25º ANIVERSÁRIO DA REAL ASSOCIAÇÃO DE VISEU

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A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

sábado, 6 de janeiro de 2018

MONARCAS PORTUGUESES ANTES DE DOM AFONSO HENRIQUES. GARCIA II DA GALIZA

Foto de Nova Portugalidade.

Atribui-se geralmente, por razão que é mais de simplificação histórica que de exactidão, a Dom Afonso, filho de Henrique e fundador do Portugal independente, a distinta honra de haver sido o primeiro a chamar-se a si mesmo Rei de Portugal. Mas essa é, como se dizia, simplificação bem-intencionada, prendendo-se ela com a necessidade de distinguir claramente o Portugal auto-determinado da Galiza-Leão do Portugal condado que lhe estava adstrito. Com efeito, três personalidades se haviam chamado a si mesmos Rei de Portugal antes de Dom Afonso se ter declarado Príncipe de Portugal (1128) e Rei dos Portugueses (1139). Nuno II, Conde de Portugal, Garcia II, Rei da Galiza e Teresa de Leão, mãe de Dom Afonso Henriques.

A separação entre Portugal e a Galiza-Leão não foi, como imaginará o leitor menos exigente, fenómeno súbito. Foi, pelo contrário, primeira manifestação da irrefreável tendência da nação portuguesa - e aqui, dizendo-se "portuguesa", diz-se galaico-portuguesa - para recentrar-se a sul. Nas vésperas do nascimento da monarquia lusa, o Condado de Portugal mostrava-se crescentemente como potência peninsular. Controlando larga extensão territorial do Minho ao Mondego, o Conde podia bem rivalizar, já por esta altura, com o seu soberano galego-leonês em poderio militar e força económica. Foi esse o motivo profundo das ambições portuguesas de independência, e independência foi o que tentou, décadas antes de Afonso Henriques, o último conde da Casa de Vímara. Reinava então em Guimarães Dom Nuno Mendes, que em 1070 se declarou Rei de Portugal. No ano seguinte, marchou contra Garcia II da Galiza, seu antigo soberano, em Pedroso. Foi ingrata a sorte das armas ao conde português, contudo, e este acabou clamorosamente batido. A batalha matou-o a si e a muito da sua hoste.

Vitorioso, Garcia II aboliu aquilo a que hoje se convenciona chamar o "primeiro condado de Portugal". Depois, no que pareceu reconhecimento de certa validade às pretensões de Mendes, declarou-se "Rei de Portugal e da Galiza". Preso mais tarde na sequência de uma rebelião, o monarca seria sepultado em 1090 como "R. DOMINUS GARCIA REX PORTUGALLIAE ET GALLECIAE. FILIUS REGIS MAGNI FERDINANDI. HIC INGENIO CAPTUS A FRATRE SUO IN VINCULIS. OBIIT ERA MCXXVIII XIº KAL. APRIL". A inscrição tumular, em latim, traduz-se como "Aqui jaz o Senhor Garcia, Rei de Portugal e da Galiza, filho do grande Rei Fernando, que foi capturado pelo seu irmão com engano. Morreu preso a 22 de Março de 1090." Fora o primeiro monarca a afirmar-se chefe de um reino concretamente português.

Sobre Teresa, que foi a primeira mulher a declarar-se Rainha de Portugal e a receber disso reconhecimento papal, escreveremos aqui futuramente.

RPB

1 comentário:

  1. Vamos por partes. PortuCale de Nuno Mendes era equivalente à presuria da diocese do Porto e desde Vimara Peres em 868. Incluía o território entre Douro e Ave, e por isso as terras da Maia, Guimarães e Porto eram de facto Portucalenses. Fora disso estava o Couto de Braga, entre Ave e Lima, e por essa razão existiu a disputa entre Garcia I da Galiza, padrinho da restauração de Braga Metropolitana e Nuno Mendes que de rei não tinha nada, excepto que era comite de um território sob vassalagem dos poderes de Leão e desde Vimara ainda no reino de Oviedo.
    Quando Teresa de Leão recebe o seu dote, este era bastante basto e incluía também o condado portucalense. Mas fora desse território de PortuCale, foi igualmente dotada com Tui e Ourense, Braga, Astorga e Samora e Coimbra.
    Ou seja, Henrique e a Rainha Teresa eram de facto tenentes territoriais bastante mais vastos que aquilo que era denominado a Galiza, de Urraca e Raimundo. Eram duas peças do mesmo puzzle. Foi provavelmente o sul galego que se auto-determinou do império totius hispaniae com sede em Leão ou Toledo. A Galiza norte foi absorvida pelos factos e deixa definitivamente um reino e fica integrada no império Hespanhol.
    A Galecia opta perante o Papa, a denominação de Reino de Portugal.

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