25º ANIVERSÁRIO DA REAL ASSOCIAÇÃO DE VISEU

25º ANIVERSÁRIO DA REAL ASSOCIAÇÃO DE VISEU

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

FRANCISCO DE BARCELOS ROLÃO PRETO

Foto de António Carlos Janes Monteiro.

Francisco Rolão Preto (de seu nome, Francisco de Barcelos Rolão Preto), * Portalegre, Gavião, 12.02.1893 - † Lisboa, Lisboa, Hospital do Desterro, 18.12.1977, era filho de António Adolfo Sanches Rollão Preto e de D. Maria Rita Gaspar de Barcelos; Neto paterno de Francisco António Sanches Rolão Preto e de D. Angélica Cândida das Neves Carneiro e neto materno de Francisco Cardoso Gaspar e de D. Rosa Cândida Coração Jesus Barcellos Barbosa.

Notas biográficas:

Combatente monárquico
Membro da Junta do Integralismo Lusitano
Chefe do Movimento Nacional Sindicalista
Licenciado em Filosofia (U. Bruxelas) e Direito (U. Toulouse)
Fundador e chefe do "Nacional Sindicalismo" e da sua revista "Revolução"
1º presidente do Partido Popular Monárquico.

Algumas notas cronológicas:

18.02.1933 - O Movimento Nacional-Sindicalista realiza no Palácio das Exposições do Parque Eduardo VII o primeiro de vários banquetes com vista a promover a candidatura de Rolão Preto à chefia da Ditadura em alternativa a Salazar, considerado excessivamente moderado.

12.07.1934 - Ruptura definitiva entre Salazar e o movimento nacional-sindicalista. Alberto de Monsaraz e Rolão Preto são presos e obrigados a exilarem-se.

10.09.1935 - Liderado pelo comandante Mendes Norton e integrando militantes republicanos e nacionais-sindicalistas - incluíndo o próprio Rolão Preto (na imagem) - tentam um novo golpe militar para derrubar o Estado Novo, obrigando Óscar Carmona a demitir Salazar. O golpe fracassa.

Estudante e Integralista:

Ainda estudante do liceu abandonou Portugal para se juntar a Paiva Couceiro, oficial monárquico que a partir da Galiza, nos anos de 1911 e 1912, tentou derrubar o regime republicano instaurado em Portugal.

Estabeleceu-se na Bélgica onde se tornou secretário da revista Alma Portuguesa, o primeiro órgão do Integralismo Lusitano.

Após ter terminado o curso liceal, no Liceu português de Lovaina, ingressou na Universidade Católica da mesma cidade, mas com o começo da primeira guerra mundial foi para França onde se licenciou em direito, na Universidade de Toulouse.

Regressado a Portugal começa a escrever para o jornal integralista A Monarquia, tornando-se seu director quando Hipólito Raposo é preso. Também colabora no jornal Acção realista 2 (1924-1926).

O Nacional-Sindicalismo:

A partir de 1922 torna-se membro da Junta Central de Integralismo Lusitano.

Com o Começo do movimento militar de 1926, que instaurou a ditadura militar, começa a colaborar com Gomes da Costa, sendo o redactor dos 12 pontos do documento distribuído em Braga.

Em 1930 dirigiu com David Neto, e outros Sidonistas, a Liga Nacional 28 de Maio, um grupo de origem universitária que se auto proclamara defensora da Revolução Nacional, mas quando Rolão Preto lança publicamente o Movimento Nacional-Sindicalista torna-se uma figura nacional, em Fevereiro de 1933. Anunciara-o através de vários comícios que comemoravam o primeiro ano de publicação do jornal Revolução, Diário Académico Nacionalista da Tarde, que aparecera em 15 de Fevereiro de 1932 e, que, em 27 de Agosto, desse mesmo ano, tinha adoptado o subtítulo Diário Nacional-Sindicalista da Tarde.

O Movimento Nacional-Sindicalista era conhecido pela designação camisas azuis, que usavam como uniforme.

Sendo um movimento de inspiração cristã, usavam uma braçadeira com a Cruz de Cristo, seu símbolo máximo. Fizeram comícios uniformizados, durante os quais utilizavam a saudação romana em voga nas organizações nacionalistas da época, conseguindo forte apoio nas universidades e na oficialidade mais jovem do Exército português. Era um movimento influenciado pela Doutrina Social da Igreja e pelo personalismo cristão. Fortemente sindicalista, queria corporativizar a representação política em Portugal, opondo-se ao comunismo e ao capitalismo.

Rolão Preto realizou um discurso anti-salazarista, em 16 de Junho de 1933, numa sessão no São Carlos. Criticou o Estado Novo nascente por ter estabelecido o partido único, e por acreditar que não fez o suficiente pelo sindicalismo.

Devido a esse acontecimento o jornal nacional-sindicalista Revolução acabou por ser suspenso em 24 de Julho de 1933.

Divisão dos nacional-sindicalistas:

Em Novembro, no mesmo ano em que o jornal Revolução fora suspenso, os nacionais-sindicalistas sofreram uma cisão interna. Um grupo numeroso de jovens decidiu apoiar Salazar e integrar-se na União Nacional, abandonando assim as ideias de independência perante o novo regime defendidas por Rolão Preto e Alberto Monsaraz.

Em 10 de Julho de 1934 Rolão Preto é detido, após uma última representação ao Presidente da República, general Carmona, em defesa de um governo nacional com a participação de todas as tendências políticas nacionalistas, é exilado quatro dias residindo durante um tempo em Valência de Alcântara, em Espanha, frente a Castelo de Vide. Em 29 de Julho o nacional-sindicalismo é proibido por meio de uma nota oficiosa de Salazar, que afirma que o movimento se inspirava «em certos modelos estrangeiros», nomeadamente o fascismo italiano.

Residência em Espanha:

Em Madrid hospedou-se em casa de José António Primo de Rivera, filho do ditador espanhol, com quem terá colaborado na redacção do programa da Falange espanhola.

Acções contra o regime (de Salazar):

Regressou a Portugal em Fevereiro de 1935, mas foi detido numa tentativa de revolta contra o regime Salazarista (a tentativa de revolta do navio Bartolomeu Dias e do destacamento militar do Quartel da Penha de França). É obrigado a novo exílio - residindo em Espanha, acompanhará a Guerra Civil ao lado dos falangistas.

Regresso a Portugal:

De volta a Portugal junta-se à MUD - Movimento de Unidade Democrática -, criado no Outono de 1945 para participar nas eleições de Novembro seguinte, as primeiras eleições do Estado Novo, onde se admitiram listas alternativas, tendo nesse ano publicado o seu livro A Traição Burguesa.

Mais tarde apoiou as candidaturas de Quintão Meireles, para Presidente da República de 1951, discursando na única sessão política da campanha. Em 1958 apoiará Humberto Delgado (o candidato opositor), participando activamente na campanha eleitoral, sendo responsável pelos serviços de imprensa da candidatura.

Em 1970, com outras personalidades monárquicas, constitui a Biblioteca do Pensamento Político, Convergência Monárquica, organização a favor da monarquia que tenta reunir o Movimento Popular Monárquico chefiado por Gonçalo Ribeiro Teles, uma fraccção da Liga Popular Monárquica de João Vaz de Serra e Moura e a Renovação Portuguesa de Henrique Barrilaro Ruas.

Nas eleições de 1969, as primeiras eleições durante o período de governo de Marcelo Caetano, participa na lista da Comissão Eleitoral Monárquica.

Após o golpe militar de 25 de Abril de 1974 assume a Presidência do Directório e do Congresso do Partido Popular Monárquico (PPM), fundado em 23 de Maio.

Acaba por falecer em Lisboa, no Hospital do Desterro, a 18 de Dezembro de 1977.

Condecorações:

É condecorado por Mário Soares (enquanto Presidente da República), em 10 de Fevereiro de 1994, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, a título póstumo, pelo seu «entranhado amor pela liberdade».

Obras de Francisco Rolão Preto:

- A Monarquia é a Restauração da Inteligência, Lisboa, 1920;
- Para Além do Comunismo, Coimbra, 1932;
- Orgânica do Movimento Nacional-Sindicalista, Lisboa, 1933;
- Salazar e a Sua Época: Comentário às Entrevistas do Actual Chefe do Governo com o Jornalista António Ferro, Lisboa, 1933;
- Justiça!, Lisboa, 1936 "Política da Personalidade" - Contra o Fascismo e os Totalitarismos;
- O Fascismo, Guimarães, 1939;
- Em Frente! Discurso pronunciado pelo Dr. Rolão Preto no banquete dos - intelectuais Nacionalistas, Castelo Branco, 1942;
- Para Além da Guerra, Lisboa, 1942;
- A Traição Burguesa, Lisboa, 1945;
- Inquietação, Lisboa, 1963;
- Carta Aberta ao Doutor Marcello Caetano, Lisboa, 1972.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Rolão_Preto

(Fontes: Investigação pessoal, GeneAll, Wikipédia)


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