LEI DO PROTOCOLO DO ESTADO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

sexta-feira, 15 de maio de 2015

CAUSA REAL. PASSAR A MENSAGEM DA MONARQUIA PARLAMENTAR

Luís Lavradio Defende a tradição familiar como uma pedra basilar. 

Para o líder da Causa Real as tradições monárquicas garantem a independência e são um símbolo de união para os portugueses

Luís Maria d’ Almeida (Lavradio) assina Luís Lavradio e é a face visível da Causa Real, uma associação com quatro mil sócios que reúne as reais associações por todo o país. Os 48 anos de idade são o rosto da modernidade tradicionalista. Casado, cinco filhos, conde Avintes, viveu parte da sua infância em Londres e foi naquela cidade inglesa que pôs em prática o curso de economia tirado em Cambridge. O banco UBS, o grupo Rothschild e o Citigroup deram-lhe as bases para abrir em Portugal a sua própria empresa de consultadoria financeira. Na Rocbriedje esteve na linha da frente de processos de privatização como a PT, EDP, Cimpor, ANA e TAP.

A monarquia está-lhe no sangue. A família, a convicção, a defesa da Casa Real. Recusa mitos e preconceitos e fala de uma monarquia moderna, lamentando que a mensagem não seja bem compreendida. Não esconde que os monárquicos são vistos “como uma espécie de bichos estranhos, saudosistas que querem voltar para os títulos e para as regalias, o que é completamente absurdo”. Garante que “que há imensos monárquicos” ligados a outros partidos, no CDS, no PSD, PS e até militantes do PCP: “O regime monárquico em si é um regime perfeitamente abrangente, o contrário seria aliás estranho.”

Lembra foram vetados pelo poder e dá um exemplo: “Há dois anos, o Presidente da República teve aquele infortúnio de içar a nossa bandeira ao contrário, o que achei uma vergonha. D. Duarte, no mesmo dia, fez um discurso absolutamente magnífico, um discurso de Estado. Estavam presentes vários jornalistas, a Lusa TV em representação de várias televisões e não saiu absolutamente nada. Julgo que o contraponto àquilo que o Presidente fez seria de tal maneira forte, que passou a ser perigoso.”

Luís Lavradio fala sobre as hipotéticas benesses da corte, dos detentores dos títulos nobiliárquicos. Para o presidente da Causa Real é dos tais preconceitos e mitos que existem sem qualquer sentido: “Há uma noção de obrigação e de espírito de serviço nestas famílias que é mais uma questão de educação. Acaba por nos responsabilizar também perante o país. Ou seja, sinto uma certa obrigação pelo cargo que tenho, pelo título que herdei e pela família que represento e que um dia virei a representar. Acho que isso é comum a grande parte da nobreza antiga”.

Relativamente a uma hipotética corte, Lavradio garante que não é uma questão que se ponha. Para o dirigente, “passa por encontrar uma “alternativa” ao regime actual porque defendem que este não funciona. “Queremos um dramaticamente diferente: mais representativo, mais democrata e, que no cume desse regime, dessa estrutura política, esteja uma instituição que defende de uma forma independente e isenta, legitimada de uma forma diferente do próprio governo.” Com estas características só mesmo a instituição monárquica, defende. É o símbolo unitário da nação e que a representa de uma forma completamente diferente da posição de um chefe de Estado eleito: “A nossa posição monárquica nada tem a ver com cortes.”

A base seria semelhante às monarquias parlamentares europeias, mas Lavradio considera que deveria existir um modelo português. Apesar de não ter esse molde concluído para apresentar, avança que “devia ser uma monarquia parlamentar, constitucional, mas com uma separação de poderes claríssima que não há actualmente em Portugal.” Um parlamento que funciona como órgão legislador, mas não como órgão executivo – eventualmente um parlamento bicameral parecido com algumas monarquias e com algumas repúblicas em que existe um conjunto de pessoas eleitas por círculos uninominais, reforçando a responsabilização dos políticos perante o seu eleitorado: “Tendo uma câmara uninominal acho que faz sentido uma segunda câmara com uma legitimidade revisória da legislação que é posta em prática nessa câmara baixa.”

D. Duarte nesse modelo teria, segundo o presidente da Causa Real, “um poder representativo, mas mais do que isso, teria um poder de influência”. Luís faz o paralelo com Inglaterra onde a rainha usa a representatividade e influência: “Lembro-me de Tony Blair dizer que as reuniões para as quais ele se preparava melhor e também as mais ricas eram as que tinha com a rainha de Inglaterra.” O que faz ela? Ouve, responde e faz perguntas e nada mais do que isso: “Mas o acervo é de tal maneira rico e advém não só da sua experiência dos últimos 60 anos, mas também da sua própria posição, que é politicamente isenta, falando tanto com trabalhistas, sociais-democratas, liberais. Não está por conta própria, não está para enriquecer, por carreirismo. Está pelo seu país e pelo seu povo”.

Uma das razões que leva as pessoas a criticar a monarquia é o facto de o rei não ser eleito. Luís Lavradio acredita que “se amanhã” a maioria da população no Reino Unido quisesse uma república, a rainha seria a primeira a aceitar. Por outro lado, a única forma de garantir a isenção de uma instituição, fundamental para o funcionamento de qualquer Estado, é não ser eleita: “A partir do momento em que é eleita, é por alguém: os partidos representam parte da população. Essa autofagia que temos na Constituição republicana é ainda pior porque o nosso chefe de Estado é eleito pelas mesmas pessoas que elegem o governo e, supostamente, devia ser um contraponto ao governo. Temos o caso de Cavaco Silva que é supostamente o Presidente de todos os portugueses, mas foi eleito por 23% do eleitorado. Ou seja, há 77% do eleitorado que não concorda. As eleições fazem sentido para elegermos o nosso governo, elegemos um executivo que vai dirigir o país”.

Luís Lavradio espera convencer os portugueses a aderirem à causa monárquica de forma a que os partidos políticos sejam um dia pressionados a considerarem essa opção que ainda assim “só existe na nossa mente e tem de existir no papel”.

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