A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

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Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

ADESTE FIDELES O "HINO PORTUGUÊS" COMPOSTO POR EL-REI D. JOÃO IV


Sabe que há um Hino de Natal mundialmente conhecido e que foi escrito por um Rei Português?

Vamos saber a história de "Adeste Fideles" também conhecido por "Hino Português", composto por D.João IV:

«"Adeste Fideles" é o título do chamado "Hino Português" escrito pelo Rei D. João IV de Portugal. Foram encontrados dois manuscritos desta obra, datados de 1640, no seu palácio de Vila Viçosa.

Muitos outros alegam a autoria desse hino, no entanto o autor mais divulgado, John F. Wade, não pode ter escrito a obra, já que o seu manuscrito data de 1743. O mais provável é que Wade tenha traduzido o "Hino Português", como era chamado em Londres na época e ficado com os louros.

O autor português mais mencionado, D.João IV de Portugal, 'o Rei Músico' nascido em 1604, foi um mecenas da música e das artes, assim como um sofisticado autor; adicionalmente, foi compositor e durante o seu reinado foi dono de uma das maiores bibliotecas do mundo (completamente destruída pelo fogo que se seguiu ao terramoto de 1755; nessa altura já se encontrava no Paço da Ribeira para onde o Monarca a tinha trazido depois de aclamado Rei após a Restauração da Independência em 1640). A primeira parte da sua obra musical foi publicada em 1649. Fundou uma escola de música em Vila Viçosa, que 'exportava' músicos para Espanha e Itália e foi lá, no seu palácio, que se acharam dois manuscritos desta obra. Esses escritos (1640) são anteriores à versão de 1760 feita por Wade. De entre os seus escritos podemos encontrar 'Defesa da Música Moderna (Lisboa, 1649) ano em que o Rei D. João IV com fundamentação, solicitou a Roma (Igreja Católica) a aprovação universal da música instrumental no culto católico. Uma outra famosa composição sua é Crux fidelis, um trabalho que ainda hoje permanece popular nos serviços eclesiásticos.»

(wikipédia)






Adeste Fideles


Vinde fiéis e acorrei,
Alegres e jubilosos;
Vinde todos a Belém!
Porque este recém-nascido
É o grande Rei dos Anjos:
Vinde todos adorá-lO. (3x)
Abandonando os rebanhos,
Encaminham-se ao presépio,
Os pastores deslumbrados!
Também nós, por nossa vez,
Corramos todos vibrantes:
Vinde todos adorá-lO. (3x)

Ali veremos oculto,
Sob o véu da carne humana,
O eterno esplendor do Pai!
Ao Deus, que Se fez menino,
Envolto em pobres paninhos,
Vinde todos adorá-lO. (3x)

A Quem por nós Se fez pobre,
E jaz em palhas deitado,
Abracemos e aqueçamos
Ao calor dos nossos beijos!
Como ficar sem amar
Àquele que tanto nos ama?
Vinde todos adorá-lO. (3x)

Hino composto por el-Rei D. João IV
 

2 comentários:

  1. Adeste fideles” é uma obra composta em harmonia funcional inteiramente tonal, com acompanhamento de baixo contínuo, num estilo absolutamente incompatível com a prática musical do tempo de D. João IV, que morreu em 1656. Atribui-lo ao Rei ou a qualquer compositor europeu da sua geração seria sensivelmente o mesmo disparate do que dizer que Bach poderia ter escrito da “Nona Sinfonia” de Beethoven ou que Brahms poderia ter sido o autor da “Sagração da Primavera”… Como se isto não bastasse, o próprio texto “Adeste fideles” não consta de quaisquer livros litúrgicos antes do século XVIII, até à sua edição por John Francis Wade no início da década de 1740, embora possa ter sido baseado, remotamente, num texto medieval.»

    Terão sido encontrados, em 1640, manuscritos dessa obra no palácio de Vila Viçosa, onde o Rei havia fundado uma escola de música?

    Nery afirma: «É absolutamente falso que existam em Vila Viçosa quaisquer manuscritos do início do século XVII – ou de qualquer outro período, por sinal, até pelo menos meados do século XX – com esta obra. Trata-se de uma invenção surrealista. Nenhuma das várias fontes contemporâneas de D. João IV que enumeram detalhadamente as suas composições refere que ele tenha composto qualquer “Adeste fideles” (o que em qualquer caso não poderia ter feito porque o texto ainda não existia). E mesmo quando no final do século XVIII começou a haver a moda de atribuir arbitrariamente ao Rei obras anónimas, como o “Crux fidelis” ou o “Adjuva nos”, nunca o “Adeste fideles” foi sequer incluído nestas falsas atribuições.»

    De onde nasceu então o mito da atribuição a D. João IV?

    Ainda segundo Nery: «ao “Adeste fideles” foi dado o nome de “Portuguese Hymn” em várias publicações inglesas porque esta composição era cantada na capela da Embaixada de Portugal em Londres, que até à legalização do culto católico em Inglaterra, com a promulgação do Roman Catholic Relief Act de 1829, era um dos únicos locais em que ele podia ser celebrado em território britânico. Vincent Novello (1781–1861), que foi a partir de 1797 Mestre de Capela e Organista da Capela Portuguesa, publicou em 1811 uma colectânea intitulada A Collection of Sacred Music, as Performed at the Royal Portuguese Chapel in London que teve depois grande influência na constituição de um repertório católico inglês, e como “Adeste fideles” estava nela incluído passou a ser conhecido como o “Hino Português” e assim se foi divulgando no mundo católico internacional. Mais tarde seria incluído, numa versão “pseudo-gregoriana”, no próprio “Liber Usualis” editado na sequência da reforma litúrgica de Pio X, no início do século XX.

    A atribuição da obra a D. João IV é, pois, uma fantasia romântica sem qualquer fundamento, cuja origem é hoje impossível de datar com precisão, mas que não é sustentada por nenhum – absolutamente nenhum – dos autores que estudaram a vida e obra de D. João IV, de Joaquim de Vasconcelos e Ernesto Vieira a Mário de Sampaio Ribeiro e Luís de Freitas Branco, o que sugere que tenha surgido já em meados do século XX.»

    Quem é, então, o autor do “Adeste fideles”?

    Nery conclui: «Não sabemos, pura e simplesmente, mas a natureza da própria música indica que não poderá ter sido composto antes do último quarto do século XVII e mais provavelmente já em inícios do século XVIII. Vincent Novello, quando publica o seu arranjo da obra, atribui-a a John Reading, organista do Winchester College que morreu em 1692, mas a primeira versão escrita que se conhece é de John Francis Wade (1711 – 1786), e sendo Reading protestante e Wade um católico assumido, que se exilou inclusive no Continente por lealdade à causa do Pretendente Stuart, seria mais natural que a Capela da Embaixada Portuguesa adoptasse uma obra sua do que uma da composição de um anglicano.»[1]

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    1. Ia precisamente publicar este texto de Rui Vieira Nery.

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