23º CONGRESSO DA CAUSA REAL

LEI DO PROTOCOLO DO ESTADO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

domingo, 7 de fevereiro de 2016

O SEQUEIRA JÁ DEVIA ESTAR COMPRADO

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Para o António Filipe Pimentel e o Philippe Esteves Mendes

Se fôssemos um país normal, o Sequeira já devia estar comprado. Após largas semanas de recolha de fundos, nem metade do preço ainda se alcançou. E isto, depois de uma campanha inteligente, atractiva, para incutir nos portugueses o gosto e a responsabilidade daquilo que é seu - o património.

Por cá, não é costume tirar do bolso para aumentar a riqueza de todos, ao contrário do que sucede em França ou no Reino Unido, em que não há ano nenhum em que não se compre por subscrição nacional mais um tesouro para a National Gallery ou o British Museum.

Não é uma questão de crise ou de dinheiro - o preço do Sequeira é 50 vezes menor do que o Getty Museum pagou esta semana por um quadro de Orazio Gentileschi. E não há mais americanos que tenham ouvido falar deste grande pintor, do que portugueses que conheçam Domingos António Sequeira. Não se trata de dinheiro, trata-se de cultura. De orgulho pelo que é nosso. De amor ao património. Portugal já deixou alegremente sair para o estrangeiro quadros que deveriam estar no Museu Nacional de Arte Antiga. Qualquer país que se preze, por muita crise que sofra, não abdica do que é seu, dos seus monumentos, das suas bibliotecas e arquivos, das suas universidades e laboratórios, dos seus teatros e museus. E não venham com o argumento de que em tempo de crise não se compram quadros. Porque quando estiverem esquecidos os gestores incompetentes e levianos que custaram muitos milhões a todos nós, quando estiverem desactivadas as auto-estradas duplicadas que custaram mais milhões a todos nós, quando estiverem a apodrecer no estaleiro os submarinos que custaram outros tantos milhões a todos nós, continuaremos a orgulhar-nos do que é nosso e não se vende. Porque são justamente livros, quadros, estátuas, músicas, patentes e descobertas científicas que nos recordam que não somos um povo condenado a sofrer a mediocridade aflitiva das elites saloias a quem entregamos as decisões sobre o nosso destino.

Sei, da boca de quem de direito, que numerosos cidadãos anónimos têm contribuído significativamente para comprar o Sequeira. Oxalá muitos mais queiram participar neste esforço, que carrega o simbolismo de ser a primeira vez que ousamos contribuir para salvaguardar uma peça que deve ser nossa. Lamentável é que haja ainda tanta empresa alheada deste esforço - tanta empresa com orçamentos anuais, face aos quais o preço deste quadro é uma migalha.

O MNAA é o principal museu português, uma fonte de orgulho para qualquer cidadão deste país e um dos maiores motivos turísticos para qualquer estrangeiro visitar Lisboa. Tem vindo a ser dinamizado nestes últimos anos como nunca o foi em mais de um século de história. O que lá está é nosso, é muito do melhor de nós. Portugal merece o MNAA. E o MNAA merece que compremos o Sequeira.
 
 
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NÃO ESQUECER: este é o primeiro domingo do mês e, por isso, a entrada nos museus nacionais é gratuita. Participe nas visitas orientadas e, se possível, ajude o MNAA a adquirir "A Adoração dos Magos", porque todos os contributos são importantes.

VISITAS ORIENTADAS

Natal em Arte Antiga _ 2015

1º Domingo do mês, 7 de Fevereiro
11h00 "A Adoração dos Magos", de Domingos Sequeira
11h30 Obras-primas da Colecção do MNAA

Destinadas a público em geral.
Sem inscrição prévia.
Gratuito.


Visitas orientadas Domingos Sequeira A Adoração dos Magos 2016

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