melhores amigos de D. Manuel Clemente e que acompanha a sua caminhada desde 1973, ano em que ambos entraram para o seminário. Por isso, o colega de curso diz que o amigo vai encarar com «serenidade» a sua nova função na Igreja.

No Consistório público que decorrerá na Basílica de São Pedro, no Vaticano, D. Manuel Clemente e os outros novos 14 novos cardeais, farão ainda um juramento de fidelidade e obediência ao Papa. O patriarca de Lisboa será o segundo a receber de Francisco a bula de nomeação, onde consta o título cardinalício com a atribuição da Igreja de Santo António dos Portugueses, paróquia de Roma tradicionalmente confiada ao patriarca de Lisboa quando se torna cardeal. Nessa mesma igreja,  junto ao Colégio dos Portugueses, D. Manuel Clemente presidirá à sua primeira missa enquanto cardeal,  na segunda-feira.

Fonte: Sol
LISBOA AO RUBRO
 
A elevação do Senhor Patriarca de Lisboa ao cardinalato reveste uma especial importância pastoral para a diocese que apascenta e para a Igreja portuguesa.

São conhecidas as razões históricas que, desde tempos antigos, reservam para o arcebispo de Lisboa a condição de patriarca – a par, no Ocidente, do bispo de Veneza – e a honra da púrpura cardinalícia. Os cardeais são, por assim dizer, o senado do Santo Padre, ou seja, os seus mais imediatos colaboradores no governo da Igreja universal. São também, por inerência, os eleitores do pontífice romano, sempre que se declare a santa sé vacante, por falecimento ou renúncia do papa, e se proceda ao conclave, em que só têm assento e direito de voto os cardeais com menos de oitenta anos.

A nomeação do Senhor Dom Manuel Clemente para o sacro colégio cardinalício é, portanto, uma grande honra para a Igreja portuguesa, que não em vão o escolheu para presidente da sua conferência episcopal, bem como para a diocese de Lisboa, a que preside. Contudo, seria errado pensar nesta elevação apenas em termos de honrarias ou títulos e tratamentos protocolares. Na Igreja, os cargos são, sobretudo, cargas e, portanto, o nosso Patriarca é agora chamado a actuar mais directamente no governo da Igreja universal, quer participando nos trabalhos dos diversos dicastérios romanos, quer ainda através da sua colaboração pessoal nos consistórios convocados pelo pontífice romano.

Se se tiver em conta que está em curso um ambicioso processo de reforma da cúria e dos organismos centrais da Igreja, não será descabido supor que a eleição cardinalícia, nestas actuais circunstâncias, reveste um relevante carácter histórico.

A instituição do cardinalato, embora pertença à tradição eclesial, não faz parte da Sagrada Tradição – como, por exemplo, o episcopado, o presbiterado e o diaconado – ou seja, não corresponde a uma vontade expressa e irreformável do divino fundador da Igreja. Portanto, com a mesma autoridade com que o Beato Paulo VI aboliu as ordens menores e o sub-diaconado, que eram de instituição eclesiástica, também outro papa poderia suprimir o colégio cardinalício que, com efeito, não é essencial à estrutura hierárquica do povo de Deus.

No entanto, parece conveniente que o Vigário de Cristo possa ter, entre os milhares de seus irmãos no episcopado, um grupo selecto de conselheiros que, de algum modo, representem o sentir da Igreja universal. Neste sentido, o Papa Francisco nomeou cardeais alguns bispos de sedes diocesanas a que não era suposta essa dignidade, preterindo dioceses cujo titular era, tradicionalmente, cardeal. Deste modo, o Papa pretende internacionalizar o colégio cardinalício e equilibrar também as representações das diversas Igrejas locais. O primeiro Papa do hemisfério sul está, portanto, a favorecer a internacionalização do colégio cardinalício. Vale a pena não esquecer que a Igreja é católica, ou seja, universal, e que esta sua característica deve estar patente em todos os níveis da sua organização.

Assim sendo, não será temerário afirmar que a eleição do Senhor Patriarca, mais do que a motivos de ordem histórica ou tradicional, obedece a razões de ordem pastoral e pessoal. A Igreja de Lisboa, de que nos honramos de fazer parte, não pode deixar de rejubilar com esta tão grande graça que lhe é dada pelo Santo Padre. Na absoluta certeza de que o Senhor D. Manuel corresponderá fidelissimamente a mais este chamamento do Senhor, resta pedir a Deus que este seu dom ao patriarcado de Lisboa reforce ainda mais a unidade e o dinamismo apostólico de toda a diocese, agora em caminhada sinodal, na renovada obediência e filial afecto ao seu bom Pastor.

P. GONÇALO PORTOCARRERO DE ALMADA

Fonte: Voz da Verdade

A PÚRPURA E A POBREZA


 
Com a elevação ao cardinalato do patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, cumpre-se uma antiga tradição, qual é a de honrar com esta dignidade o arcebispo metropolita da capital portuguesa. Os cardeais são, por assim dizer, os mais próximos conselheiros do papa no governo eclesial e, por isso, é comum atribuir-lhes a designação de príncipes da Igreja. A uma tal honra está associada a inerente responsabilidade e uma série de prerrogativas, algumas já caídas em desuso e outras – como o tratamento de ‘eminência’, a cor encarnada das vestes corais, etc. – ainda vigentes, embora talvez pareçam anacrónicas, senão mesmo em contradição com a pobreza evangélica, para a qual tão fortemente tem apelado o Papa Francisco.

Com efeito, o actual pontífice romano, depois de eleito, teve de escolher o nome que passaria a usar como sucessor do apóstolo Pedro. Como o prelado que se sentara a seu lado, durante o conclave, lhe sugerira que, no seu pontificado, não se esquecesse dos pobres, Jorge Bergoglio escolheu para si o nome de Francisco. Sendo jesuíta, houve quem pensasse que se referia a S. Francisco Xavier, o missionário da Companhia de Jesus que foi apóstolo na Índia e no Extremo Oriente. Mas depressa o sucessor de Bento XVI esclareceu que a razão do seu novo nome se prendia, não com este Francisco, mas com o de Assis. Advertiu também que queria uma Igreja pobre e, para frisar a necessidade do desprendimento, foi o primeiro a dar exemplo: usando uma cruz peitoral e um anel de prata, em vez do ouro que usaram os seus antecessores; trocando o apartamento pontifício por um quarto na casa de S. Marta; substituindo a limousine papal por um carro utilitário; prescindindo da residência de verão dos papas, em Castel Gandolfo, etc.

No contexto de uma Igreja pobre e para os pobres, não seria também lógico que se suprimisse a dignidade cardinalícia, cujas honras principescas parecem destoar da pobreza evangélica que o papa quer para si próprio e para todos os seus colaboradores, a começar pelos mais próximos? Sendo o colégio cardinalício de origem eclesiástica, nada obsta à sua eventual eliminação, que não poderia realizar-se se, porventura, fosse de instituição divina, como é, por exemplo, o episcopado. Portanto, da mesma forma como a Igreja entende que não pode aceitar a ordenação de mulheres, porque para tal não está mandatada pelo seu divino Mestre, também deveria entender que não se justifica a dignidade cardinalícia, que também não tem fundamento evangélico.

Se é salutar que todos os ministros ordenados, sejam eles diáconos, padres ou bispos, imitem a vida pobre, casta e obediente de Cristo, também convém que os cardeais procurem seguir o mesmo exemplo. Nem sempre foi assim – pense-se, por exemplo, nos cardeais Richelieu e Mazarino – mas há muito que, graças a Deus, as pompas e honrarias mundanas de que se rodeavam esses príncipes da Igreja deram lugar a um exercício mais sóbrio e evangélico da sua dignidade. Mas proceder à sua extinção não se justificaria, não só porque obrigaria a uma revisão do procedimento previsto para a escolha do sucessor de São Pedro, agora eleito pelos purpurados com menos de oitenta anos, mas também porque seria prejudicial para a colegialidade da Igreja. A colaboração dos bispos no governo eclesial universal ocorre por via dos concílios ecuménicos e dos sínodos mas, como estes eventos têm carácter extraordinário, é sobretudo através da participação habitual dos cardeais nos diversos departamentos do governo central da Igreja que se assegura essa colegialidade.

O Papa Francisco, ao universalizar o colégio cardinalício, tem procurado garantir a sua representatividade. Ao nomear cardeais alguns bispos de dioceses periféricas e de menos recursos, em detrimento dos provenientes de sedes episcopais a que tradicionalmente estava anexa a púrpura, o Bispo de Roma promove o regresso à simplicidade e pobreza evangélica do sacro colégio, ao mesmo tempo que valoriza as qualidades pessoais dos bispos que eleva à condição de seus mais próximos conselheiros e colaboradores na pastoral da Igreja católica.

Neste sentido, a eleição do patriarca de Lisboa justifica-se plenamente, não tanto pelo antigo privilégio da mitra olisiponense, mas pelos méritos pastorais – é bispo de Lisboa depois de o ter sido do Porto, as duas mais importantes cidades portuguesas – e pessoais – recorde-se que, entre outras muitas distinções, ganhou o prémio Pessoa – que atestam a excepcional valia eclesial e intelectual do agora novo cardeal.

Na realidade, não é só o titular da sé lisbonense, ou a arquidiocese da capital, ou a Igreja portuguesa que estão de parabéns, mas todo o país. Este reconhecimento papal dos méritos do presidente da conferência episcopal portuguesa e patriarca de Lisboa é uma grande honra para Portugal.

P. Gonçalo Portocarrero de Almada

Fonte: Observador
 

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