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A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

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Autor: Nuno A. G. Bandeira

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terça-feira, 7 de junho de 2016

D. AFONSO DE PORTUGAL – UM INFANTE SEPULTADO NA SÉ DE BRAGA

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Assinala-se hoje (01/06) o Dia Mundial da Criança. A propósito desta data publicamos aqui este texto sobre uma Criança “especial”, cujos restos mortais estão sepultados num magnífico túmulo existente na Sé de Braga. Referimo-nos ao Infante D. Afonso de Portugal, filho do Rei D. João I e de D. Filipa de Lencastre.

D. Afonso de Portugal ficou sepultado em Braga (na Catedral) provavelmente por decisão de sua mãe, a Rainha D. Filipa de Lencastre (na imagem), que tinha grande apreço pela “cidade dos arcebispos”.

A propósito das celebrações do Dia Mundial da Criança, que hoje se comemora, abordamos aqui a história de um menino que ainda “reside” na nossa cidade. Este seria como tantos outros, mas teve no seu tempo uma enorme importância para o Reino de Portugal e continua, nos nossos dias, através da arte, a destacar-se. Os seus pais deixaram aos bracarenses esta presença, de que lhes estamos gratos, e que não passa despercebida a quem visita a Catedral bracarense. Falamos de D. Afonso de Portugal (1390-1400), considerado por muitos o primogénito de D. João I, Mestre de Avis, e de D. Filipa de Lencastre. No entanto, devemos referir que este não foi o primeiro fruto deste casamento. Foi, sim, o primeiro filho homem, já que antes dele se deu o nascimento de uma primeira filha, D. Branca, que faleceu ainda na primeira infância. Antes de dissertarmos um pouco sobre a vida e morte do pequeno Afonso, é conveniente falarmos dos acontecimentos anteriores que fizeram do seu nascimento um momento tão esperado e especial. Como sabemos, Portugal passou entre os anos de 1383 e 1385 por uma crise de sucessão que, marcada para a posteridade pela Batalha de Aljubarrota, ditou a inauguração da segunda dinastia: a da Casa de Avis. Sendo que todos os conflitos surgiram após a morte de D. Fernando (1345 - 1383), todas as querelas que se seguiram tiveram como pano de fundo a busca pela sucessão mais legítima. D. Beatriz, filha de D. Fernando e de D. Leonor Teles, foi entregue em casamento ao monarca de Castela, D. Juan I, tendo sido este acto político, ocorrido no 30 de Abril de 1383, uma forma de sua mãe garantir um futuro para si e para sua filha, numa antecipação do se avizinhava, visto este dia ter marcado também o último momento oficial enquanto Rei do monarca D. Fernando. Quando este abandona “a cidade dos homens”, o rei de Castela imediatamente reclama para sua esposa a proclamação de Rainha de Portugal, quebrando o acordo que definia que apenas os filhos do casal seriam os herdeiros da Coroa, até lá sob a regência de D. Leonor. Perante este cenário de uma possível união entre os reinos, vários foram os que reagiram, apoiando para sucessor do trono o então infante D. João, Mestre de Avis, filho de D. Pedro I com a galega Teresa Lourenço. D. João era o único infante presente na Corte portuguesa, já que todos os outros infantes, os filhos de Inês de Castro, se exilaram em Castela devido a tensões com a rainha D. Leonor. Para se tornar Rei, D. João precisou de lutar em várias frentes, desde a diplomática à bélica, que venceu não só com o apoio dos “grandes do reino”, sobretudo ilegítimos e filhos segundos, mas também devido às alianças realizadas com os ingleses – que trouxeram homens experientes ainda da Guerra dos Cem Anos. O acto que determina a aclamação do Mestre de Avis é a reunião das Cortes de Coimbra, no dia 6 de Abril de 1385, sendo a ocupação do trono de Portugal anterior à Batalha de Aljubarrota, que resultou de uma última investida do monarca castelhano para reaver a Coroa para D. Beatriz. A propósito desta Batalha de Aljubarrota (14 de Agosto de 1385), interessa referir, por curiosidade, que esta demorou apenas uma hora, apesar da sua violência. Os segredos da vitória foram a estratégia de D. Nuno Álvares Pereira e a escolha do terreno que favorecia o lado português. Estes factores foram decisivos, uma vez que, de Portugal, participaram na batalha cerca de 10.000 homens, e do lado castelhano entre 20.000 e 30.000. Por fim, algo que nos diz respeito enquanto bracarenses: D. João I delegou no Arcebispo de Braga, D. Lourenço Vicente, a responsabilidade de organizar um exército a Norte para o caso de uma possível invasão castelhana por mar. (Recordamos que D. Lourenço Vicente também está sepultado na Catedral de Braga). Serve esta pequena analepse da nossa história para salientar a importância que teve para o Rei no Português, e para o seu rei, o nascimento deste príncipe. Afonso, segundo Fernão Lopes, nascido na noite de 30 de Julho de 1390, um sábado, é o primeiro filho legítimo do casal reinante, D. João I e D. Filipa de Lencastre.

 

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