A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

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quarta-feira, 22 de novembro de 2017

QUEREM ROUBAR-NOS AS FORÇAS ARMADAS: PORTUGAL NÃO PODE CONSENTIR

Foto de Nova Portugalidade.

I. Está em marcha um golpe sem precedentes contra a liberdade de Portugal. Por convenção que se prepara de Bruxelas, a PESCO, ou Permarnent Structured Cooperation (em português, Cooperação Permanente Estruturada), serão progressivamente integrados os aparelhos militares dos Estados-membros, criado um comando militar único subordinado à União Europeia e lançadas missões - isto é, campanhas - militares dependentes da autoridade da União. A ideia é proposta pela França, que com ela pretende transferir para os vizinhos o fardo - em vidas e tesouro - das suas muitas aventuras militares no Norte de África. A "colaboração" significa, naturalmente, pôr portugueses (ou belgas, italianos, gregos e polacos) nos países africanos onde hoje combatem franceses. A França defende o seu interesse nacional, e nisso não podem os portugueses ver problema. O que se exige é que também Portugal defenda o seu - e o seu interesse nacional é continuar a comandar de Lisboa as suas forças armadas, usando apenas em conflitos em que esteja em causa o interesse português soldados, dinheiros e equipamentos portugueses.

O PESCO constitui perigo imenso para Portugal e para toda a Europa. Trata-se, objectivamente, de passo primeiro, mas claro, rumo ao desmantelamento das forças armadas nacionais para sua substituição por um exército europeu. O programa determinará ainda a fusão prática dos dispositivos de defesa dos Estados que se lhe associem, passando os países a definir a sua política de defesa em conjunto e a afectação dos seus recursos em função da dos restantes signatários. Sigmar Gabriel, Ministro dos Negócios Estrangeiros da República Federal da Alemanha, explica que o PESCO servirá para que os Estados europeus "deixem de gastar todos dinheiro nas mesmas coisas". O que se procura, portanto, é que se concentre Portugal no que não tem a Espanha e a Espanha no não possui a França. A ideia não é razoável e não é aceitável, pois o que causará é que os Estados abdiquem de equipamento e valias de que precisam para defender-se autonomamente, passando todos a depender dos restantes.

II. As consequências são claras, são inaceitáveis e representam um cutelo aguçado sobre o pescoço de todos os povos europeus. Nenhum português com memória da sua História poderá aceitar que se prescinda de instrumentos indispensáveis à defesa militar de Portugal - sejam eles quais forem, e isso não esclarece a priori a PESCO - para entregá-los a outros países, alguns deles de interesses incompatíveis com os de Lisboa e seus aliados mais próximos. País velho que somos, sabemos bem que, como dizia o estadista inglês, os Estados têm interesses permanentes, mas nunca amizades permanentes. Transferir para comando alemão, francês ou espanhol tropas portuguesas seria colocá-las sob o mando de Estados que se encontraram todos eles em guerra, pelo menos uma vez, com Portugal ao longo dos últimos duzentos anos. Nada garantindo que as relações não venham a ser novamente inamistosas - e não há impossibilidades na política - aparece como irresponsabilidade imensa, absurda e até criminosa ceder a estes Estados estrangeiros o comando das forças que defendem o interesse de Portugal, a nossa democracia, a segurança dos portugueses e o império da lei e da Constituição.

III. Em causa está a própria existência do Estado português e o direito dos portugueses à vida livre. Se bem sucedido, o projecto de integração dos exércitos europeus virá a deixar Portugal sem forças armadas que lhe obedeçam e prossigam os seus interesses. Tratar-se-ia, na leitura tradicional do que constitui o Estado, de uma abdicação por Portugal da dignidade de o ser: se Portugal não cunha moeda (e já não a cunha, ou cunha a moeda dos outros), se não controla território (e, de facto, já não tem fronteiras), se já não é, na conhecida fórmula da ciência política, "poder superior a todos na ordem interna e inferior a nenhum na ordem externa" (e não o é, pois aceita o primado do direito dito "europeu" até sobre a sua Constituição), já não poderemos dizer-nos um país na plenitude do termo. Tinha ainda as forças armadas, uma das poucas atribuições claras de Estado que Lisboa soube preservar. Com o PESCO, cai essa última garantia de soberania; sem soberania, desaparece Portugal como nação politicamente determinante. Cessará, de facto, a nossa condição de Estado.

Especialmente gravosa seria a proposta de um exército conjunto europeu para a Portugalidade e para a integração portuguesa, essa sim natural e do interesse de Portugal e de todos os povos seus irmãos. Acabando Portugal privado de forças armadas, achando-nos nós forçados a implorar permissão de Bruxelas em todos os assuntos atinentes à utilização de meios militares, necessariamente perderemos a capacidade de associar-nos, como deve no futuro fazer Portugal, ao mundo português. É perspectiva contrária, por um lado, à própria natureza e tradição de Portugal, sempre nação marítima e jamais país de foco continental; por outro, significará a proibição de todos os passos - e eles são abundantes - que de outro modo poderíamos dar, na esfera militar, rumo à reconstrução da unidade da Portugalidade. Sugestões como a constituição de uma força naval da Portugalidade para a Insulíndia (através de Timor) e o Atlântico Sul - e o Atlântico Sul foi lago português ou luso-brasileiro durante 500 anos -, a harmonização de políticas externa e de defesa entre países portugueses da Amazónia a Timor ou a fusão de dispositivos de defesa entre Portugal, Cabo Verde, Timor, São Tomé e Príncipe e a Guiné quedariam impossibilitados.

Sem Forças Armadas, não há política externa própria. Sem Forças Armadas, não há dignidade nacional. Sem Forças Armadas, não há independência e não há Estado. Sem Forças Armadas, não há Portugalidade. É obrigação de todo o português - de Portugal ou de parcelas outras da Portugalidade - trabalhar com empenho e entusiasmo para que não vingue este golpe perigoso contra nós e todos os povos da Europa.

A Nova Portugalidade

Um pedido da NP: para combater esta ameaça, é preciso divulgá-la. Por favor, partilhe este post entre os seus amigos.



Foto de Nova Portugalidade.


1 comentário:

  1. Apoiado! A nossa faixa marítima seria a primeira a ser invadida e tomada! Já há controlo das pescas, assim seria de imediato absorvida e ocupada! Nem defesa nem exploração, o resto que nos sobrou cairia.

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