A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

quinta-feira, 10 de junho de 2021

10 DE JUNHO: DIA DE SÃO MIGUEL ARCANJO, ANJO DA GUARDA DE PORTUGAL E ANJO DA PAZ

 


O Anjo de Portugal é, até hoje, o único Anjo da Guarda de um país com culto público oficializado e foi o único Anjo da Guarda de uma nação que apareceu aos homens."
Somos um País privilegiado que muitas vezes nos esquecemos desses privilégios neste cantinho abençoado por Deus e que sempre foi chamado de Terra De Santa Maria
Vinde, Anjo de Portugal, livrar a Pátria e os portugueses de todo o mal. Amem




As aparições do Anjo de Portugal aos Pastorinhos de Fátima


Na primavera de 1916, um Anjo do Céu visitou três pastorinhos em Portugal, preparando os seus corações para as aparições de Nossa Senhora de Fátima."

Primeira Aparição

A primeira aparição do Anjo teve lugar na Loca do Cabeço, um local dos arredores de Aljustrel. Era um dia chuvoso naquela primavera de 1916. Na Loca do Cabeço havia umas pequenas grutas, que ainda hoje se podem visitar, onde os pastorinhos se abrigavam. Ao acalmar-se a tempestade, saíram da gruta e foi quando se levantou um vento forte. 

A pouca distância deles, no meio do olival, depararam-se com uma figura que tinha "A forma de um jovem de 14-15 anos, mais branco que a neve e transparente como o cristal atravessado pelos raios do sol, e muito belo", segundo palavras de Lúcia. Aproximou-se deles e disse "Não tenhais medo. Eu sou o Anjo da Paz. Rezai comigo.

Ajoelhou-se e inclinando o rosto até ao chão pediu para rezarem três vezes "Meu Deus, eu acredito, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão pelos que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam." Depois levantou-se e disse "Orai assim. Os corações de Jesus e de Maria estão atentos à voz das vossas suplicas." Dito isto o Anjo mais branco que a neve deixou as três crianças.

Durante o resto do dia as crianças sentiram-se tão bem, que nem eram capazes de comentar o sucedido entre eles. O Francisco rezou de acordo com aquilo que a sua irmã (Jacinta) e a sua prima (Lúcia) lhe disseram, na medida em que via o Anjo mas não o ouvia.

Segunda Aparição

A segunda aparição teve lugar cerca de dois meses mais tarde. O local escolhido desta vez não foi a Loca do Cabeço, mas o poço situado atrás da casa dos país da Lúcia. Era hora de sesta e tudo estava calmo, apenas as crianças brincavam nas traseiras da casa quando de súbito se depararam novamente com a imagem do Anjo que disse: "O que fazem? Rezai, Rezai muito. Os corações de Jesus e de Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente ao Altíssimo orações e sacrifícios.

A Lúcia perguntou ao Anjo como se deveriam comportar. "De tudo o que puderdes, oferecei um sacrifício ao Senhor em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de suplica pela conversão dos pecadores."

Os pastorinhos ficaram com estas palavras guardadas. Começaram então a fazer sacrifícios e a rezar a oração que o Anjo lhes ensinou.

Terceira Aparição

No Outono do mesmo ano encontravam-se os pastorinhos a rezar a oração que o Anjo lhes ensinara, no local onde acontecera a primeira aparição, na Loca do Cabeço, quando de subitamente o Anjo lhes aparece novamente. Nesta aparição o Anjo se apresentou-se com um Cálice na mão esquerda e uma Hóstia na mão direita sobre o Cálice e da qual caiam pingas de sangue. 

O Anjo ajoelhou-se ao lado dos pastorinhos, deixando o Cálice e a Hóstia suspensos no ar, enquanto lhes pedia para rezarem três vezes a seguinte oração: "Santíssima Trindade Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do seu Sacratíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores."

O Anjo levantou-se, tomou com ele o Cálice e a Hóstia que tinham ficado suspensos, deu a Hóstia à Lúcia e o conteúdo do Cálice ao Francisco e à Jacinta dizendo: "Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o Vosso Deus."



Anjo da Guarda de Portugal (1981) de Manuel Faria interpretado pelo Grupo Vocal Ançã-ble [2013].

Mário Neves



Hino ao Anjo de Portugal
Ó Anjo de Portugal
Tu, Custódio dos mistérios lusitanos
Que com teu dedo indicas
Quem a eles pode aceder
Quem deles deve ser afastado
Tu que velas sobre o Tejo do Espírito
Que lhe regulas o curso e leito
Que te elevas muito acima
Dos comércios humanos
Que manténs inacessível a taça sagrada
Tu, guardião único do Porto do Graal
Guia-nos pelo nevoeiro da madrugada
Até ao vasto e luminoso cais
Onde acostará a nau do Rei duas vezes nascido
Concede-nos o privilégio de O acolher
E de descobrir o misterioso néctar
Escondido no maravilhoso vaso
Que Ele segura em Suas régias mãos
Rémi Boyer
in "Hinário ao Rei Encoberto - 17 Trovas Sebastianistas"






QUIS UT DEUS

Visão de D. Afonso Henriques de Jesus Cristo e do Anjo Custódio de Portugal durante a Batalha de Ourique em 1139.

Que Nosso Senhor tenha piedade do nosso país, que o livre dos seus inimigos, restaurando a Santa Religião e o Trono. Viva Portugal!


“O 10 de Junho era o dia da Raça. E a raça era a dos Portugueses de todos os séculos, de todas as raças e que foram de muitos continentes. Somos uma nação de pioneiros da globalização que, na universalidade, nunca perdeu a identidade, antes a foi recriando com os povos que foi encontrando. E não nos vangloriámos com irrealidades, antes tivemos também sempre um grande sentido do real e do trágico na vida dos homens e dos povos, na ascensão e queda dos Impérios e das civilizações” Jaime Nogueira Pinto, in Observador

10 de Junho

Se não é a pertença a uma comunidade na História o que nos une numa humanidade comum, o que propõem então que seja?
“Old soldiers never die”. A frase, celebrizada pelo general Douglas McArthur no seu discurso de despedida, em 1951, vem de uma velha canção de guerra inglesa.
“Old soldiers never die”. É bonito mas não é verdade. Os velhos soldados morrem, como toda a gente. E, como quase toda a gente, morrem também na memória de quase todos. Sobretudo nesta nossa “ditosa pátria”. Cada vez somos menos os que teimamos em proclamar, todos os anos, no memorial dos Combatentes, a memória dos nossos amigos e camaradas que morreram. E muitos depois do fim das últimas guerras do Império.
O Guilherme, o Jaime, o Alfredo, o Zé, o Miguel, o Victor, entre tantos outros. Eles e os milhares que não chegaram a “velhos soldados” têm ali o nome gravado na pedra. Lembramo-los todos os anos. E vamos voltar a lembrá-los este ano, a 10 de Junho, primeiro na missa nos Jerónimos, às 10h30, e depois ali mesmo, no memorial. Seremos menos, em cumprimento das restrições pandémicas, mas vamos lá estar.
As nações são feitas disto mesmo – de glórias e derrotas e da memória dos sacrifícios que os seus filhos por elas fizeram, em guerras ganhas ou perdidas. A que então travámos, creio poder dizê-lo em nome da maioria dos que por lá passámos, foi uma guerra sem ódio. Digo-o pela amizade que fui encontrando em alguns dos que então combatemos. Os nossos mortos lutaram e morreram pela nação; os mortos dos que então nos combateram morreram por nações que queriam ver nascer.

Globalismo e subordinação

E a nação, realidade que alguns se esforçam por cancelar ou proibir, continua a ser importante. E agora talvez mais que nunca. Até porque parece ser, afinal, a nação, o único corpo intermédio capaz de defender os povos das tutelas globais. E se não é a pertença a uma comunidade na História o que nos une, irmana e congrega numa humanidade comum, o que propõem então que seja? O sermos todos inodoros, incolores, insalubres, neutros, fluidos e inclusivos? Ou pior, o sermos só nós, do alto da nossa hipócrita e soberba “perfeição ocidental”, os únicos chamados à irrealidade da contrição perpétua, do cancelamento cultural e da suprema glória do desenraizamento e do angelismo transcultural?
A crer na comunicação social e no silêncio cúmplice ou no aplauso tímido de uma direita temerosa, só os burros, os ignorantes, os retrógrados, os fascistas, os populistas, os xenófobos, os de extrema-direita imaginam inexistentes tutelas globais ou censórias derivas mundialistas de oligarquias iluminadas. Veja-se, por exemplo, Georgia Meloni, dos Fratelli d’Italia, que recentemente voltou a chamar a atenção para o globalismo de subordinação que pretende substituir a soberania nacional e popular pelas tutelas subtis e doces de Bruxelas, de Frankfurt e de Davos, falando da nação como defesa dos povos da Europa contra os mandatos transnacionais. Pura desinformação.
E no entanto, torna-se cada vez mais evidente a estranha aliança táctica e objectiva (e às vezes subjectiva) que está em curso. A aliança de um mega capitalismo internacionalista de “fundos piratas” e senhores da Big Tech com um radicalismo pós-marxista acolhido, endossado e divulgado pela opinião média. É que por mais que alguns queiram perpetuar a imagem do “grande capitalista”, de fato às riscas, charuto e relógio de bolso, ligado às forças conservadoras e “fascistas”, não há como não ver que a ideologia que hoje serve o “mega-capitalista”, de ténis, t-shirt e causas e casas ecológicas e alternativas, está longe de ser o conservadorismo, o populismo, o extrema-direitismo, o fascismo, os nacionalismos que, ao contrário, o ameaçam.
E como as nações, o nacionalismo e os valores identitários são o símbolo por excelência de tudo o que “impede a marcha do progresso”, são o alvo a abater… As nações e os valores identitários do Ocidente euroamericano, bem entendido, porque noutras latitudes já pode haver valores identitários nações e nacionalismos, como o da República Popular da China, um nacionalismo autoritário de partido único e de capitalismo de direcção central, mas que talvez seja melhor não desafiar.
De acordo com as regras destes zelosos pastores do puritanismo multicultural, os asiáticos e os africanos, coitados, podem ser nacionalistas; mas nós, europeus, nós, ocidentais, mais misericordiosos, justos, perfeitos, humanitários e civilizados que os outros, não podemos nem devemos descer tão baixo. Nações, raízes e identidades são primitivas minudências que se compreendem perfeitamente nos outros, que se acolhem, que se aclamam até, mas que a nós, ocidentais, chamados a coisas maiores, não nos ficam bem. Cancelar raízes, pertenças, passados e culturas para atingir a suprema neutralidade e inclusividade é o mínimo a que podemos aspirar.
Daí talvez o luso esforço das campanhas de desnacionalização (veja-se por exemplo, o Programa de História A, 10º, 11º, e 12º anos do Curso Científico-Humanístico de Línguas e Humanidades), que, à luz de ideais “científico-humanitários”, combatem a “desinformação histórica”, apelando à condenação e à contrição perante uma História-pátria e uma identidade que, depois de rigoroso fact check, se revelam, afinal, negras.

O regresso da nação

Entretanto, resistindo a este delirante cancelamento cultural, a valorização da História e da Nação parece estar de volta. De Budapeste a Paris, de Varsóvia a Roma e a Madrid, sob diferentes regimes e em diferentes situações de poder ou oposição, ganham espaço político, pelo voto popular, movimentos e partidos que defendem a identidade e a soberania nacionais, a liberdade de expressão, a prática religiosa, uma visão meta-política da política e um conceito tradicional e realista de família e de comunidade. E esta valorização aparece com força porque os valores que se reafirmam estão em risco por acção de uma minoria com hegemonia gramsciana no Estado e na Sociedade.
Por isso, é preciso que alguns – de direita, de esquerda, do que for – os afirmem em nome do realismo, do senso comum, da continuidade dos modos de vida e das comunidades que construímos na História. E se os partidos sistémicos e as instituições se calam, teremos de ser nós, os que não temos medo que nos achem estúpidos, a resistir.

Camões, o realista

O 10 de Junho era o dia da Raça. E a raça era a dos Portugueses de todos os séculos, de todas as raças e que foram de muitos continentes. Somos uma nação de pioneiros da globalização que, na universalidade, nunca perdeu a identidade, antes a foi recriando com os povos que foi encontrando. E não nos vangloriámos com irrealidades, antes tivemos também sempre um grande sentido do real e do trágico na vida dos homens e dos povos, na ascensão e queda dos Impérios e das civilizações. Ou tiveram-no os nossos melhores. E ainda que as notas “científico-humanísticas” que se adivinham sobre “desinformação e preconceito” em Camões possam vir a dizer o contrário, é difícil não ler n’Os Lusíadas grandeza, aventura, vitórias, também cupidez, servilismo, traição.
Como Fernão Lopes, como Gil Vicente, como Diogo de Couto ou Fernão Mendes Pinto, Camões é um épico lúcido que, como os clássicos gregos e latinos que o inspiraram, conhece a natureza humana (coisa que os novos puritanos do radicalismo importado parecem desconhecer), e sabe que os heróis – os seus heróis individuais, o Fundador, o Condestável, Gama ou Albuquerque – são profundamente humanos. Humanos no bom e no mau. E que o seu herói colectivo – o Povo Português – também vacilou, também esqueceu, também abandonou, também traficou, também se perdeu. E que foi um povo que, no ano da morte do poeta, perdeu a independência com a “união real” a Madrid.
Camões teve o cuidado de dar voz ao contraditório da Expansão, com o Velho do Restelo (o “Idoso do Restelo” não falaria assim), queixando-se também do “desamor às boas letras”. E no lamento final do seu poema maior, foi dizendo:
Não mais, Musa, não mais, que a Lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Duma austera, apagada e vil tristeza.

Túmulo de Camões nos Jerónimos

Contra a decadência e o decadentismo

Esta é também uma das nossas muitas horas de decadência, decadência crónica ou que continuamente encontramos e que alguns dos grandes pensadores e patriotas de oitocentos – como Herculano, Antero de Quental e Oliveira Martins – também viram aprofundar-se no seu tempo. Mas que diriam se estivessem hoje aqui e se confrontassem com a nossa agravada submissão e veneração ao exterior? Que diriam das delirantes ideias e práticas que não nos servem nem a ninguém mas que agora que nos chegam em virtuais caixotes…da América? E qual não seria o espanto de Camilo e de Eça ao reencontrar hoje um Portugal de Calistos Elóis, de conselheiros Acácios, de Dâmasos, de Palmas Cavalões em múltiplas réplicas tristemente actualizadas em traços caricaturais mais ridículos e mais carregados ainda?
Toda esta bela e festiva sociedade está agora alarmada, ofendida e até assustada porque, ao fim de 47 anos de regime mais ou menos concordante, aparecem algumas vozes de discórdia.
É bom que se sinta alarmada. Mas pior que classe dirigente e a esquerda radical alarmadas é uma direita que não vê a utilidade e a utilização desse alarme para a perpetuação no poder dessa mesma classe. Uma direita ora obediente e também alarmada ora chorosa, derrotista e masoquista, descrevendo o tempo e o modo da Decadência e do Fim como um irremediável e inevitável castigo da História a que não podemos nem devemos resistir.
O 10 de Junho deve significar o contrário e inspirar e dinamizar a vontade sem medo que o povo português sempre mostrou. Resistir e mudar as coisas é e deve ser a palavra de ordem.

Jaime Nogueira Pinto, in Observador

Álvaro Meneses


SANTO ANJO DA GUARDA DE PORTUGAL- Obra da Escultora Maria Amélia Carvalheira





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