A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

segunda-feira, 25 de abril de 2016

SUA MAJESTADE, A RAINHA. POR ANTÓNIO BROCHADO PEDRAS


A Rainha Isabel II completou ontem 90 anos, sendo a monarca que, com quase 63 anos de reinado, mais tempo ocupou o trono da mais antiga monarquia do mundo! Os britânicos saúdam-na com o ancestral e caloroso “God save the Queen!” e realmente têm motivos, tantos quantos a sua Rainha, para dar graças a Deus pela sua longa vida, mas, sobretudo, pela grande dignidade com que, ao longo do seu reinado, assumiu os deveres públicos, em tempos de guerra, como em tempos de paz. Com a maior discrição, evitando expressar em público as suas próprias opiniões políticas, mas não enjeitando manifestar a sua profunda fé e religiosidade cristã, como Governadora Suprema da Igreja Anglicana, tem sido o símbolo vivo da unidade do seu país e dos 16 países da Commonwealth de que é Chefe de Estado, entre os quais importa destacar, pela sua grandeza, o Canadá, a Austrália e a Nova Zelândia. Apesar das críticas que, nas décadas de oitenta e noventa do século passado, foram dirigidas contra a família real, não exactamente quanto à pessoa da rainha, mas em relação às vidas pessoais dos seus filhos e noras, profusamente escrutinadas pela imprensa, muito por causa da exposição pública a que os próprios se sujeitaram, por haverem optado viver de acordo com os padrões da contemporaneidade, a verdade é que soube ultrapassar com inteligência e humildade essas contestações, conciliando a sua realeza com uma maior afectividade e proximidade, quer com os membros do seu clã familiar quer com os cidadãos que chefia. E é exactamente o seu elevado espí- rito de serviço público e a sua capacidade de adaptação aos novos tempos que explicam que os níveis da sua popularidade e de apoio à monarquia permaneçam em alta. Mesmo para aqueles que consideram – e, a meu ver, mal – que a monarquia é potencialmente hostil à democracia, Isabel II teve a preocupação não só de evitar a mais leve confrontação com este sistema, como de aplacar os conflitos e tensões que são co-naturais à própria Sua majestade, a rainha ARTUR GONÇALVES FERNANDES António brochado pedras democracia, surgindo como a medianeira da paz, a modelo da cortesia e a garante da confiança de todos no regime e no mesmo destino comum. Como ninguém, percebeu a necessidade desta combinação perfeita de monarquia e democracia, acalmando os ânimos quando o jogo político dividiu profundamente os adversários e os cidadãos e neles instilou perigosos ódios e desconfianças e ajudando, assim, com a sua subtil presença, a manter o espírito de unidade nacional e a garantir um país simultaneamente livre e seguro. Se esta minha singela evocação da ilustre soberana inglesa visa, em primeira linha, servir para lhe prestar um sincero preito de homenagem ao mérito pelo exemplo de dignidade e de serviço de que tem dado provas e saudá-la pelas suas noventa primaveras, mentiria se escondesse que, no meu propósito, está também o de apontar a monarquia constitucional inglesa como o modelo mais adequado de uma democracia avançada, capaz de conciliar as tradições e a identidade pátrias com as liberdades democráticas, o progresso, a segurança e a independência nacionais. A Magna Carta, outorgada em 1215 por João Sem Terra, para garantir amplos direitos aos seus súbditos, a princípio à nobreza e, mais tarde, aos cidadãos, e o modelo de gradualismo evolucionista que caracterizou a monarquia britânica, casando tradição e progresso, passado e presente e monarquia e democracia e que permitiu a realização, nas épocas moderna e contemporânea, de inúmeras mudanças revolucionárias sem revoluções, fornecem-nos o quadro ideal para perceber aquilo que o historiador francês, Elie Halévy, apelidou de “milagre inglês”. Depois da tragédia da I República Portuguesa, marcada pela violência, instabilidade social, política e económica e pela regressão democrática, da deriva totalitária da II República e duma III que, conquanto formalmente democrática e de direito, não garantiu ainda a Portugal e aos portugueses a justiça, a unidade e o progresso por que todos ansiamos, impõe-se que reflictamos sobre se, apesar das nossas discordâncias políticas, normais na vida de qualquer povo, não será altura de escolhermos para Portugal um mesmo destino comum – a monarquia constitucional !

Fonte: Diário do Minho de 22.04.16, pág. 2

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