PORTUGAL!

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A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

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segunda-feira, 15 de junho de 2015

AINDA A JIHAD REPUBLICANA E OS SUICIDAS

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No dia da inauguração do Museu dos Coches, a TVI transmitiu o telejornal a partir do tal museu. Problema? O final deste telejornal especial funcionou como uma legitimação do assassínio enquanto arma política. Depois de mostrar os orifícios que as balas de Buíça deixaram no coche do Rei D. Carlos, o pivot José Alberto Carvalho considerou que o regicídio (1908) é apenas “uma data considerada funesta pelos monárquicos”. Ficámos assim a saber que o assassínio de D. Carlos e de D. Luís Filipe não deve inquietar mais ninguém a não ser os monárquicos, esse bando de reaças inconsequente; ficámos assim a saber que os outros, os bons, os justos, os não monárquicos, não devem sentir culpa ou horror pelo assassínio do rei e pela instauração de um clima de medo e violência que durou até 1926, ou melhor, que durou até 1974. Como se isto não fosse suficiente, José Alberto Carvalho prosseguiu com a canonização de Manuel Buíça, o assassínio elevado a sonhador e, coitadinho, pai extremoso. O responsável pela informação da TVI leu a carta-testamento de Buíça; nessa missiva, o assassino pedia a familiares e amigos que educassem os seus filhos órfãos segundo os princípios da Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Não satisfeito este altar carbonário e maçónico, José Alberto Carvalho estabeleceu ainda uma ligação entre o sonho de Buíça e o sonho de hoje: “E ainda hoje curiosamente mais de um século depois, estes princípios republicanos e humanitários são ainda objecto de debate. O que queremos e o que estamos dispostos a fazer pelos nossos jovens é o tema de um debate na TVI 24 (...) Está sempre tudo por dizer em relação ao sonho e à mudança”.

Vou deixar de lado a hipótese do incentivo directo à violência política.  Vou apenas falar de uma curiosa tendência: os defensores da Liberdade e Igualdade em abstracto têm o estranho hábito de matar a liberdade e a igualdade concreta de pessoas concretas. Em 1908, a monarquia constitucional portuguesa era semelhante às suas congéneres europeias. Vivíamos em liberdade. Buíça e demais jagunços do PRP podiam escrever e dizer o que bem quisessem, podiam concorrer a eleições, até podiam conspirar abertamente nos cafés de Lisboa. O sonho de Buíça podia e devia ter sido canalizado através das armas da liberdade, jornais e parlamento. Buíça recorreu à violência porque os nossos republicanos, como se viu entre 1910 e 1926, não toleravam o jogo parlamentar, não toleravam opiniões contrárias, queriam um regime que fosse propriedade privada da sua ideologia radical. E assim foi.  D. Carlos e D. Luís Filipe foram apenas as primeiras vítimas mortais da jagunçada republicana: seguiram-se padres em Lisboa e anarquistas no Alentejo, entre outros. Tal como os salazaristas, os buíças recorreram ao assassínio, ao espancamento, à purga violenta de jornais, à repressão de greves e cortaram para metade o número de pessoas com direito a voto. Não, a I República não foi republicana no sentido correcto e kantiano do termo. A I República foi a primeira experiência autoritária e violenta do nosso século XX, irmanando com a II República (Estado Novo) e não com a nossa III República.

No fundo, José Alberto Carvalho procurou idealizar uma monarquia ditatorial que encaixasse neste conto de fadas revolucionário: a monarquia, ora essa, não passava de um simulacro de Estado Novo, um salazarismo sem Salazar, portanto, o golpe de 1910 foi uma espécie de primeiro 25 de Abril e o assassínio de D. Carlos correspondeu à legítima eliminação do Salazar monárquico. Das duas, uma: ou José Alberto Carvalho não sabe ou José Alberto Carvalho é um radical com carinha de anjo. Ou não sabe que a I República foi uma experiência política violenta e inimiga das liberdades e, por isso, deixou-se levar por uma cantilena que tem tanto de ignorância como de boa vontade pronto-a-vestir; ou conhece a história e de forma consciente defendeu um bando radical que não hesitava em recorrer ao assassínio enquanto forma de acção política. Ou seja, aquele telejornal foi um momento de ignorância confrangedora ou um momento de radicalismo inaceitável. 

 "J. A. Carvalho, ignorância ou radicalismo" - Henrique Raposo Expresso Diário, terça feira

Fonte: Causa Real

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