25º ANIVERSÁRIO DA REAL ASSOCIAÇÃO DE VISEU

25º ANIVERSÁRIO DA REAL ASSOCIAÇÃO DE VISEU

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

28 DE SETEMBRO, ANIVERSÁRIO DO REI D. CARLOS E DA RAINHA D. AMÉLIA

Foto de Nova Portugalidade.


Último casal real português, Dom Carlos I e Dona Amélia nasceram, respectivamente, a 28 de Setembro de 1863 e 1865. Foi, talvez, sinal de premonição e de destino partilhado. Amélia, nascida em 1865, era bisneta de Luís Filipe da França, rei feito - e deposto - pela revolução. Se houvesse aquele sobrevivido ao ano tumultuoso de 1848, Amélia teria, provavelmente, sido ela própria filha de rei. Deposta a sua casa e a sua linha - que foi a última dos capetos a governar a França - Amélia viria, contudo, a sentar-se no trono de Portugal. O casamento não pareceu, de início, nem provável, nem agradável à família real portuguesa. Lisboa preferia casar Carlos, então Príncipe Real, com a Princesa Vitória da Prússia, filha do Imperador Frederico III da Alemanha e irmã do Imperador Guilherme II, ou com a Arquiduquesa Maria Valéria de Habsburgo, filha do Imperador Francisco José da Áustria. Também pensada fora a união com a Princesa Vitória de Gales, filha do Rei Eduardo VII do Rieno Unido e irmã de Jorge V. Goradas estas tentativas e outras, Amélia e Carlos casaram-se a 22 de Maio de 1886 na Igreja de São Domingos, onde se haviam casado também o Rei Dom Luís e a Rainha Dona Maria Pia de Sabóia.

A união, embora frequentemente infeliz e marcada pelas infidelidades de Dom Carlos, colocaria à cabeça da monarquia e do Estado um casal notável no patriotismo, sentido de serviço, clarividência política e curiosidade artística e intelectual. Como o sogro, Dom Luís, Amélia era uma amante da ópera, da literatura e do teatro. Era, também, mulher de preocupações sociais fortes, contribuindo activamente para a abertura de grande número de instituições caritativas. O Rei Dom Carlos, embora, como a Rainha, muito criticado pela historiografia anti-monárquica, foi homem de visão: sofrendo a reputação nacional rude golpe após o Ultimato Britânico de 1890, Dom Carlos dedicou grande parte das suas energias ao desenvolvimento de política externa que refizesse o prestígio nacional, limpasse nas capitais estrangeiras o nome do país e conquistasse amizades às ambições africanas de Portugal. Teve grande sucesso nesse propósito: as relações luso-britânicas melhoraram significativamente após o Ultimato, conseguindo-se de Londres facilidades no pagamento dos empréstimos contraídos por Portugal; marca dessa política de desanuviamento foram as visitas de Dom Carlos a Londres e de Eduardo VII, monarca britânico, a Lisboa. Outras visitas de Estado, como as de Afonso XIII de Espanha, Guilherme II da Alemanha e do presidente francês Émile Loubet serviram para o reconhecimento de Portugal como grande actor da diplomacia europeia. O protagonismo e influência europeias de homens como o Marquês de Soveral sublinham as conquistas dessa política.

Homem de interesses científicos (a oceanografia e a agricultura) e artísticos (foi, talvez, o maior pintor naturalista português do seu tempo), Dom Carlos foi brutalmente assassinado a 1 de Fevereiro de 1908 por uma organização terrorista de ideologia republicana, a Carbonária. No ataque caíram o Rei e o Príncipe Real, Dom Luís. Dona Amélia viveria em Portugal mais dois anos, até ao momento, em 1910, do derrube e exílio do seu filho - e, agora, rei - Dom Manuel. Mudou-se para Paris, regressando a Portugal em 1945 para breve visita. Faleceu em 1951, sendo transportada para Lisboa a bordo da fragata Bartolomeu Dias, navio da Armada, e sepultada no Panteão dos Braganças, no Mosteiro de São Vicente de Fora.


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