25º ANIVERSÁRIO DA REAL ASSOCIAÇÃO DE VISEU

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A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

domingo, 11 de fevereiro de 2018

O IMPÉRIO INVISÍVEL: A PORTUGALIDADE ASIÁTICA

Foto de Nova Portugalidade.

Houve alguém que um dia se referiu a um “Império Sombra” português localizado a Oriente do Cabo da Boa Esperança. Outro investigador chamou-lhe “Império Informal” . Não havia sido nem comprado, conquistado ou financiado por Goa ou Lisboa, mas fora-se povoando de forma pacífica por soldados retirados do serviço activo, bem como por fugitivos. Casaram, assentaram e ficaram.

Chamemos-lhe “Império Invisível”, pois estava por todo o lado e em local algum, nem era entendido como tal nem pelos seus membros nem pelos povos a que se acolhiam, mas que, no entanto, funcionava como uma poderosa rede clientelar, de afectos e defesa de uma certa ideia de fraternidade universal muito parecida com a cultura de resistência, teimosa mas inaudível, da diáspora judaica.

Porém, ao contrário de judeus e arménios, que se encontravam um pouco por todo o Oriente tocado pelas rotas comerciais árabes e persas, as lusotopias mestiças identificavam-se com um Estado presente no continente (Portugal), ligando-se-lhe por laços, vagos mas poderosos de lealdade cultural, linguística, mas sobretudo religiosa.

Todos estes convictamente auto-proclamados portugueses, fossem ou não descendentes de portugueses da Europa, identificavam a sua diferença e origem como grupo invocando ancestralidade – real ou mítica – num “homem barbudo ” e católico que um dia chegara e era o fundador da linhagem.

Viviam em bandéis ou kampong, conceito que recobre aldeamentos e povoações de dimensão e densidade populacional variável existentes, sobretudo na fachada marítima do Sul da Ásia e do Sudeste-Asiático. Estes bandéis eram ocupados por populações religiosamente homogéneas centradas em torno de um templo, lugar de culto ou edifício onde se reproduzia a inculturação; sociedades vincadamente autocéfalas e com uma estrutura social centrada na família nuclear.

Estas povoações exibiam clara especialização económica e produtiva que as transformavam em unidades sociais distintas das circunvizinhas. Os bandéis e kampong podiam ser aldeias isoladas, mas também bairros incrustados em zonas periurbanas, distinguindo-se do restante tecido envolvente pela forte identidade cultivada pelos seus membros. No Sudeste-Asiático pré-moderno e moderno, foram os agentes por excelência de intermediação comercial, linguística e religiosa com os mundos exteriores e detiveram, até ao advento do Estado-nação ou da colonização directa, foros e liberdades muito similares a comunas.

Miguel Castelo-Branco

Imagem: grupo folclórico de Malaca.

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