A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

MENSAGEM DO DIA 1º DE DEZEMBRO DE S.A.R. O SENHOR DUQUE DE BRAGANÇA


Mensagem 1o Dezembro 2020
S.A.R. o Senhor D. Duarte, Duque de Bragança
Escrever a minha Mensagem do dia 1o de Dezembro numa ocasião tão difícil para os
Portugueses implica uma especial responsabilidade. No entanto não posso deixar de
afirmar a minha preocupação perante a situação portuguesa e a minha total
solidariedade para com as tão numerosas vítimas de uma potencial situação de
pobreza da qual não tiveram culpa. Todos quantos viram as suas actividades
económicas encerradas pelas medidas sanitárias tomadas pelo Governo, são os que
mais direito teriam a um apoio estatal, desde empresários a empregados.

O Estado não pode mandar para casa um país inteiro, sem garantir as atempadas
condições económicas que permitam os portugueses e as suas empresas
sobreviverem.

Também merecem um apoio mais eficaz possível, todos os que têm enfrentado e
combatido com coragem e abnegação as suas difíceis tarefas, como os profissionais
de saúde, de áreas assistenciais, prestadores de serviços de alimentação e segurança.
Não podemos esquecer os empresários que diariamente lutam no terreno para manter
o funcionamento das suas empresas e a economia do país, que somos todos nós. É
nossa obrigação manifestar-lhes reconhecimento e gratidão.

Esta pandemia chegou a Portugal meses depois de serem conhecidos os efeitos na
China, bem como em alguns países europeus. Numa fase inicial, lidámos bem com a
situação, tendo tomado medidas acertadas e atempadas.

Infelizmente, nesta segunda fase da pandemia, não adoptámos a tempo as medidas
necessárias e suficientes que permitissem atenuar o seu impacto, sobretudo na
população mais debilitada pela idade e pela saúde. Muitas das medidas adoptadas,
quer no campo da prevenção sanitária, quer no da economia não foram suficientes,
por erráticas ou contraditórias.

As falhas de prevenção verificaram-se quando todos os especialistas já previam o
surgimento de uma segunda vaga. Recentemente os últimos Bastonários da Ordem
dos Médicos, em carta dirigida à Ministra da Saúde, queixam-se da falta de estratégia
das autoridades nacionais e exigem uma maior articulação do SNS com os sectores
de saúde sociais e privados para optimização da capacidade instalada, caso contrário
a situação poderá ser trágica.
As consequências da estratégia adoptada levaram ao preocupante estado actual:
Na saúde, segundo dados da Ordem dos Médicos, ficaram por fazer milhares de
cirurgias e milhares de consultas. Neste momento, os óbitos por não COVID
dispararam para números preocupantes. Seria importante resolver os problemas
burocráticos que impedem centenas de Médicos e Enfermeiros formados no
estrangeiro a viver em Portugal de poderem contribuir com as suas competências na
luta contra esta pandemia.

Segundo as previsões económicas, Portugal terá no final do ano uma recessão de
mais de 8% e um brutal aumento do desemprego.

Espera-se que Portugal venha a receber da UE, uma quantia muito avultada para
impulsionar a recuperação da economia.
A concretizar-se será sem dúvida uma boa notícia, cujo desenlace se deseja bem-
sucedido, com a aplicação de forma ajustada, isenta e bem controlada das verbas
atribuídas. É fundamental conhecer com clareza qual o critério de atribuição e qual o
seu controlo. Desta vez não pode haver margem de erros, nem facilitismos.

É uma oportunidade única para a modernização e recuperação económica do País.
Assim, é fundamental exigir-se aos governantes e entidades públicas a maior
transparência na atribuição e gestão destas verbas. Infelizmente os índices
internacionais de corrupção situam o País abaixo da média da Europa ocidental e da
União Europeia, reflectindo a falta de reformas estruturais para o reforço da
integridade do Estado.

Portugal não pode mais ser adiado. É hora dos Portugueses estarem vigilantes e
actuarem.

O País está envelhecido e cada vez é maior a dependência da sociedade em relação
ao Estado.

Ao contrário das Monarquias do Norte da Europa, onde as pessoas enriquecem antes
de envelhecer, em Portugal as pessoas envelhecem sempre a empobrecer. Este é um
dos problemas base que urge resolver e que evitaria muitos dos actuais males que
existem na sociedade portuguesa.

Vivemos enredados por uma estranha coligação de interesses em que uma minoria
impõe controversas medidas e inaceitáveis ideologias a uma maioria. Infelizmente
pretendem que se aceite com naturalidade verdadeiros atentados à moral e princípios
gerais da humanidade, como são os casos, no plano ideológico, da introdução no
programa da Educação para a Cidadania, da ideologia do Género ou da votação para
o Referendo à Eutanásia, em que uma centena e meia de deputados calaram a voz a
milhões de portugueses. Sendo este último tema, para mais, suscitado num contexto
chocante para a população que, diariamente, é confrontada com um número crescente
de mortos entre as pessoas mais velhas e debilitadas.
Chega-se ao apuro de se pretender apagar a História de que tanto nos orgulhamos e
quererem fazer acreditar às gerações mais jovens que somos depreciativamente o que
nunca fomos.

Mais de 200 anos depois da Revolução Liberal ter introduzido que a escolha dos
deputados para o Parlamento se faria por voto directo, ninguém está interessado em
questionar por que razão mais de 50% dos eleitores não votam.

Nunca os deveres cívicos assumiram tamanha importância para salvação da Pátria.
Quem não se dá ao trabalho de participar, de votar e de pagar os seus impostos não
tem qualquer autoridade moral para criticar o rumo que Portugal leva.

Apelo à participação cívica para o combate em defesa dos valores da vida e dos
tradicionais direitos do homem assentes nas nossas raízes cristãs para que seja
possível ajudarmos a construir um Portugal bem melhor.

No próximo mês de Janeiro o País vai assistir a uma nova eleição presidencial. Mais
uma vez vamos expor a Chefia de Estado à fractura e conflitualidade ideológica,
enfraquecendo a sua autoridade e representatividade. São essas as consequências
mais evidentes da eleição do Chefe de Estado. Seria de elementar justiça e
inteligência política retirar da Constituição os elementos não democráticos que
impedem a possibilidade de o Povo preferir ter um Rei, à semelhança do que
acontece hoje em vários países europeus e alguns fora da Europa, que são geralmente
exemplos de coesão política, eficácia e transparência democrática.

A chefia de Estado, independente dos poderosos interesses económicos e políticos,
exercida pelos Reis e Rainhas actuais é que tem conseguido garantir melhor estes
valores, assim como a soberania e a identidade nacional aos seus povos.

Como se pode verificar nos países escandinavos, no Luxemburgo, Bélgica e
Holanda, no Reino Unido, entre outros.

Quando se assinalam os 380 anos da restauração da independência nacional, através
de uma heróica intervenção dos nossos antepassados, o caminho que a actual crise
sanitária e económica nos exige é o da adaptação dos nossos comportamentos na
defesa do bem comum e vencer o medo de um futuro incerto e exigente.
Tenho a certeza de que uma vez mais os Portugueses saberão ultrapassar este
momento e sair vitoriosos.

Viva Portugal!

sábado, 25 de abril de 2020

MENSAGEM DE S.A.R. O SENHOR DOM DUARTE DE BRAGANÇA AOS PORTUGUESES



Mensagem do Chefe da Casa Real Portuguesa, S.A.R. o Senhor D. Duarte, Duque de Bragança, a propósito da crise de saúde pública emergente

Portugueses:

Nas circunstâncias da pandemia que vivemos, reconheço os valores que constituem a alma portuguesa e que se manifestam hoje com profunda esperança no nosso futuro comum. São exemplo disso a civilidade e a prontidão com que os portugueses se mostraram convocados para o bem de todos, visível na tranquilidade e prudência com que se respeitam as instruções das autoridades, reduzindo o comércio, fechando os escritórios ou limitando ao mínimo indispensável a saída de suas casas.

Não esqueço as Comunidades Portuguesas espalhadas pelo mundo e a forma como nesses locais de residência e trabalho tão bem têm representado Portugal quando é tão importante ser exemplo.

Uma palavra de enorme respeito e gratidão por todos os médicos, enfermeiros, profissionais da saúde e de lares que, em condições de grande tensão e cansaço, e grave falta de meios, têm sido inexcedíveis a cuidar dos doentes do covid-19 e das outras enfermidades, com altruísmo e generosidade, mostrando bem de que fibra são feitos. Assim também aos cientistas e pesquisadores nacionais que afincadamente procuram remédio.

Com apreço quero agradecer a todos quantos servem a comunidade que somos, minorando as consequências das circunstâncias e permitindo um confinamento tão confortável quanto possível - militares, bombeiros voluntários, forças de segurança, profissionais dos serviços básicos de limpeza, água, etc., das mercearias e supermercados, farmácias, e tantos outros.

Não esqueçamos o fundamental serviço prestado pelos agricultores. Agora mais do que nunca percebemos a importância de Portugal poder produzir uma boa parte do que todos consumimos…

Com alegria, vejo também a criatividade e engenho com os quais tantas empresas particularmente atingidas pela queda brusca da sua actividade se reinventam para acudir a quem mais precisa, criando propostas onde parecia só haver desalento: cozinhas de hotéis que trabalham para IPSS, restaurantes e pequenos negócios que fazem entregas em casa, e tantos outros.

A todos quantos se vêem com o seu sustento familiar subitamente interrompido ou diminuído, manifesto a minha total solidariedade.

Vejo com grande preocupação as muitas famílias que emigraram para Portugal com dificuldades económicas, em particular as do Brasil, terra Natal de minha Mãe. E fico feliz pelas muitas pessoas que continuam a ajudar aqueles que, por estarem aqui há pouco tempo, não beneficiam de apoio da Segurança Social.

Saibam que não estão esquecidos e que, como noutras crises, entre todos havemos de encontrar soluções para a vossa grande aflição.

Quantos voluntários e instituições caritativas multiplicaram esforços para chegar aos mais vulneráveis e atingidos, apoiados no reforço financeiro que de outras famílias lhes vai chegando através de donativos.

A todos os que, enlutados, sofrem a dor da morte nas suas famílias, a minha compaixão.

Nunca como agora se manifestou tão claramente a importância das várias profissões e a honradez do trabalho de cada um e quanto em sociedade dependemos uns dos outros.

É também nestes momentos em que lutamos contra um inimigo invisível que vemos como os Portugueses respondem com serenidade. Vemos como um número crescente de pessoas prefere comprar produtos agrícolas ou industriais produzidos em Portugal, contribuindo para diminuir o desemprego e a crise económica que ameaça a sobrevivência da nossa economia. As escolhas inteligentes são cada vez mais importantes para garantir o nosso futuro colectivo!

Nesta altura em que nos sentimos, de certa maneira, isolados não deixamos de pensar nas pessoas que estão mais sozinhas e desamparadas.

Havemos de viver esta crise também como oportunidade, firmes na grandeza das inúmeras qualidades que são as nossas, certos na Esperança que nos foi confiada.

Espero que esta Páscoa e esta provação nos tenha recentrado no essencial da vida e nos conceda a todos, crentes e não crentes, um espírito de renovação, de Paz e de unidade.

Sua Santidade o Papa Francisco disse que esta pandemia era “uma resposta da Natureza” face ao nosso comportamento. Que este aviso nos leve a respeitar melhor o ambiente, não esquecendo o respeito pela Natureza humana que inclui o direito à vida dos mais frágeis.

Peçamos à Imaculada Conceição, Rainha de Portugal, que mais uma vez proteja a nossa Pátria!

Assim também se cumpra Portugal.


Dom Duarte de Bragança

Sintra, 23 de Abril de 2020

terça-feira, 17 de março de 2020

MENSAGEM AOS PORTUGUESES DE SUA ALTEZA REAL O DUQUE DE BRAGANÇA

Durante as últimas semanas temos vindo a ser confrontados com um desafio que nunca imaginámos que nos pudesse acontecer. De forma inaudita o Coronavírus tem alastrado a grande velocidade pelo mundo, tendo chegado a Portugal nos últimos dias e com crescimento exponencial.
Inicialmente, ninguém quis acreditar no que nos estava a atingir, mas rapidamente os portugueses adoptaram um comportamento notável para este enorme desafio que se nos coloca.
Milhares de cidadãos e empresas já tomaram medidas. Os cidadãos restringindo movimentos e recolhendo-se em casa, tendo iniciado um período de quarentena e isolamento social por sua voluntária iniciativa. Por seu lado, as empresas privadas e outras instituições deram um exemplo notável ao longo da última semana disponibilizando condições para os seus trabalhadores poderem exercer as suas actividades em casa, implicando uma maior segurança para as suas famílias, bem como dos seus colegas.
De forma admirável toda a sociedade está a organizar-se num enorme esforço para ultrapassar este perigo com a maior rapidez possível.
Ainda neste sentido, gostaria também de dar uma forte palavra de apreço e gratidão aos profissionais da saúde que estão na linha da frente deste combate, correndo enormes riscos pessoais de forma muito profissional e generosa. Quero estender o agradecimento a todos os que por motivos profissionais ou por voluntariado trabalham para a protecção dos portugueses, nomeadamente forças de segurança civis e militares, bombeiros, farmacêuticos. Não esquecemos os sacerdotes e religiosas que nos ajudam nesta altura difícil assim como todos aqueles que pelo seu trabalho e risco da própria saúde permitem o funcionamento do comércio de abastecimento alimentar.
O Governo, por seu lado age com maior cuidado, tendo vindo a tomar as suas decisões, ponderadas, mas sempre alguns passos atrás da sociedade, que por sua iniciativa está sempre à frente.
Temos vindo a assistir a sucessivos apelos da população aos governantes para tomarem medidas mais rapidamente. Primeiro foi o encerramento das escolas, agora o pedido de declaração do estado de emergência e de iniciativas para apoiar as empresas e a estrutura económica.
É difícil compreender na situação em que estamos a viver como é possível convocar o Conselho de Estado que deverá definir o estado de emergência do país para meados desta semana. Todos os estudos realizados sobre este tipo de situações indicam que, quanto mais rapidamente e de forma radical actuarmos, mais depressa podemos conter o crescimento da pandemia e retomar a normalidade.
O comportamento exemplar dos portugueses exige uma maior rapidez por parte dos seus governantes.
Situação como a recuperação do controlo das nossas fronteiras não deve continuar a ser protelada. Não podemos continuar a assistir a situações como a do navio que foi proibido de atracar em Lisboa e que seguiu para Espanha, tendo os seus passageiros vindo para Portugal por terra. Não podemos aguardar pela Europa quando a descoordenação é grande.
Não quero também deixar de referir que as empresas necessitam de um forte apoio por parte do Governo e que a resposta terá de ser também rápida. O país vai, com certeza, sobreviver a esta prova, mas precisamos ter empresas sólidas que nos permitam encarar o futuro com confiança.
O tempo é curto, a partir de hoje o IVA das empresas estará a pagamento e até à próxima sexta-feira as contribuições sociais. No início deste ano, em consequência do Corona Vírus, que já atingiu a China há mais tempo, as empresas não têm desenvolvido a sua actividade de uma forma normal, com consequências na sua rentabilidade. Assim, o Estado deverá assumir responsabilidades perante as empresas portuguesas, aliviando a sua tesouraria, permitindo pagamentos mais urgentes como são ordenados e fornecedores.
Ao longo dos últimos anos, as empresas portuguesas têm vindo a sofrer uma forte descapitalização o que dificulta a sua actividade para os desafios que se vão colocar. É necessário assegurar que as empresas vão ter capacidade para aguentar dois, três ou quatro meses de actividade reduzida para posteriormente voltarem a actuar. O bem-estar dos portugueses depende da capacidade de dar respostas rápidas. Os tempos são de excepção, por uma vez há que não olhar às despesas.
Os tempos que aí vêm poderão trazer-nos más notícias, temos que nos preparar para isso. Mas serão também uma oportunidade para o nosso desenvolvimento pessoal. Por outro lado, mostra-nos ainda a importância do nosso relacionamento com o próximo, das nossas famílias, dos nossos amigos, dos nossos vizinhos, etc. Na realidade dependemos todos uns dos outros, do nosso espírito de entreajuda e solidariedade. São momentos de adversidade como o que estamos a viver que nos fazem reflectir sobre o que temos e a que por vezes não damos valor.
A minha família e eu, como todos os portugueses, vivemos com alguma apreensão os tempos que se aproximam, mas ao mesmo tempo com uma grande confiança de que, juntos, iremos todos superar este momento difícil e sair mais fortes. Estaremos em isolamento, à semelhança de todos e tentaremos tirar partido da melhor forma desta inusitada situação.
Os portugueses foram sempre grandes nas épocas difíceis demonstrando uma união e uma solidariedade difícil de encontrar noutros povos. Foi assim em tantas situações ao longo da nossa história.
Tenho a certeza que é isso que mais uma vez faremos, respeitando as orientações dos responsáveis políticos. Vamos ser novamente heróis ajudando a salvar a nossa vida e a dos nossos mais próximos, ficando em casa com a calma, a responsabilidade e a serenidade que o momento exige.
Só assim conseguiremos vencer esta guerra, que nos toca a todos.
Finalmente, reitero o apelo ao governo para a declaração do estado de emergência nacional que permita declarar quarentena obrigatória a toda a população, salvo serviços essenciais assim como a recuperação do controlo das fronteiras. São momentos extraordinários que requerem medidas de excepção máxima.
Nos momentos mais graves da nossa história sempre imploramos a Divina protecção e o maternal socorro de Maria, a Imaculada Conceição, que foi proclamada nossa Rainha pelos legítimos representantes de todo o povo português, solene decisão que nunca foi politicamente revogada. Assim a saibamos merecer.
Termino com uma palavra de confiança no sentido de responsabilidade e de espírito de comunidade de todos os portugueses. Que ninguém se sinta sozinho nesta luta. Estamos, como sempre estivemos, juntos por um bem maior que é Portugal e os portugueses.
Dom Duarte, 16 de Março 2020