MENSAGEM DE S.A.R O SENHOR DOM DUARTE DE BRAGANÇA AOS PORTUGUESES

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

quinta-feira, 21 de julho de 2016

COMUNICADO: OS BRASÕES DOS JARDINS DA PRAÇA DO IMPÉRIO


Comunicado
Os brasões dos jardins da Praça do Império

A Real Associação de Lisboa, certa de que a defesa do património cultural e histórico de Lisboa é missão de todos quantos prezam o sentimento de pertença à nossa cidade, vem publicamente manifestar a sua preocupação com a chamada requalificação dos Jardins da Praça do Império anunciada pela Câmara Municipal de Lisboa. A dignificação do espaço público não pode ignorar a riqueza da nossa História nem a vocação cosmopolita da nossa cidade. Deve, pelo contrário, contribuir para celebrar um dos símbolos identitários de Lisboa, uma capital europeia moderna que é simultaneamente coração vibrante de uma portugalidade que não conhece fronteiras políticas. A Real Associação de Lisboa, que faz parte integrante da Causa Real e conta com mais de 2.500 associados, apela pois à Câmara Municipal que dê ouvidos aos clamores da Junta de Freguesia de Belém e de muitos lisboetas que, independentemente das suas filiações partidárias, rejeitam obliterações ideológicas e se revêem numa cidade que honra a sua vocação e que faz da sua História uma marca distintiva da sua afirmação.


Pela direcção,

João de Lancastre e Távora
Lisboa, 20 de Julho 2016



Relva substitui brasões florais com armas das antigas províncias ultramarinas da Praça do Império


A troca dos brasões da Praça do Império por relva já tem projecto. "É um apagão da História", diz o CDS. Para o PSD é uma "obsessão de Sá Fernandes". O júri lembra que não constam do desenho original.

O projecto vencedor do concurso de ideias lançado pela Câmara de Lisboa para a requalificação do Jardim da Praça do Império, em Belém, prevê a substituição dos históricos brasões florais por um espaço relvado. Os 30 brasões florais que representam as armas das cidades capitais de distrito do país e das antigas províncias ultramarinas teriam um custo de manutenção de 24 mil euros anuais, segundo afirmações de José Sá Fernandes, vereador dos Espaços Verdes da autarquia. Daí a ideia de os substituir.
Sá Fernandes assumiu em 2014, em declarações à TVI24 que a iniciativa de não recuperar os brasões ligados à História do colonialismo era “uma opinião pessoal [sua], não da câmara”. Nessa altura a ideia foi amplamente contestada, mas tudo indica que vá mesmo avançar na sequência da ratificação da decisão do júri que definiu o vencedor, segundo e terceiro classificados do concurso de ideias lançado pela câmara. Segundo o DN, é expectável que a aprovação aconteça na deliberação desta terça-feira da câmara lisboeta.
No verão de 2014, o CDS considerou a ideia “medíocre” e acusou o executivo camarário de uma atitude de “quero, posso e mando”. Para os centristas, a “História deveria ser preservada”, mesmo que os brasões aludam ao passado colonial português. Uma opinião partilhada por João Soares, ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa. O ex-autarca socialista afirmou na altura que o novo projecto é “um disparate” e reforçou que “a História tem de ser assumida sem complexos”.
Apesar da Associação de Defesa do Património de Lisboa (ADPLx) ter convocado uma manifestação na Praça do Império contra a destruição dos brasões e ter lançado uma petição online que foi assinada por mais de 1.700 pessoas, a decisão pode mesmo avançar, dependendo de como correr a votação desta quarta-feira.

“É um apagão da História”

João Gonçalves Pereira, vereador do CDS na Câmara Municipal de Lisboa mantém a posição sobre o assunto e disse em declarações ao Observador que vai votar contra a proposta. Para os centristas, este avançar do processo “causa enorme indignação” e o sentimento de que “foram enganados”.
Quando o vereador Sá Fernandes decidiu há dois anos que iria tirar os brasões da Praça do Império, António Costa, então Presidente da Câmara mostrou-se “surpreendido” com a decisão. E disse, na altura, que iria tentar arranjar uma solução inovadora para os jardins da Praça, que implicasse menos custos de manutenção mas que respeitasse a História.
Agora que o projecto da substituição dos brasões pela relva é uma realidade, o vereador do CDS atribui culpas à autarquia:
Os projectistas apresentam os projectos com base nas orientações que têm e agora é dado a perceber que não foi dada nenhuma orientação, relativamente à criação de uma solução que respeitasse aquele período da História de Portugal. Não há apagões da História, é a realidade que temos.”
Em comunicado, o PSD considera a destruição dos brasões uma “obsessão de Sá Fernandes” e indicia “um preconceito ideológico gritante próprio da pequena dimensão intelectual” do vereador dos Espaços Verdes. Na missiva, Sérgio de Azevedo da Bancada Municipal do PSD deixa um apelo a Fernando Medina, Presidente da Câmara de Lisboa:
Ponha cobro a estes devaneios intelectuais e que assuma de uma vez por todas a liderança do município que honrosamente herdou e que defenda a relevância histórica do nosso país em detrimento da irrelevância da personagem de Sá Fernandes”, lê-se no documento.
Embora o sentido de voto na deliberação da Câmara Municipal não esteja expresso de forma clara no comunicado, é previsível que o voto seja contra, como o do CDS. A reunião promete fazer renascer a polémica em relação ao espaço verde que foi projectado pelo arquitecto Vasco Lacerda Marques, integrado no desenho da Praça do Império, da autoria do arquitecto Cotinelli Telmo construída para a Exposição do Mundo Português, que se realizou em 1940.

Brasões florais não fazem parte do projecto original

Mas Maria Simoneta Luz Afonso, presidente júri que foi nomeado pela Câmara Municipal de Lisboa para avaliar as propostas de requalificação do jardim da Praça do Império, atribui pouca importância à polémica que, na sua opinião, se baseia no desconhecimento do desenho original do espaço.
“Os brasões são um pormenor, o que interessa é a requalificação do jardim”, justificou. Um pormenor que é importante para os vereadores de CDS e PSD em termos históricos e que a presidente do júri fez questão de enquadrar:
O projecto original do arquitecto Cotinelli Telmo não continha brasões, a não ser no lago. E eles lá estão, em pedra, à volta do lago central. Os brasões foram postos temporariamente para uma exposição de floricultura, para as comemorações henriquinas, em 1961. Portanto, não fazem parte integrante do jardim”, explicou ao Observador.
Além disso, os brasões florais “estão em muito mau estado” e a equipa projectista “propôs uma utilização muito mais interessante para o espaço” que inclui a substituição dos brasões por algo que “permite que as pessoas se sentem e usufruam”. Este “é o melhor projecto e foi escolhido por unanimidade”, frisou Maria Simoneta Luz Afonso. O projecto do gabinete de arquitectura ACB Paisagem, de Cristina Castel-Branco “envolve toda a praça e envolve o monumento do Mosteiro dos Jerónimos com o rio e dignifica o próprio jardim”.
Para a presidente do júri, não há dúvida que o projecto escolhido respeita a “traça original do jardim” e dá-lhe “uma dinâmica própria para o século XXI”. Questionada pelo Observador acerca da intenção de voto contra do CDS e opinião do PSD, disse que “não fazia prognósticos”. E reforçou que “os brasões são a menor das coisas, os originais estão no lago e só quem não conhece o projecto original é que continua a insistir nessa história“.
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