25º ANIVERSÁRIO DA REAL ASSOCIAÇÃO DE VISEU

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A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

domingo, 5 de novembro de 2017

UMA GRANDE MULHER DA HISTÓRIA DE PORTUGAL: A RAINHA SANTA ISABEL

Foto de Nova Portugalidade.

Isabel de Aragão, nascida por volta de 1270, foi a esposa do Rei D. Dinis, e tem sido uma das figuras de destaque entre as várias soberanas portuguesas, perdurando através dos séculos uma memória viva desta Rainha que ainda hoje permanece intensamente acesa. 

Personagem multifacetada, teceu-se sobre a sua figura uma lenda e uma aura de santidade, que, ao longo da sua vida, é apresentada como a sua única matriz; de facto, foi a apropriação da sua imagem pela Igreja que obscureceu as suas outras facetas. O aspecto físico de D. Isabel, loura, alta e forte, não parece estar de acordo com a fragilidade que lhe atribuem, antes espelha uma solidez e uma força que foram típicas do seu carácter.

A par da doçura e disponibilidade em ajudar e cuidar do marido e dos seus filhos bastardos, esteve a atitude pertinaz de uma caridade desprendida e de um apoio aos pobres, necessitados e injustiçados. D. Isabel colocou grande ênfase no alívio do sofrimento do seu povo, com a fundação de inúmeras instituições que se dedicavam ao tratamento e abrigo dos elementos mais desprotegidos da sociedade, financiadas por si.

Por diversas vezes a Rainha demonstrou a força do seu carácter, uma faceta sua que é frequentemente esquecida, mas que constituiu uma pedra basilar da sua personalidade. Quando D. Dinis legitimou os filhos do seu irmão bastardo Afonso, D. Isabel apresentou um vivo protesto contra a situação, pois considerava que a legitimação do potentado senhorial na fronteira portuguesa, que pertencia ao irmão de D. Dinis, iria colocar problemas na unidade do Reino que um dia o seu filho herdaria. Enquanto o seu marido se tornava no árbitro da Península, a Rainha utilizava também os seus contactos familiares em Aragão e Castela, actuando por detrás dos bastidores para a resolução dos conflitos e a instauração da paz. Finalmente, aquando da guerra entre D. Dinis e o filho D. Afonso, D. Isabel colocou-se do lado do filho, defendendo-o e informando-o dos movimentos do pai. D. Dinis ficou de tal forma irritado com o que considerava ser uma traição que desterrou a esposa para Alenquer. Ainda assim, isto não a impediu de evitar o confronto final entre pai e filho em Alvalade, onde apareceu para travar a batalha que se iria desenrolar.

A parte final da sua vida seria passada em Coimbra, no mosteiro de S. Clara que havia fundado, e de novo no leito de morte partiu para impedir a guerra entre o filho e o Rei de Castela, falecendo em Estremoz.

Mãe protetora, com uma personalidade vincada mas ao mesmo tempo doce, sempre pronta a ajudar os mais necessitados e a fazer tudo pela paz, a Rainha Santa Isabel constitui-se como uma das grandes figuras da História de Portugal e uma mulher que soube brilhar num mundo governado por homens.

Miguel Martins

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