A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A DOR DA RAINHA D. AMÉLIA

 
Com o atentado de 1 de Fevereiro de 1908 que pusera o mais prematuro termo à vida de Sua Majestade El-Rei o Senhor Dom Carlos I de Portugal de 44 anos e do Príncipe Real o Senhor Dom Luís Filipe de Bragança de 20 anos, respectivamente augusto Pai e dilecto irmão do até aí Duque de Beja, Dom Manuel II era o novo Rei!!!

Com a ascensão a Rei, obrigava-o o dever do trono e destino dos Reis… reinar sobre a morte de quem lhe deu vida!

Mas mesmo com a enorme dor que sentia, Dom Manuel II não podia deixar de se preocupar e desassossegar com o sofrimento de Sua Mãe, a Rainha Dona Amélia, que perdera simultaneamente o Filho e o Marido! Que tamanha e insuperável dor, essa!!!!

In ‘Notas Absolutamente Íntimas’, Sua Majestade El-Rei o Senhor Dom Manuel II de Portugal deixa-nos o testemunho dessas horas de sofrimento da última Rainha de Portugal:

“Quando a Minha adorada Mãe saiu da carruagem foi direita ao João Franco que ali estava e disse-lhe ou antes gritou-lhe com uma voz que fazia medo «Mataram El-Rei: Mataram o meu Filho». A minha pobre Mãe parecia doida. E na verdade não era para menos: Eu também não sei como não endoideci. O que então se passou naquelas horas no Arsenal ninguém pode sonhar! A primeira coisa foi que perdi completamente a noção do tempo. Agarrei a minha pobre e tão querida Mãe por um braço e não larguei e disse à Condessa de Figueiró para não a deixar.

(…) Quando a Avó chegou foi direita à minha Mãe e disse-lhe «On a tué mon fils!» e a minha Mãe respondeu-lhe: «Et le mien aussi!» Meu Deus dai-me força. Mas antes disto houve diferentes coisas que quero contar.

A minha pobre e adorada Mãe andava comigo pelo Arsenal de um lado para o outro com diferentes pessoas: Conde de Sabugosa, Condes de Figueiró, Condes de Galveias e outros falando de sempre num estado de excitação indescritível mas fácil de compreender. De repente caiu no chão! Só Deus e eu sabemos o susto que eu tive! Depois do que tinha acontecido veio aquela reacção e eu nem quero dizer o que primeiro me passou pela cabeça.

Depois vi bem o que era: o choque pavoroso fazia o seu efeito! Minha Mãe levantou-se quase envergonhada de ter caído. É um verdadeiro herói. Quem dera a muitos homens terem a décima parte da coragem que a minha Mãe tem.

Tem sido uma verdadeira mártir! O que eu rogo a Deus sempre e a cada instante é para m’A conservar!”

Introdução e recolha das ‘Notas…’ por Miguel Villas-Boas – Plataforma de Cidadania Monárquica

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