25º ANIVERSÁRIO DA REAL ASSOCIAÇÃO DE VISEU

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A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

domingo, 29 de outubro de 2017

PORTUGALIDADE AFRICANA: NÓS NO BENIM

Foto de Nova Portugalidade.

Entre os anos de 1128 e 1415, Portugal nasceu e expandiu-se ao longo do extremo Oeste do Velho Continente. Obtendo a sua independência pela força da espada, e confirmando-a através desta, o povo que herdou a mítica bravura lusitana não podia ficar confinado a um pequeno rectângulo que, para além de ser relativamente pequeno em território, também estava bem longe da Europa Central. A missão de Portugal era diferente - era, de facto, uma missão especial - não fosse São Miguel Arcanjo o Anjo Custódio de Portugal.

Foi nesse mesmo ano de 1415 que Portugal e o Mundo mudam de forma irreversível. Com a conquista de Ceuta, começa a aventura dos Descobrimentos, que dilatará a Civilização e a Fé pelos quatro cantos da Terra. Ao longo dos séculos XV e XVI, estabelece-se a Rota das Índias e África começa a ser ponto de passagem habitual para os navios da Cruz de Cristo. Pela costa africana, começam a surgir feitorias e outras edificações portuguesas. Uma dessas edificações é o Forte de São João Baptista de Ajudá, no actual Benim.

No final do século XVII, no reinado de Dom Pedro II é ordenada a construção de uma fortaleza em Ouidah, tendo em vista a protecção do comércio de escravos. O governador de São Tomé e Príncipe, Jacinto de Figueiredo e Abreu, é incumbido desta missão e, desta forma, o Forte fica na dependência desta colónia portuguesa.

No entanto, o forte seria abandonado anos mais tarde, sendo recuperado por um famoso comerciante de escravos, oriundo do Brasil, de seu nome José de Torres. Assim, a construção de uma nova estrutura defensiva é financiada por um imposto ao comércio de escravos na cidade de Salvador, Capitania da Bahia.

O propósito inicial desta construção acabou por não ser entrave a que outras trocas comerciais aí acontecessem, tanto que tabaco, búzios e aguardente brasileiros começaram a ser aí comercializados.
Em 1722, um pirata inglês, Bartholomew Roberts ("Black Bart"), saqueou o forte, ficando este votado ao abandono até ao ano de 1844, quando é recuperado por ordem de José Maria Marques, à data Governador de São Tomé e Príncipe, que envia um funcionário colonial e um sacerdote para o edifício. Dentro de pouco tempo, o forte volta a ter a sua própria guarnição militar, que só volta a perder com o advento da República, no início do século XX.

Após a independência da República do Benim, no ano de 1960, uma força militar deste recém-criado Estado invade o povoado de Ouidah – onde se encontrava o forte e que era uma dependência de São Tomé e Príncipe – obrigando os portugueses a retirarem. Assim o fazem, pois não havia qualquer forma de resistir. O último resistente acaba por pegar fogo à praça, respeitando as ordens do Chefe do Governo, Doutor Oliveira Salazar.

Portugal reconhecerá a anexação do forte em 1985 e é, então, lançado o restauro da fortaleza, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.

MBF

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