28.º ANIVERSÁRIO DA REAL ASSOCIAÇÃO DO PORTO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

sábado, 16 de janeiro de 2016

DR. GONÇALO REIS TORGAL, UM MONÁRQUICO QUE NOS DEIXA!

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Faleceu ontem o Dr. Gonçalo Reis Torgal, de 84 anos, vítima de doença súbita, cerca das 23h30, quando conduzia na auto-estrada A41.

Conheci o Dr. Reis Torgal por volta dos anos 79/80, do século passado no Partido Popular Monárquico (PPM), partido que eu na altura também militava.

O nosso convívio foi-se estreitando, sobretudo na década de oitenta quando frequentava a Universidade no Porto. Gonçalo Reis Torgal era um Homem divertido!

Ao Gonçalo Reis Torgal, conheci-lhe três paixões: A Monarquia, A Gastronomia e a Académica de Coimbra, a sua Académica, da qual era Vice-Presidente da Direcção e sócio n.º 7. Poderia ter outras, mas estas representavam muito para si.

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Recordo com saudade as diversas reuniões que frequentemente ocorriam na Rua do Almada e as suas sempre oportunas intervenções e a preocupação em aconselhar os mais jovens. Na altura era eu Membro da Comissão Política Nacional da Juventude Monárquica. As suas intervenções nos Congressos Nacionais, ou não tivesse Reis Torgal o dom da palavra

Gonçalo Reis Torgal, era um “bom garfo”, como se costuma dizer, ou não fosse ele um dos grandes estudiosos da nossa gastronomia.

Lia com muita atenção e apreciava os artigos que publicava sobre gastronomia na imprensa escrita.

Há Cerca de um mês, publicou um livro "Coimbra à Mesa – Tu é que foste à Praça, Menino?", cujo lançamento decorreu na Casa da Cultura de Coimbra.

Apesar de ser natural de Coimbra, residia em Guimarães, onde foi professor nas escolas Egas Moniz e na Escola Industrial e Comercial de Guimarães, actual Escola Francisco de Holanda.

Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas e mestre em História da Alimentação pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Desde 1986 era Mordomo-Mor da Confraria Gastronómica da Panela ao Lume, da qual foi membro fundador.

Reis Torgal, como Homem de causas, nunca deixou de exercer a sua cidadania e criticava quando era preciso criticar, fazia-o frontalmente e sem quaisquer rodeios, chamando os "bois pelos nomes", exemplo disso é o artigo de opinião que publicou em Setembro de 2015, no Jornal Diário das Beiras,  intitulado  "Este país não é para velhos: é livro e filme", do qual com a devida vénia transcrevo:  (...) Cá, um Governo que desprezou e roubou os “velhos” a eleiçoeiramente legislar contra os que os maltratam ou abandonam. Seria ele o primeiro prevaricador e consequentemente o primeiro a ser punido, se houvesse Justiça, que falta, talvez, porque tutelada por uma ministra prepotente e ignorante que a avilta e dificulta, e a um tempo desertifica o país.

Desampara as crianças faltando-lhes com o apoio social, obrigando a família a novos manuais, enricando as editoras. Persegue a APPACM de Viana, que procura superar a incapacidade do governo face aos desamparados.

Mente sobre as melhorias na saúde. Fecha sete unidades de saúde familiar em Oliveira do Hospital. Filas de espera (SIC) desde as 6 da manhã, onde mais de metade não arranja consulta e é convidada para igual inferno 3 meses mais tarde. Piora o SNS.

Prossegue no assalto aos pensionistas e reformados ameaçados de um corte, garantido a Bruxelas, de mais 600 M/€.

Ataca a tradição, com a ASAE, proibindo na Romaria/Feira de Porto de Ave, os celebrados Bifes de Porto de Ave, há séculos, sem algo que indicie perigo alimentar,.

No plano educativo ataca encarniçado uma pedagogia séria, com o crescente aumento dos centros educativos, negando rudimentares princípios pedagógicos que de Radice à nossa conceituada Maria Borges de Medeiros, deram métodos de reconhecido valor, (João de Deus) e místicos da Educação como Sebastião da Gama, hoje sem lugar, nesta mixórdia que dizem Educação, como não teria o dedicado Homem da Educação (saneado na insensatez do PREC), Calvet de Magalhães, bem assim como destrói o Ensino Artístico.

Na economia uma dívida impagável, impagável que quer calado para enganar os mercados, como se estes, que já mamaram nas tetas até secarem, fossem tão tolos, como são alguns portugueses, enrolados nas mentiras do “patranheiro mor” Coelho Passos Pedro (CPP). E sigo a ver os burlados do BES, feito Novo Banco, cuja venda mais faz parecer Carlos Costa um taberneiro a vender mau vinho, que Presidente do BdP. Venda com mais roubo ao contribuinte. Isto apesar da mentira com que CPP pretende enganar os “pacíficos revoltados”, indo de mentira em mentira até à mentira final, quando voltará a haver “choro e ranger de dentes” e inútil: “se eu soubera…”

Objectivemos.

Que país é este que CPP nos projecta paradisíaco?

Semi-protectorado empobrecido; um povo com fome, sem educação capaz; sem acesso à justiça; precário acesso à Saúde; vivendo na maior austeridade, onde os ricos, corruptos ou não, tiram todo o proveito do que aos “pobres” é roubado; ataque por acção ou omissão aos “velhos” e às crianças, sendo que uma em cada 3 crianças é subalimentada; PPP, Parque Escolar, A.E., gritando roubalheira e compadrio; bandalheira no proceder bancário com a Tutela desatenta, desinteressada ou cúmplice; país vendido ao desbarato (foram-se anéis e dedos), entregando a chineses e à cleptocracia nepotista de Angola as fontes de produção; despovoamento do interior; política de estrangeiros acompanhando o que de mais desumano tem a política europeia.

A partir de amanhã (hoje) o seu corpo estará em Câmara ardente no Pavilhão Gimnodesportivo da Associação Académica de Coimbra (Jorge Anjinho) e o seu funeral será no Domingo, dia 17, às 11h00m.

Que Descanse em Paz!

Publicado por por José Aníbal Marinho Gomes, em Risco Contínuo

 REACÇÕES

Recordo-o saudosamente como um incansável lutador monárquico, sempre presente e de enorme coerência e ideologicamente muito consistente.
Deixo o meu voto de pesar.
Gonçalo Reis Torgal será sempre uma referência entre os combatentes pela Restauração da Monarquia em Portugal

Que descanse em Paz!

 Passavam poucos minutos da meia-noite: transmite-me o Carlos Oliveira - o amigo mais próximo, que o acompanhava com exemplar desvelo no seu agitado dia-a-dia... - a notícia dolorosíssima da morte do nosso querido Gonçalo Reis Torgal. "Apenas" primo, senti a falta de um irmão mais velho. Com ele convivi intensamente nesta última dezena de anos, comungando nos Ideais, no amor à nossa Académica, no nas belas cavaqueiras, no saborear de apetitosos petiscos, que ele comentava sempre, ora regalado, ora crítico, mas sempre com bonomia (passado o minuto de "resmunguice"... , que cumpria como um ritual... mas até nisso tinha graça...), por esse País fora. Lembro as nossas incursões por Praga e por Madrid, acompanhando - a dois, que ele adorava companhia - a Briosa, jornadas inesquecíveis de agradabilíssimas conversas, em que, por norma eu aprendia sempre, ouvinte atento da montanha de cultura que ele acumulara anos fora... Adorava, outrossim, a companhia do Alma de Coimbra (e, sobretudo, dos "grupos" de Aveiro e do Porto - o Custódio Moreirinhas, o Paulo Amador, o Porfírio Simões, o João Ribeiro da Cunha, o Zé Luís Curado, o Daniel Tapadinhas, os irmãos Manuel e Luís Sobral Torres, o Francisco Carvalho e o António Sousa Monteiro - e não esqueço o Zé Andrade Ferreira, quando, vindo do Pico, se juntava a esta gente faminta... Além de, um pouco pelo País, integrara, a convite da Direcção, com o nosso querido Dr. Augusto Camacho Vieira, insigne intérprete da Canção Coimbrã, a comitiva do Alma, na visita a Madrid, em Julho de 2012... Lembrar com alegria este homem ímpar, será, para ele, junto de Deus (quiçá a interrompê-lo, bondosamente, de vez em quando...), a melhor forma de o termos sempre presente. Noite fora, abri o seu último trabalho, "Coimbra à Mesa"; transcrevo um trecho do prefácio, da autoria da Doutora Maria Helena da Cruz Coelho (que presidira ao júri da prova de Mestrado que, na Faculdade de Letras - auditório repleto!!! - a que o Gonçalo se candidatou... aos 83 anos, tendo obtido a classificação - não generosa... de 19 valores): "Ele (GRT) é um sinal identificador da sua enorme capacidade de memória, da sua ampla e variada cultura, da sua permanente irreverência e da sua intensa sociabilidade". Retrato perfeito. Porventura, fatigado, descansa em paz com os Justos. Paz à sua Alma. Um abraço enorme os mais chegados.

Na nota que deixei, acerca do falecimento do nosso nunca por demais lembrado Gonçalo dos Reis Torgal, esqueci um detalhe relevante no sentimento de estima que o ligava ao Alma de Coimbra. Dedicava um enorme apreço pelo talento e pela simpatia do Prof. Augusto Mesquita. Surpreendiam-no, a cada passo, a capacidade criativa do maestro que lhe permitia, como raros, adaptar trechos lindos dos melhores intérpretes portugueses, em peças corais do maior agrado.

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