25º ANIVERSÁRIO DA REAL ASSOCIAÇÃO DE VISEU

25º ANIVERSÁRIO DA REAL ASSOCIAÇÃO DE VISEU

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

MISSAS EM MEMÓRIA DE SUA ALTEZA O SENHOR DOM HENRIQUE DE BRAGANÇA

Recordamos que HOJE, dia 14 de Fevereiro de 2018, será celebrada uma Missa por Alma de Sua Alteza o Senhor Dom Henrique de Bragança, Infante de Portugal e Duque de Coimbra, no dia em que passa um ano desde a sua partida.
A Missa contará com a presença de Sua Alteza o Senhor Dom Miguel de Bragança, Infante de Portugal e Duque de Viseu, e decorrerá na Igreja dos Carmelitas (Stella Maris), à Foz do Douro, pelas 19h00.



A Real Associação de Viseu informa que HOJE, dia 14, às 
19:00 horas, na igreja Paroquial de Santar, se realizará a Missa em Memória de Sua Alteza o Senhor Dom Henrique de Bragança, Infante de Portugal e Duque de Coimbra.

BEM-VINDA, ANUNCIAÇÃO

Foto de Nova Portugalidade.

"Anunciação", de Álvaro Pires de Évora, também conhecido entre os italianos como "Álvaro Pietro di Portogallo". Maravilha da arte portuguesa de Quatrocentos, esta obra foi ontem adquirida pelo Estado português realizado em Nova Iorque. Está agora a caminho de Portugal.


MARINHA PARA TODOS

Foto de Nova Portugalidade.

Para a Exposição Colonial Internacional de Paris de 1931, certame destinado a exibir as glórias imperiais europeias, Portugal não se limitou a mostrar a antiguidade da sua presença em África, a diversidade de povos e culturas, as artes nativas e a obra material desenvolvida. Ao contrário da França, da Bélgica e da Grã-Bretanha, cujos pavilhões eram guardados simbolicamente portropas de infantaria colonial, Portugal para ali destacou militares da sua Marinha de Guerra, não marinheiros europeus, mas marinheiros negros. Foi um choque, pois a ideia que então as potências coloniais de si faziam enquanto Estados vocacionados para a expansão, repelia a possibilidade de os africanos poderem ser marinheiros.

Foto: 1º Marinheiro da Marinha Portuguesa de guarda ao Pavilhão de Angola.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

O QUE DISSE LENINE SOBRE O REGICÍDIO EM PORTUGAL

Foto de Nova Portugalidade.

O que disse Lenine do brutal assassinato do Rei Dom Carlos e do seu filho, o Príncipe Real Dom Luís Filipe

A notícia do assassinato do rei D. Carlos I e do príncipe herdeiro, Luís Filipe, abalou a opinião pública russa da época, mas nem todos choraram a morte dos dois membros da família real portuguesa.

"Petersburgo está repleto de impressões sobre a tragédia de Lisboa. Todas as conversas abordam apenas esse tema... A missão portuguesa, situada na Rua Mokhovaia, a partir das duas horas, ficou cercada de coches e pessoas que vieram apresentar condolências", noticiava a Agência Telegráfica de São Petersburgo.
Esta agência informava também que recebeu "a primeira notícia apenas às 9 horas da manhã, visto que o telegrama chegou com significativo atraso devido a uma avaria na linha".

"Assassinato do rei de Portugal e do Príncipe herdeiro", titulava o diário Russkoe Slovo no dia 04 de Fevereiro.

"Às seis da tarde, na Rua do Arsenal, o rei Carlos e o príncipe herdeiro, que regressavam num coche aberto de Vila Viçosa, foram assassinados a tiro. No mesmo coche seguiam a rainha D. Amélia e o infante Manuel. O infante foi ligeiramente ferido e a rainha saiu ilesa", escrevia o correspondente desse jornal em Lisboa.

Segundo o correspondente russo, "logo após o assassinato, começou a correr o boato de que o crime foi obra de uma conjura, de que a polícia estava ao corrente. O facto de os assassinos terem sido mortos no local e não detidos... é visto como uma intenção da polícia esconder os rastos da conjura. Se a polícia estivesse minimamente vigilante, o assassinato teria sido impossível".

Quanto à autoria do crime, as notícias eram confusas: "Pensa-se que os assassinos foram recrutados pelos republicanos e os terroristas não estão ligados a esta conjura", transmitiu o correspondente do Russkoe Slovo.

"Pensa-se que um dos assassinos é francês e outro espanhol", informava a Agência de Informação de Petersburgo.

"Quem assassinou o Rei de Portugal?" – perguntava o Russkoe Slovo a 08 de Fevereiro, e respondia citando Guerra Junqueiro: "na conjura não participou o Partido Republicano, mas os chamados exaltados, que não obedecem à disciplina do Partido Republicano e vão mais longe nas tendências revolucionárias".

Vladimir Lenine, futuro dirigente da União Soviética, escreveu sobre o regicídio no artigo: "Sobre o que aconteceu ao rei português", publicado no jornal Proletarii de 19 de Fevereiro de 1908.

"A imprensa burguesa, mesmo a mais liberal e democrática, não pode passar sem a moral da extrema-direita ao abordar o assassinato do aventureiro português", escreveu Lenine, acrescentando que "...o sucedido com o rei português é verdadeiramente "um desastre profissional" dos reis".

"Nós, da nossa parte, acrescentamos apenas que só podemos lamentar uma coisa: que o movimento republicano em Portugal não tenha, decidida e abertamente, dado cabo de todos os aventureiros. Lamentamos que no sucedido com o rei português seja ainda evidente o elemento de conjura, isto é, de terror que, na sua essência, não alcança os objectivos, sendo fraco o terror verdadeiro, popular, realmente renovador, que tornou famosa a Grande Revolução Francesa", continua Lenine.

Segundo ele, "até agora, em Portugal conseguiu-se apenas amedrontar a monarquia com o assassinato dos dois monarcas, mas não exterminar a monarquia".


Publicado a 28 de Janeiro de 2008 pela Agência Lusa.


MEMÓRIAS DO JAPÃO PORTUGUÊS

Foto de Nova Portugalidade.

A PRESENÇA PORTUGUESA NO JAPÃO, A PARTIR DE 1543, INFLUENCIOU AS SUAS ARTES TRADICIONAIS, particularmente, na grande Ilha de Kyushu, no Sul do Arquipélago Nipónico, onde mais se fez sentir a nossa actividade comercial e missionária. A representação dos "bárbaros do sul", os namban-ji passou a ser comum, nomeadamente, em extraordinários biombos narrativos, em que a cena principal era a chegada anual do "Barco Negro" a Nagasáky, e o cortejo subsequente de mercadores e religiosos pela cidade.

Mas, vamos restringir-nos hoje a um único aspecto, as figurações de navios portugueses ou de símbolos cristãos, nas "tsubas", que são as guardas de mão das espadas japonesas. A sua forma e função não foram alteradas, mas os samurais convertidos não dispensavam lutar com as suas armas adornadas simbolicamente com símbolos cristãos, vulgarmente uma ou mais cruzes. 

O seu diâmetro anda normalmente em volta dos 7 cm, possuem o orifício para a lâmina, sendo depois, mais ou menos perfuradas, para a realização dos motivos decorativos. Mostramos quatro, todas do Período Momoyama, ou seja o fim do século XVI e início do século XVII, em ferro, decoradas com barcos, uma em forma de cruz, outras com Crucifixos, e até uma que se abre e tem dentro um Crucifixo em relevo, certamente já do período da proibição do Cristianismo. Mostramos igualmente uma espada de samurai, ou parte dela, para elucidar a função da "tsuba" ou guarda de mão.


Pedro Dias, Professor Catedrático da Universidade de Coimbra

Foto de Nova Portugalidade.

Foto de Nova Portugalidade.

Foto de Nova Portugalidade.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

AINDA O REGICÍDIO (FOI HÁ 110 ANOS)

Foto de Nova Portugalidade.

Serviu-se o ressentimento de meios de grande violência psicológica, pela palavra e pela palavra escrita, abrindo portas e justificando o revolverismo e o bombismo, a apologia da violência e até o regicídio, quiçá o mais vergonhoso acontecimento da vida política portuguesa. Vulgarizada a violência, tornou-se justificável toda a violência que foi a história da chamada 1ª República; em suma, aquilo a que um arrependido, Homem Cristo Pai chamou de banditismo político.

Para Ramalho Ortigão, o regicídio - ou antes, magnicídio, pois pretendia matar por atacado uma família, mais o primeiro-ministro - tratou-se da associação de um punhado de homens (mandantes, pagantes e executantes) que se reuniram com o declarado propósito de matar um rapaz. Foi essa matilha de celerados e criminosos que a república elevou ao panteão dos cidadãos exemplares, manchando-se para todo o sempre.

O crime de 1908 anunciou o corte de Portugal com setecentos anos de história, o assalto ao poder por uma minoria que jamais se submeteu ao veredicto dos portugueses, a confiscação do Estado por organizações secretas e grupos armados, o fim do Estado de Direito, anos de balbúrdia seguidos de ditadura e de ditadura seguida por balbúrdia. Sem o regicídio não teria havido intervenção na Grande Guerra, nem deriva radical jacobina, nem reacção católica autoritária, nem revolução marxista, nem descolonização de pé descalço, nem genocídio de Timor, nem entrada aos empurrões e sem condições para a CEE. Estaríamos, certamente, bem mais ambientados às práticas, ritmo e crenças da tolerância, da vivência da liberdade e do patriotismo; em suma, estaríamos bem mais civilizados. Portugal perdeu quase cem anos com a burla, as superstições e desmandos. Ainda é tempo de recuperar ?

MCB

O VERDADEIRO SIGNIFICADO DE "PORTUGUÊS" NA ÁSIA

Foto de Nova Portugalidade.

Quando os europeus chegaram ao Oriente, receberam os exónimos (1) genéricos de Feringi (Índia), Farang (Sião), Ferengi (península Malaia) ou Falangxi (China), supostamente importados do árabe Frank (Franco), remetendo para o período das cruzadas cristãs na Terra Santa. Depressa, porém, ao exónimo – que ainda hoje se mantém e se traduz hoje por estrangeiro branco – juntaram-se outros adjectivos, uns de carga pejorativa, outros procurando caracterizar com maior precisão os forasteiros de tez clara vindos dos mares ocidentais: Bengali Puthe (brancos de Bengala) e Nasrani (Nazarenos) e Serani entre os malaios, Gwailo (fantasmas) para a língua cantonense, Nanbanjin (bárbaros do Sul) para os japoneses.

A definição dos etnónimos(2) das comunidades luso-descendentes é surpreendente, pois tendeu a unificar-se num só adjectivo que exprimia, para o grupo e para os seus vizinhos, o modo de ser e a origem do grupo: eram, ou passaram a ser, apenas, Portugueses, sinónimo de católico.

Miguel Castelo-Branco

(1) Exónimos: são nomes estrangeiros para nomes próprios, especialmente topónimos e grupos étnicos.
(2) Etnónimos: nomes de povos, tribos, castas, comunidades políticas ou religiosas que possam ser entendidos num sentido étnico.


Para saber mais:
a) Margaret Sarkissian, D'Albuquerque's children: performing tradition in Malaysia's Portuguese settlement, Chicago, University of Chicago Press.

b) Howard Federspiel, Sultans, shamans, and saints. Islam and Muslims in Southeast Asia, Chiang Mai, Silkworm Books, 2008

Foto de Joaquim Magalhães de Castro.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

A VENERÁVEL SERVA DE DEUS LEONOR RODRIGUES

Foto de Nova Portugalidade.

"Na Era de 1639, um ano antes da Aclamação deste Reino, teve esta visão a Venerável Serva de Deus Leonor Rodrigues, na qual viu o Duque de Bragança sentado num Trono Real, e a Santa Teresa que com a mão esquerda lhe metia um ceptro na mão; e deu-se a entender a esta Serva de Deus, que dali a um ano teriam os Portugueses Rei natural, por intercessão da Santa, e por estar a sua mão esquerda [relíquia] em Portugal; por isso com esta mão lhe punha o ceptro, e não com a direita. Assim se cumpriu no ano seguinte de 1640."

A Venerável Leonor Rodrigues é deste modo descrita no "Ano Histórico, Diário português", obra publicada em 1714 por Lourenço Justiniano de Anunciação:

"A Venerável Leonor Rodrigues foi natural da Vila de Mourão da Província de Alentejo. Na Cidade de Évora tomou o hábito de Terceira Carmelita Descalça, e por grandes mestres espirituais desta Religião foi dirigida por espaço de cinquenta anos contínuos. Era dotada de muitas virtudes. Teve espírito penitente, extático, milagroso, e profético. Depois da preciosa morte que teve neste dia [11 de Abril], ano de 1639, ficou como se estivera viva, tratável e flexível. Toda a Cidade a venerou sempre, e acompanhou o seu enterro até à sepultura, que se lhe deu na Igreja do Convento dos Remédios de Carmelitas Descalços."

O IMPÉRIO INVISÍVEL: A PORTUGALIDADE ASIÁTICA

Foto de Nova Portugalidade.

Houve alguém que um dia se referiu a um “Império Sombra” português localizado a Oriente do Cabo da Boa Esperança. Outro investigador chamou-lhe “Império Informal” . Não havia sido nem comprado, conquistado ou financiado por Goa ou Lisboa, mas fora-se povoando de forma pacífica por soldados retirados do serviço activo, bem como por fugitivos. Casaram, assentaram e ficaram.

Chamemos-lhe “Império Invisível”, pois estava por todo o lado e em local algum, nem era entendido como tal nem pelos seus membros nem pelos povos a que se acolhiam, mas que, no entanto, funcionava como uma poderosa rede clientelar, de afectos e defesa de uma certa ideia de fraternidade universal muito parecida com a cultura de resistência, teimosa mas inaudível, da diáspora judaica.

Porém, ao contrário de judeus e arménios, que se encontravam um pouco por todo o Oriente tocado pelas rotas comerciais árabes e persas, as lusotopias mestiças identificavam-se com um Estado presente no continente (Portugal), ligando-se-lhe por laços, vagos mas poderosos de lealdade cultural, linguística, mas sobretudo religiosa.

Todos estes convictamente auto-proclamados portugueses, fossem ou não descendentes de portugueses da Europa, identificavam a sua diferença e origem como grupo invocando ancestralidade – real ou mítica – num “homem barbudo ” e católico que um dia chegara e era o fundador da linhagem.

Viviam em bandéis ou kampong, conceito que recobre aldeamentos e povoações de dimensão e densidade populacional variável existentes, sobretudo na fachada marítima do Sul da Ásia e do Sudeste-Asiático. Estes bandéis eram ocupados por populações religiosamente homogéneas centradas em torno de um templo, lugar de culto ou edifício onde se reproduzia a inculturação; sociedades vincadamente autocéfalas e com uma estrutura social centrada na família nuclear.

Estas povoações exibiam clara especialização económica e produtiva que as transformavam em unidades sociais distintas das circunvizinhas. Os bandéis e kampong podiam ser aldeias isoladas, mas também bairros incrustados em zonas periurbanas, distinguindo-se do restante tecido envolvente pela forte identidade cultivada pelos seus membros. No Sudeste-Asiático pré-moderno e moderno, foram os agentes por excelência de intermediação comercial, linguística e religiosa com os mundos exteriores e detiveram, até ao advento do Estado-nação ou da colonização directa, foros e liberdades muito similares a comunas.

Miguel Castelo-Branco

Imagem: grupo folclórico de Malaca.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

A CORRUPÇÃO, UMA DAS CHAGAS DA PORTUGALIDADE


Foto de Nova Portugalidade.


Quem hoje olhar para os países de língua portuguesa, facilmente constatará que estes se encontram, de uma forma geral, minados pela corrupção política. É um fenómeno que martiriza a verdadeira essência da Portugalidade: os povos dos países que a compõem. No Brasil, em Angola e em Portugal, a situação é ainda mais danosa do que na restante Portugalidade. Em Angola, uma elite suga todos os proventos dos imensos recursos naturais do país, acumulando uma riqueza colossal que se espelha nos arranha-céus envidraçados de Luanda, enquanto a população comum vive em bairros de lata e não tem o que comer. No Brasil, as favelas são bem conhecidas. Em Portugal, os escândalos de promiscuidade entre poder político e poder económico-financeiro têm vindo ao de cima. 

A Portugalidade possui características extraordinárias que nos devem entusiasmar na reconstrução do seu futuro, mas também tem desafios e dificuldades a serem ultrapassados; não devemos ignorá-los e relegá-los para debaixo do tapete. A corrupção é um deles, e é um problema relativamente simples de se compreender: o poder político encontra-se manietado pelo poder económico-financeiro que o domina. Como é que o faz? Visto a esmagadora maioria dos políticos não possuírem meios financeiros próprios, os interesses do capital utilizam esta grande vulnerabilidade a seu proveito. Assim, cessadas as funções de ministro, de secretário de estado, ou de outro cargo público, os recém-desempregados políticos necessitam de um outro meio de subsistência financeira, e eis que o encontram em cargos nas empresas privadas que beneficiam directamente das políticas que esses mesmos ex-governantes tomaram enquanto estavam no Estado. 

Este círculo vicioso impede que os recursos fiscais do país cheguem ao financiamento de serviços públicos de qualidade, visto serem desviados para os grandes grupos económicos e financeiros. O resultado é uma população sem saúde, educação ou espaços públicos de qualidade, que vive na degradação e na precariedade, enquanto uma elite egoísta vive no regaço do luxo. É esta a Portugalidade que queremos construir? 

Se uma Federação Lusófona se vier a constituir, os povos da Portugalidade não podem deixar este problema por resolver. Não podem consentir com a existência de políticos que governam contra o bem público, subvertendo completamente o seu propósito, e que destroem o bem-estar do coração palpitante da civilização lusófona: o povo, em quem repousa a soberania da manutenção da identidade da Portugalidade. Não podem consentir com o predomínio do poder financeiro sobre o Estado. A solução? Ou uma grande reforma dos sistemas políticos existentes que dê uma machadada definitiva neste cancro, ou a contínua degradação da situação até esta se tornar insuportável, e aí só novos regimes estabelecidos que rompam os equilíbrios de poder existentes podem limpar esta chaga e trabalhar honestamente para o serviço do bem público da Portugalidade. Uma coisa é certa: enquanto a doença da corrupção não for completamente removida, a prosperidade jamais se atingirá. Estaremos dispostos a enfrentá-la? 

Miguel Martins

DOCUMENTÁRIO: HIMALAIAS, VIAGEM DOS JESUÍTAS PORTUGUESES (4/4)


SINOPSE – Episódio 4
Retemperadas as forças, o viajante e investigador Joaquim Magalhães de Castro parte para o distante e inóspito mas belo Ladakh, na fronteira com o Paquistão, região de forte cultura tibetana, encerrada ao mundo durante boa parte do ano devido ao seu rigorosíssimo Inverno. Nesta extenuante jornada, cercado por uma admirável paisagem onde se intercalam pitorescos vales, habitados e cultivados, com montes lunares onde os animais selvagens são o único sinal de vida, sucedem-se as portelas, entre as quais a segunda mais alta passagem asfaltada do mundo. 

Leh, antiga capital do poderoso reino de Ladakh e importante centro lamaísta, é ponto de partida para mais uma longa e difícil jornada, desta feita rumo ao belíssimo lago de Tsomoriri, junto à fronteira chinesa do Tibete Ocidental, não muito longe das ruínas de Tsaparang. Foi esta a rota em 1631 utilizada por Francisco de Azevedo e João de Oliveira, dois outros importantes pioneiros jesuítas.
Uma vez mais de regresso às planícies hindustanis, Joaquim deixa a capital indiana, Deli, rumo aos Himalaias, desta vez para percorrer a primeira rota utilizada pelo padre António de Andrade. 

Visita as cidades santas de Haridwar e Rishikesh, repletas de crentes hindus, e, sempre na companhia do rio Ganges, que corre nos vales cada vez mais fundos, embrenha-se pelas altas montanhas cobertas de pinheiros e abetos do Garwhal indiano, até ao templo de Badrinat, local de peregrinação dedicado a Shiva, o deus dos deuses, reputado pelas suas águas termais com propriedades miraculosas. 

Era perto de Badrinath, na aldeia de Mana, que os jesuítas portugueses retemperavam forças antes de iniciar a extenuante travessia para o Tibete, quantas das vezes com o risco da própria vida, merecendo, por isso, o justo título de «primeiros alpinistas europeus da História!».


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

PORTUGAL NA CAPELA SISTINA

Foto de Nova Portugalidade.

Pintado por Miguel Ângelo entre 1536 e 1541, um fresco da Capela Sistina faz referência expressa a Portugal. Na cena "O Juízo Final", sobre o altar-mor, uma massa de figuras - apóstolos, santos, almas perdidas e anjos - dividem-se entre os que merecem o Céu e aqueles que, caindo, o não obtêm. Nela se destacam, agarrados a um rosário, dois homens que são puxados para o Céu. Um é africano e o outro oriental, representando cada um deles os continentes de que são originários. Já o rosário representa a oração e é ele que eleva ambos os homens.

Trata-se de uma alusão ao labor missionário dos portugueses na Ásia e em África, ambas áreas de influência, conquista, assentamento e evangelização portuguesa. Levando o Cristo às sete partidas do mundo, pois, os portugueses teriam oferecido o paraíso aos povos que abraçaram. Pouco conhecida esta homenagem a Portugal numa das mais aclamadas obras de arte do mundo ocidental, ela deve orgulhar todos os povos lusíadas.

DOCUMENTÁRIO: HIMALAIAS, VIAGEM DOS JESUÍTAS PORTUGUESES (3/4)



SINOPSE – Episódio 3

A imensidão das estepes e dos lagos tibetanos onde resistem os últimos dos nómadas acompanhados dos seus rebanhos de iaques e ovelhas, o deslumbrante espectáculo multicor do planalto, e as portelas de alta montanha que nos aproximam dos dentes aguçados da cadeia himalaica de neves eternas, são os cenários da próxima etapa do viajante e investigador Joaquim Magalhães de Castro, que refaz as rotas dos jesuítas portugueses, pioneiros nesta parte do mundo. 

A recta em direcção à portela de Lalung La parece não mais acabar. Justifica-se aqui, na sua plenitude, a designação Tecto do Mundo. A panorâmica é de cortar a respiração. No Verão e Outono reside aqui um velho monge, numa tenda de campanha, tentando angariar dinheiro para construir um mosteiro na sua aldeia natal. Ele convida o Joaquim a beber o tradicional chá com manteiga e antes da partida, abençoa-o, à boa maneira tibetana.

Daqui em diante é sempre a descer. Até Zhangmu, última povoação chinesa, o declive é de 3 mil metros, a descida mais acentuada do planeta.

Após o Tibete, segue-se o Nepal onde Joaquim é confrontado com o esplendor arquitectónico de Kathmandu, Patan e Baktapur, cidades Património da Humanidade, e onde tem a rara oportunidade de assistir a uma procissão da deusa viva Kumari, apreciar a excentricidade colorida dos sadhus (ascetas indianos) e presenciar, com a devida distância, às cerimónias de cremação dos mortos junto às margens do rio Bagmati.

A aventura prossegue, agora e comboio, nas planícies da Índia onde tudo começou, em Agra, a magnífica cidade dos tolerantes mongóis islamizados protectores dos jesuítas portugueses. Obrigatórios locais de visita, o Taj Mahal, claro, e o Forte Vermelho, descrito nas cartas dos nosso jesuítas.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

O MUNDO QUE DESCOBRIMOS NÓS, PORTUGUESES

Foto de Nova Portugalidade.

Uma selecção das façanhas marítimas de Portugal:

1340 – Expedição às Canárias.
1415 – Conquista de Ceuta, a chave do Mediterrâneo.
1418 – Descoberta da Ilha de Porto Santo.
1419 – Descoberta da Ilha da Madeira.
1432/53 – Descoberta dos Açores.
1434 – Passagem do Cabo Bojador.
1436 – Descoberta do Rio do Ouro.
1441 – Chegada ao Cabo Branco.
1445 – Descoberta de Cabo Verde.
1459 – Conquista de Alcácer-Ceguer.
1465 – Chegada à Serra Leoa.
1471 – Conquista de Arzila e descoberta da Costa do Ouro. Passagem do Equador. Descoberta do Hemisfério Sul.
1472 – Exploração das terras do noroeste do Atlântico.
1473 – Fundação da praça-forte de São Jorge da Mina.
1479 – Tratado de Alcáçovas.
1484 – Chegada à foz do Rio Congo.
1486 – Passagem do Cabo da Boa Esperança.
1487 – Visita à Abissínia e conquista de Azamor.
1492 – Descoberta da Península do Labrador.
1494 – Tratado de Tordesilhas, no qual Portugal obtém mais 100 milhas para ocidente, assegurando assim a possessão do Brasil.
1498 – Chegada a Calecute e descoberta do caminho marítimo para a Índia.
1500 – Descoberta oficial do Brasil.
1501 – Exploração da costa da América do Norte, da Terra Nova, da Gronelândia e da Ilha da Conceição.
1502 – Descoberta da Ilha de Santa Helena.
1503 – Construção da primeira fortaleza em Cochim.
1505 – Ocupação da costa oriental de África e descoberta da Ilha de Ceilão.
1506 – Desembarque em Madagáscar.
1507 – Conquista de Ormuz, a pérola do Oriente.
1510 – Conquista de Goa.
1511 – Conquista de Malaca e descoberta das ilhas de Samatra, Java, Molucas, arquipélagos de Sonda e Banda.
1514 – Embaixada ao Papa. Chegada à Costa da China.
1518 – Ocupação da Ilha de Ceilão.
1520 – Fernão de Magalhães realiza a primeira viagem à volta do Mundo.
1521 – Visita à Nova Escócia.
1526 – Descoberta da Nova Guiné.
1531 – Profunda penetração no Brasil.
1535 – Cerco de Diu.
1542 – Chegada ao Japão.
1549/51 – Evangelização do Império Nipónico.
1553 – Expedição ao interior do Brasil, até aos rios São Francisco, Verde e Pardo.
1557 – Fundação de Macau, território oferecido a Portugal como recompensa por ter livrado o Mar da China de piratas.
1560 – Visita a Inhambane, Tongue, Quelimane, Sena, Tete, Chacutuy e Zimboé de Monomotapa.
1570 – Mais explorações ao interior do Brasil, até ao Arassuahy.
1578/86 – Explorações em África e descoberta das nascentes do Nilo.
1582 – Visita ao norte do Canadá, passando o Estreito de Bering.
1593 – Percorridas grandes extensões no Brasil: Rio Verde, Andarahy, Rio Doce, Lagoa de Juparanã, Grande Suassahy, Vale Itamarandiba, Rio de Todos-os-Santos, nascentes do Jequiriçá e Paraguaçu; construção de uma fortaleza na cordilheira de Orobó e descoberta de importantes minas de ouro.
1601 – Descoberta da Austrália.
1603 – Chegada a Jericoacoara e derrota dos indígenas na grande batalha de Camorim, atravessando a montanha Ibiapaba e atinge-se Parnaíba.
1605 – Descoberta das Ilhas de Tuamotu, Taiti e Novas Hébridas.
1624 – Visita ao interior do Tibete e descoberta de uma das mais importantes nascentes do Ganges. Percurso minucioso na região do lago Niassa, em África.


DOCUMENTÁRIO: HIMALAIAS, VIAGEM DOS JESUÍTAS PORTUGUESES (2/4)


SINOPSE – Episódio 2
Depois de visitar o Tibete ocidental, o viajante e investigador Joaquim Magalhães de Castro prossegue a sua viagem pelas áridas planícies do Ngari, o maior e mais elevado planalto do mundo. 

Numa casa tibetana onde está hospedado, junto ao belo e sagrado lago de Manasarovar, cujas águas redimem os pecados de toda uma vida – assim o crêem os budistas –, Joaquim bebe chá com manteiga e come tsampa (cevada torrada), símbolos da hospitalidade tibetana, antes de mergulhar, também ela, nas águas redentoras do Manasarovar.

Após milhares de quilómetros de árdua viagem, atenuada pela beleza da paisagem e pela presença de manadas de iaques, surgem finalmente as ruínas de Tsaparang, a antiga capital do reino de Guge, visitada no início do século XVII pelos jesuítas António de Andrade e Manuel Marques. Do esplendor de outrora restam as capelas, Branca e Vermelha, com magníficos e enigmáticos murais, e uma sala do palácio real; mas não há vestígios da Igreja da Virgem da Esperança, edificada em 1626 por iniciativa de António de Andrade.

Junto a Zanda, a cidade chinesa que cresceu nas imediações da ancestral cidade monástica de Tholing, abundam pagodes, bandeiras oratórias e muros mani, aos quais, como é da tradição local, acrescenta-se sempre algo, nem que seja um pequeno seixo.

Arredondados por antigas massas de gelo, todos os vales do Ngari são bastante alargados e os filões dos diferentes minerais que formam as montanhas emprestam-lhe as mais variadas cores. Há um milhão de anos, toda esta região encontrava-se submersa sob um gigantesco mar. O impacto de duas massas terrestres fez elevar outras tantas cordilheiras paralelas a uma altura média de três mil metros e, em alguns pontos, chegou a atingir os nove mil metros. 

Kailash, uma montanha de 6711 metros com o cume coberto de neve o ano inteiro, é considerado por quatro diferentes religiões o local mais sagrado do planeta. Diz-se que uma volta em seu redor purifica os pecados de toda uma vida, enquanto 108 voltas proporcionam o nirvana na vida presente.

Joaquim junta-se aos peregrinos, percorrendo o circuito de peregrinação, ao qual os tibetanos denominam kora, visitando pequenos eremitérios de montanha e convivendo com as famílias de nómadas.

A sul, estende-se a planície de Barkha, delimitada pelos dentes brancos e aguçados dos Himalaias, de onde se destaca o inconfundível Nanda Devi, convidando o Joaquim a um novo e aliciante desafio.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

O QUE É A PORTUGALIDADE?

Foto de Nova Portugalidade.

Há, já ninguém o nega nem o pode ocultar, nem nos chamados estudos pós-coloniais, nem nas reflexões sobre a globalização, uma peculiaridade portuguesa na relação com os trópicos.

Quando Gilberto Freyre chocou o mundo com a sua teoria do luso-tropicalismo – contrariando o determinismo geográfico e o determinismo racial e respectivo estendal de arianismo, superioridade racial, evolucionismo e luta pela sobrevivência dos mais aptos - objectou-se-lhe que se tratava de arroubo lírico ou eco tardio de antropologia romântica. Pois, Deus criara o homem e os portugueses haviam criado o mestiço, mas a essa “raça artificial” – ou seja, criada para contrariar o carácter inóspito das paragens tropiciais – correspondia a geografia da fome, do subdesenvolvimento, da pobreza e da ignorância.

Respondeu-lhes Freyre que o segredo da fórmula portuguesa não residia tanto na dimensão biológica do fenómeno da expansão do português pelo mundo, mas na sua mobilidade, miscibilidade e aclimatabilidade. Onde o francês, o holandês e o inglês falharam, o português triunfou, ganhou raízes, tropicalizou-se. O sucesso dos portugueses remete, pois, para a compleição cultural, para a atitude na relação com os outros e para a variabilidade de soluções de compromisso com o meio social, cultural e até natural onde chegou. Dessa adaptabilidade resultante do cruzamento entre o cultural e o geográfico, o individual e o geral, o histórico e o natural, resultaram sociedades extremamente resistentes, conscientes de si e capazes de produzir cultura autónoma fora do quadro colonial, e até uma consciência de Estado e de nação, ou de resistência à ingerência externa que hoje ninguém intelectualmente honesto poderá negar. Angola, Moçambique, o Brasil, Cabo-Verde, Timor e Macau não são “portuguesas”, mas são expressões dinâmicas desse encontro luso-americano, luso-africano e luso-asiático que hoje, em plena globalização, reclamam altivamente a exigência de participarem na vida mundial, não como meros mercados, mas como actores carregados de personalidade cultural. É esse, pois, o significado da Portugalidade. Nós somos todos Nós.

MCB

DOCUMENTÁRIO: HIMALAIAS, VIAGEM DOS JESUÍTAS PORTUGUESES (1/4)


SINOPSE Episódio 1
Macau, entreposto português no sul da China desde meados do século XVI, foi ponto de passagem para alguns dos descobridores do Tibete, região que Joaquim Magalhães de Castro, residente no território, visita com frequência. O investigador/viajante parte desta vez decidido a recriar as rotas dos nossos jesuítas. O comboio é o meio de transporte utilizado. Com a recente construção do caminho-de-ferro o número de visitantes do Tibete aumentou enormemente e os turistas chineses confundem-se com os turistas estrangeiros. Em Lhasa, capital do Tibete, Joaquim conduz-nos pelas ruas do centro histórico, pejadas de peregrinos, até ao venerado templo de Jorkhang, o Palácio de Potala, antiga residência dos dalai lamas, e pelos mosteiros de Sera e Deprung. A longa jornada rumo ao Ngari, o Tibete profundo, inicia-se com uma visita ao lago de águas turquesas de Yamdrok e ao glaciar de Karo La, prosseguindo depois pelas cidades históricas de Gyantse e Xigatse. Nesta última cidade, onde os jesuítas portugueses estabeleceram uma missão em 1628, Joaquim tem a rara oportunidade de assistir a um importante e colorido festival religioso. A etapa que se segue é a cidade monástica de Sakya, antecâmara do desolado Ngari, o «deserto das neves». O episódio termina com o Joaquim a caminho do lago de Manosarovar, um dos mais importantes destinos de peregrinação para budistas e hindus.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

O PRIMEIRO EXÉRCITO MULTIRRACIAL DA MODERNIDADE FOI O PORTUGUÊS

Foto de Nova Portugalidade.
Oficial português, Terço dos Homens Pretos. Brasil, século XVIII.

"As Bandeiras, em todo o caso, deixaram o Brasil em forte situação em 1630, quando o Estado foi invadido pelos holandeses. As forças luso-brasileiras eram, talvez, mais multirraciais que qualquer outra força militar desse tempo, e incluíam europeus, ameríndios, negros, mulatos e indivíduos descritos como "mestiços de vário tipo". O seu sucesso causou choque entre as conscientemente brancas tropas holandesas. Entre os capitães portugueses de maior sucesso esteve Filipe Camarão, chefe de pleno sangue índio, e Henrique Dias, homem de estirpe unicamente negra. Pelo seu serviço entre as tropas negras de Portugal em Pernambuco, Dias recebeu foro de nobreza em 1633. Cinco anos mais tarde, foi armado cavaleiro com um salário de quarenta escudos, então soma muito elevada, por mês - muito embora às autoridades fosse custoso o cumprimento destes actos de generosidade régia. Vários dos colegas de Henrique Dias nos Terços de Homens Negros sofreram os mesmos problemas, embora três outros tenham, como Dias, sido elevados a estatuto de nobreza."

Em "The Portuguese in the Age of Discovery c.1340-1665", de David Nicolle. Página 20.

Foto de Nova Portugalidade.
BRASIL, século XVI
(da esquerda para a direita)
1. Chefe Tupinambá
2. Nobre luso-brasileiro, c. 1550 AD
3. Escudeiro afro-brasileiro, c. 1580 AD

Foto de Nova Portugalidade.
OCEANO ÍNDICO, FIM DO SÉCULO XVI -- INÍCIO DO SÉCULO XVII
1. Soldado indo-português
2. Cavaleiro português
3. Soldado português, c. 1580-90

Foto de Nova Portugalidade.
Oficial de Infantaria do Terço dos Homens Pretos. Brasil, 1786.

Foto de Nova Portugalidade.
ÁFRICA SUBSARIANA, c. 1600-1650
1. Soldado português
2. Guerreiro africano em serviço da Coroa
3. Oficial português, c. 1650

JESUÍTAS PORTUGUESES NO TECTO DO MUNDO

Foto de Nova Portugalidade.

O Tibete foi um dos últimos destinos dos Descobrimentos, apesar de n’ Os Lusíadas se valorizar uma nação de marinheiros intrinsecamente ligada ao mar e ignorar os que se aventuravam pelo interior dos continentes americano, africano e asiático, como foi o caso dos jesuítas, que desafiaram os Himalaias.

Região quase mítica, o Tibete esteve afastado do mundo ocidental pelo menos até ao início do século XVII, altura em que jesuítas portugueses instalados em Goa, incitados pelos rumores de que ali existiriam comunidades cristãs, abriram o caminho a uma série de exploradores e aventureiros que apenas quase três séculos depois ousariam partir em busca das riquezas materiais e espirituais dessa nação.


Em 1624, após uma duríssima travessia através dos “desertos de neve” que separam a Índia do Tibete, o padre António de Andrade e o irmão Manuel Marques chegaram a Tsaparang, a capital do reino tibetano de Guge. Foram os primeiros ocidentais a visitar o Tecto do Mundo. Outros pioneiros se seguiriam, optando por diferentes rotas que os levariam aos não menos misteriosos reinos do Ladakh, Sikkim, Nepal e Butão.

António de Andrade, Francisco de Azevedo, João Cabral e Estêvão Cacela, entre muitos outros, foram as únicas autoridades em matéria de tibetologia até à segunda metade do século XVIII.

Inspirado pelas visitas efectuadas ao Tibete escrevi o livro “Viagem ao Tecto do Mundo – O Tibete desconhecido”, que daria origem à série documental televisiva “Himalaias, Viagem dos Jesuítas Portugueses” emitida pela RTP 2 e RTP Internacional.

Nos próximos dias colocarei na página os quatro episódios dessa série, acompanhados das respectivas sinopses, para visualização e partilha desse extraordinário feito lusitano, até hoje, infelizmente, desconhecido pela esmagadora maioria dos povos da Portugalidade.

Entretanto, fica aqui o trailer, para aguçar o apetite:


Joaquim Magalhães de Castro