25º ANIVERSÁRIO DA REAL ASSOCIAÇÃO DE VISEU

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A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

GOA AINDA É PORTUGAL

Foto de Nova Portugalidade.

Recordar a Índia portuguesa no dia da sua invasão pela União Indiana 

Será revelador que, de todos os muitos amigos que tem em Goa este que vos escreve, nem um manifeste hostilidade a Portugal, nem um se agite contra os quase quinhentos anos em que lá ondulou a bandeira das quinas e nem um elogie o triste 18 de Dezembro de 1961 em que a União Indiana "libertou" a nossa Índia
. Goeses, damaneses e restantes indo-portugueses eram realmente, verdadeiramente, profundamente portugueses. Eram, também, real, verdadeira e profundamente indianos, ou não fosse a sua Índia - a que Gama e Albuquerque fizeram - tão mais antiga que o vasto país que os ingleses desenharam no subcontinente e que se tornou independente no final da década de 40. Em 1961, uma Índia de quinhentos anos foi devorada por outra ainda criança. Portugal fez o que lhe competia: não sendo Goa colónia, o seu direito a manter-se abraçada à nação portuguesa de que era parte tão destacada e tão amada não podia, e não foi, colocado em causa. Os portugueses abandonaram a Índia tal e qual como entraram nela: sob fogo intenso, corajosamente, com galhardia ibérica e sob ataque de forças imensamente superiores em números e instrumentos. Em 1510, havia Albuquerque e vencemos; em 1961, não houve vitória, mas houve honra. Preservou-se o fundamental.

Estes apontamentos não são os de um prisioneiro do passado. A Índia portuguesa desapareceu politicamente; foi conquistada, foi anexada, foi apagada do mapa-mundo. Mas a Índia portuguesa existe ainda na cultura, na memória e na consciência dos homens. O goês é indiano e não o questiona, mas é um indiano diferente - e o motivo da distinção é a sua indebatível, insubstituível, inapagável Portugalidade. Em Goa, Damão ou Diu, o miúdo faz-se homem à sombra dos pináculos das catedrais, dos muros espessos das fortalezas, da visão omnipresente do brasão-de-armas de Portugal. Falando ou não a nossa língua, sabe-se de certa maneira em Portugal e de certo modo português também, continuador também da herança portuguesa. Ele chama-se Lobo, Sousa, Marques, Fonseca, Pinto, Costa; provavelmente, é católico e, se não o for, nem por isso deixou de nascer e viver entre as ruínas da civilização indo-portuguesa que ali prosperou. No que importa, que é a alma dos povos, Portugal não saiu da Índia.

Nada tendo o Portugal de 2017 a exigir, tudo deve ter a sugerir. Naturalmente, Goa não constitui já problema político: o seu estatuto ficou fechado em 1961, e é exercício revisionista e sem relevância para o futuro determinar se bem ou mal. Mas, não havendo dúvida que a antiga Índia portuguesa foi integrada na actual República da Índia e de que esse é assunto fechado, mantém-se muito verdade que a Portugalidade indiana vive, é forte e merece tratamento distinto do que lhe tem sido dispensado pelas autoridades de Nova Déli. Cometeu-se grave erro, por exemplo, quando se reconheceu a anexação e reatou relações diplomáticas com a Índia sem antes, como teria feito um governo mais previdente, garantir para a língua portuguesa estatuto oficial nos antigos territórios indianos de Portugal. Não o tendo feito Lisboa quando teve para isso oportunidade, permitiu que em Goa não fosse oficial o português mesmo quando o francês o é na antiga possessão francesa de Pondicherry. Ora, não desmerecendo nós Pondicherry e a França, a ligação entre Paris e aquele enclave não é comparável à existente entre nós e a nossa Índia - Pondicherry foi estabelecido apenas em 1674, sendo que os portugueses chegaram à Índia em 1498.

A Índia é uma grande potência em ascensão. Portugal e os países portugueses - com destaque para o Brasil, seu parceiro nos BRICS - respeitam-na e admiram-na. Mas não devem pretender erguer o futuro sobre o esquecimento do passado, pelo que a única maneira de construir com Nova Déli relações profundas, com consideração mútua e plena confiança, é insistindo com ela para que rectifique a imensa injustiça que é o facto de o português não ser reconhecido como oficial em parte alguma do antigo Estado português da Índia. Insistam, pois, as nações da Portugalidade junto da Índia para que ela eleve o português a língua oficial de Goa, Damão, Diu e Dadrá e Nagar-Aveli; ocupem-se da preservação e restauro do património indo-português ameaçado; colaborem com as as autoridades regionais de maneira a garantir, se necessário com professores vindos de países da Portugalidade, o ensino da nossa língua. Politicamente, Portugal já não está na Índia. Culturalmente, só sairá se, por incúria, estupidez, preguiça ou desinteresse se permitir a extinção do nosso legado. Aja-se, pois. A História e a Portugalidade o exigem.

RPB


// (Por) A NP contribuirá para o salvamento da Portugalidade indiana criando na antiga Índia portuguesa núcleos seus. Se é indo-português e quiser ajudar, mande-nos mensagem rapidamente. Precisamos de si.

// (Eng) Nova Portugalidade wishes to help save Portuguese culture all over India by establishing autonomous branches of the movement in what was formerly Portuguese India. If you are Indo-Portuguese and wish to help, please send us a private message as soon as possible. We do need you very much.

Foto de Nova Portugalidade.


Goa não foi "libertada", mas conquistada: o que dizia a imprensa internacional da invasão


" a indignação inicial do mundo no resort pacifista da Índia para a violência militar para a conquista diminuiu em desdém. E em Goa, um novo governador faz uma pose simbólica antes de retratos de homens que tinha o próspero enclave português durante 451 anos. Ele é k. P. Candeth, comandando a 17 ª divisão de infantaria da Índia, e como o próprio modelo de um grande general moderno, ele não traiu nenhum sinal de que ele está encontrando evangelização menos do que feliz sobre sua "Libertação". as meninas goeses recusam-se Para dançar com oficiais indianos. As lojas de goeses foram despojado por soldados indianos de luxo, e as restrições de importação indianas impedem a substituição. Mesmo na Índia, as dúvidas são ouvidas. " Índia ", disse respeitado chakravartin rajagopalachari, líder do partido swatantra, " perdeu totalmente o poder moral para levantar a sua voz contra o uso do poder militar "

"pose simbólica do governador de Goa", Life International, 12 de Fevereiro de 1962


Na imagem, a bandeira de Portugal esvoaça sobre Goa. Anos 50.




Foto de Nova Portugalidade.

Uma ferida portuguesa é dor brasileira: Portugal e Brasil unidos nos maus momentos


Aquando da invasão de Goa pela União Indiana, a posição brasileira foi de total solidariedade com Portugal. O presidente brasileiro, Juscelino Kubitschek de Oliveira, usou a ocasião para reiterar a natureza sanguínea, profunda e inquebrantável dos laços entre as nações portuguesa e brasileira. Ao primeiro-ministro indiano, Nehru, disse que "os setenta milhões de brasileiros não poderiam nunca compreender, e muito menos aceitar, um acto de violência contra Goa". Já o conhecido filósofo, historiador e sociólogo brasileiro Gilberto Freyre, então deputado federal, comentou ainda que "uma ferida portuguesa é dor brasileira". Sem dúvida, modo bonito e eloquente de sintetizar o que une os dois mais antigos Estados da Portugalidade.

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