A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

domingo, 2 de fevereiro de 2014

"OS POLÍTICOS NÃO PODEM LEVAR O PAÍS À BANCARROTA"

abaixo
A Colunata Bom Jesus, em Braga, foi o local escolhido para o já tradicional Jantar de Reis deste ano. Os duques de Bragança foram os convidados de honra deste evento, que teve como principal objectivo a angariação de fundos para a recuperação do telhado da Basílica Nossa Senhora do Sameiro. “O Estado devia financiar a manutenção de monumentos. É inadmissível que se deixe degradar um dos símbolos de Braga”, afirmou D. Duarte à chegada ao jantar.

O representante da Casa Real portuguesa aproveitou ainda para alertar para a crise nacional e sublinhar a sua esperança para 2014. “Espero que consigamos aprender com as missões positivas que os portugueses têm vindo desenvolver e aprender também com os erros do passado para não os repetir, e os políticos não podem levar o país à bancarrota, não os podemos deixar fazê-lo”.

Jorge Ortiga, arcebispo da cidade, também esteve presente nesta iniciativa solidária, onde aproveitou para promover algumas iguarias da região, com a participação de várias confrarias gastronómicas e empresas do sector alimentar. E revelou-se feliz. “Os tempos que correm têm necessariamente de ser tempos de solidariedade para com as pessoas, mas também para com as instituições. O Santuário do Sameiro é um ícone do Minho, teve necessidade de passar por grandes reformas, particularmente no que concerne ao telhado, e tudo o que possa ser ajuda é algo que temos de apreciar e agradecer”, afirmou o sacerdote.

O jantar contou com a presença de mais de 600 convidados. Cada um deles pagou 25 euros, contabilizando mais de 15 mil euros, a que se juntaram ainda outros donativos particulares e o resultado de uma venda de rifas que decorreu durante o jantar. D. Duarte já garantiu que pretende marcar lugar no Jantar de Reis do próximo ano.
 
D. Duarte de D. Isabel foram recebidos com danças e cantares regionais
O Jantar de Reis deste ano contou com a presença de várias personalidades, como Maria Augusta Osório de Castro. Recorde-se que, desde a morte do marido, Manuel Carlos de Lemos, em 2011, são raras as presenças de Maria Augusta em eventos sociais, mas desta vez o seu lado solidário falou mais alto.

SABERES COM HISTÓRIA NO MUSEU DOS BISCAINHOS

 
A Sinfonieta de Braga
  
Degustação e venda das especialidades de Bolo-Rei da Cidade de Braga.
Apresentação das Viúvas, um doce conventual de Braga, com receita estudada e disponibilizada pelo Mosteiro de Tibães, e desenvolvida pela Doçaria de S. Vicente.
Coro dos Antigos Alunos da Escola Industrial e Comercial de Braga.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

ALMOÇO COM S.A.R. O SENHOR DOM DUARTE DE BRAGANÇA EM AVEIRO







Pintura Santa Joana

A pintura terá sido produzida na Flandres entre o final do século XVII e o início do XVIII eventualmente destinada à Casa Real Portuguesa, ficando num dos seus palácios em Lisboa. Integrou certamente a decoração do Palácio da Ajuda, pela mão e gosto da Rainha D. Maria Pia. Em 1910, aquando do exílio da Família Real, D. Maria Pia e D. Amélia encontram-se com D. Manuel II e partem de Mafra para o exílio, seguindo a Rainha viúva, conhecida por a Mãe dos Pobres ou o Anjo da Caridade, para a sua Itália natal. A pintura é deixada no Piemonte, no Palácio Stupinigi, até que, por herança, passa a pertencer ao Príncipe Amadeu de Sabóia que a vende em leilão realizado recentemente em Turim.

No passado dia 25 de Outubro de 2013 a AMUSA- ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DO MUSEU DE AVEIRO consegue numa última oportunidade para a sua aquisição, concretizada graças ao contributo generoso de diversas pessoas e entidades. Está em Aveiro desde o dia 5 de Dezembro de 2013, e apresenta excelente estado de conservação.

A partir do dia 8 de Fevereiro de 2014 será propriedade do MUSEU DE AVEIRO valorizando o seu importante espólio.

https://www.facebook.com/museuaveiro

NÓS NÃO ESQUECEMOS!







EM MEMÓRIA

Em 1 de Fevereiro de 1908 - vai fazer precisamente 106 anos - quando a Família Real Portuguesa regressava de um período de vilegiatura em Vila Viçosa, ocorreu o trágico episódio que ficaria conhecido na História de Portugal como o Regicídio.
 
A Família Real Portuguesa foi vítima de um atentado terrorista perpetrado por membros da maléfica Carbonária. Quando percorriam o Terreiro do Paço num landau, a exaltação republicana e vermelha dos “primos” Manuel Buiça, Alfredo Costa e mais três fez-se “A Eles!”. O Costa disparou cobardemente pelas costas dos membros da Família Real e acertou El-Rei Dom Carlos na nuca; num acto de enorme coragem o Príncipe Real Dom Luís Filipe sacou o seu Colt do coldre e começou a disparar sobre o assassino de seu pai, mas os solavancos da carruagem fazem-no errar a pontaria e, acaba, também, assassinado pela descarga repetida de tiros do terrorista. O Buiça, que tirara a carabina escondida no varino, também, disparou atingindo Dom Manuel no braço direito, enquanto a Rainha Dona Amélia aos gritos de “Infames!”, e, “armada” de um ramo de flores, tentava corajosamente, mas em vão, proteger a sua amada família. O tenente Francisco Figueira trespassou, então, o Buiça com a espada e pôs-lhe fim aos intentos assassinos. Os outros acabaram, também, às mãos da polícia.
 
Mataram o Rei de 44 anos! Mataram o Príncipe Real de 20, e, com a sua morte, num período tão abundante de esperanças, aconteceu o primeiro sinal das mais trágicas desilusões.

GRANDES ENTREVISTAS DE S.A.R. DOM DUARTE À IMPRENSA MINHOTA

abaixo

Grande entrevista de S.A.R. Dom Duarte de Bragança ao Diário do Minho

 “A FIGURA DE UM REI REPRESENTA UM ACRESCENTO À DEMOCRACIA” - D. Duarte Pio de Bragança
Em visita à cidade de Braga, D. Duarte concedeu uma entrevista ao Igreja Viva. A “Evangelium Gaudium”, a lei do aborto ou a actual crise são alguns dos temas abordados por D. Duarte, referindo a alternativa de um regime monárquico constitucional para Portugal.



Na sua Mensagem para o dia 1 de Dezembro de 2013 refere a Exortação «Evangelium Gaudium» de Papa Francisco como uma referência para católicos e não católicos. Que ensinamentos podemos retirar desta Exortação, na sua opinião?
O Papa Francisco I conseguiu chamar a atenção do mundo leigo actual - em geral muito ignorante e formado por ideias feitas e preconceitos - para a Doutrina Social da Igreja. Ele não diz nada que não esteja na Doutrina Social da Igreja, mas diz de uma maneira muito actualizada, numa linguagem muito simples, sem formalismos e expressões “caras” que os bispos gostam muitas vezes de usar. Há expressões, se reparar, que só os bispos e os padres é que usam – ninguém mais usa, por exemplo, a expressão “hodierno”, já ninguém sabe o que isso quer dizer, e eles continuam a usar essa expressão. Depois, é claro que uma parte dos movimentos, dos grupos de pensamento não católicos geralmente hostis ao catolicismo, alegraram-se muito com frases que ele disse. “Ah! Até que enfim que um Papa diz que não devemos estar obcecados com o homossexualismo, ou que temos de nos preocupar maioritariamente com os pobres”. Porque são muito ignorantes, percebem agora o que a Igreja sempre disse: temos de receber toda a gente, tal como Cristo recebia as prostitutas, ou como foi comer a casa do cobrador de impostos desonesto (que depois acabou por se tornar Apóstolo, S. Mateus). De facto este Papa consegue despertar as pessoas para estas informações muito importantes: o que ele está a dizer tem sido muito útil para os não cristãos, os não crentes, os ateus, perceberem coisas que não conseguiam perceber porque fechavam os ouvidos ao ensinamento da Igreja. É bom que a nossa Igreja em Portugal aprenda algumas coisas práticas com o Papa.
Também vou dizer uma coisa que sei que alguns Bispos vão ficar zangados comigo, se lerem isto: é que eu tenho pena que alguns dos ensinamentos que os Papas têm passado, muitos bispos portugueses e muitos párocos portugueses não queiram nem saber.
O Papa Bento XVI, por exemplo, disse claramente (e escreveu) que não se pode de modo nenhum proibir que se celebrem missas no rito tridentino – nunca foi proibido! Foi somente permitido que se usassem novas liturgias – e há muitas liturgias em uso no catolicismo: na Síria, por exemplo.
E porque não se pode também, em alguma comunidade, celebrar a liturgia tridentina? Depois, por exemplo, o Papa tentou dar o exemplo e pediu que as pessoas, por uma questão de respeito e de manifestação de adoração, se ajoelhassem para comungar; em Portugal os párocos têm muito medo, porque acham que, se fizerem isso ou se derem essa possibilidade, são acusados de serem ultraconservadores. Eu conheço um pároco que fez uma coisa muito inteligente: colocou um genuflexório num lado: quem quiser ajoelha-se, quem quiser fica de pé. Isso é a atitude mais democrática.


Na mesma Mensagem, aborda a actual crise que o país vive, uma crise que ultrapassa em muito o âmbito económico. Parece-lhe que uma mudança de regime, no sentido de uma Monarquia Constitucional, poderia ser o caminho para uma renovação nacional?
A crise portuguesa tem basicamente duas origens: ignorância, por um lado, e imoralidade, por outro (não sei em que percentagem). Os crimes económicos que foram feitos contra a economia nacional nestas dezenas de anos foram somente por ganância e corrupção, ou por ignorância. Qualquer dona de casa sabe que, se gasta mais do que tem, acaba mal; como é que os nossos políticos não perceberam que, se gastavam 5 a 10% mais do que aquilo que o Estado tinha, acabavam mal? Internacionalmente denunciava-se essa situação, o professor Medina Carreira denunciava isto, os economistas sérios também o faziam. No entanto, o Estado continuou a fazer isto, até entrar em falência fraudulenta quando o governo Sócrates teve de pedir ajuda internacional. Agora anda toda a gente muito zangada com o médico que vem tratar das nossas doenças, porque dão-nos remédios muito amargos; mas não pensamos que nós é que andámos estes anos todos a estragar a nossa saúde económica: a matar a capacidade produtiva, a destruir a economia e a gastar os nossos recursos e o dinheiro emprestado pelo estrangeiro, a fazer coisas que não produzem riqueza: as auto-estradas, a Expo de Lisboa, o Centro Cultural de Belém... centenas de obras nas Câmaras Municipais, luxos de país muito rico que mesmo países mais ricos do que nós não têm... fizemos isso tudo e agora não temos dinheiro para pagar os salários da função pública. E então vêm uns sujeitos que não percebo se estão de má fé ou se são ignorantes, que são os Juízes do Tribunal Constitucional, e dizem que “não se pode economizar aqui, não se pode economizar ali”, não se pode cortar nada... qual é a solução? Aumentar os impostos, matando-se a economia produtiva. Qual teria sido a vantagem de Portugal ter um rei? É que, como acontece com os países da Europa mais desenvolvida (países escandinavos, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Reino Unido), o rei discretamente avisa os governantes e diz “vocês estão a ir por um caminho perigoso”: eu sei que há corrupção aqui... então discretamente ajuda os governos... de modo que há todo um acrescento à democracia, a figura do rei acrescenta qualquer coisa à democracia que as repúblicas não têm porque os presidentes da República, em Portugal, são todos de uma origem partidária. E portanto estão comprometidos com as políticas – com os erros políticos - cometidos com os partidos, não têm a autoridade para denunciarem os erros que estão a ser cometidos – a não ser o general Ramalho Eanes, que hoje quase toda a gente considera o melhor presidente que tivemos, exactamente porque, como ele disse, tentou agir como um rei constitucional (foi a definição que ele deu do seu próprio mandato).
Num regime monárquico constitucional em Portugal, que mudanças veria no âmbito da Liberdade Religiosa e das relações entre a Igreja Católica e o Estado? Como entende a Laicidade do Estado?
Os regimes monárquicos actuais são todos constitucionais e democráticos, com a excepção de alguns emirados árabes. Creio que o único país da Europa que não tem verdadeiramente uma Constituição é o Reino Unido, cuja constituição é a Magna Carta que vem da Alta Idade Média. Onde há ditaduras é quase sempre nas Repúblicas, há muitas repúblicas ditatoriais hoje e há uns anos atrás eram mais, a maioria na América do Sul e África. Acho que a separação da Igreja do Estado é indispensável na nossa época, só em alguns países muçulmanos é que isso não acontece. O que não quer dizer que, se a maioria dos portugueses são de formação e de ética (e, graças a Deus, de prática) católica, o Estado não tenha de respeitar a religião e a moral da maioria dos portugueses: não quer dizer que não tenha de respeitar também as outras religiões: mas não se podem pôr, digamos, em pé de igualdade, por exemplo no sentido de os muçulmanos quererem que as suas datas sejam feriados nacionais. Não faria muito sentido, considerando que são uma pequena minoria. Mas têm de ser respeitados: eu frequento muito a Sinagoga de Lisboa, tenho ido a cerimónias hindus, etc. Eu acho que todas as religiões são um caminho para Deus, só que cada povo tem uma cultura, e o nosso tem uma cultura cristã, e é essa cultura cristã que faz com que o nosso comportamento seja um comportamento caridoso, benévolo, tolerante, e não um comportamento radical, como outros países do mundo têm, com outras religiões.
Também condena a actual lei do Aborto, referindo que “tem provocado um genocídio encorajado pelo Estado e pago com os nossos impostos”. Que posição defende neste âmbito?
Penso que é o problema mais grave que temos em Portugal. Nós ainda hoje queixamo-nos do genocídio que os nazis fizeram na Alemanha, que os soviéticos fizeram, e dizemos que é inaceitável que os povos tenham aceite essas coisas. Nós, em cinco anos da lei do aborto livre conseguimos exterminar uma geração inteira de portugueses, porque foram mortos mais de cem mil crianças pela lei do aborto – pagas por si, pagas por mim, somos todos cúmplices disso, todos temos uma quota-parte neste genocídio. Quando o número de crianças que nasceram no ano passado foi de oitenta mil, em cinco anos matamos cem mil, matamos mais de uma geração. E isto é, do ponto de vista económico perigosíssimo, do ponto de vista social dramático, do ponto de vista moral é um crime colectivo nacional, que nos corta de algum modo da graça de Deus – um país que aceita, porque aceitámos todos, porque não fomos votar, ou votámos erradamente, ou votámos a favor desta lei, e portanto de algum modo somos todos responsáveis por esta situação. E faz-me muita impressão não ouvir mais protestos contra esta lei: há um movimento aqui em Braga, o Partido para a Vida, que se movimenta contra a lei mas... mesmo no dia dos Santos Inocentes, um dia em que toda a gente falou sobre a maneira como as crianças são maltratadas, não ouvi ninguém a escrever que era preciso reformar esta lei. Em Espanha já se está a reformar a lei do aborto livre, vários países europeus estão a voltar atrás, em Inglaterra deputados do Partido Trabalhista dizem que é uma lei que escraviza as mulheres porque as mulheres são obrigadas a abortar, obrigadas pelos pais, pelos amantes, pelos patrões que dizem “você agora não pode faltar ao trabalho durante seis meses, e portanto faça é um aborto”; portanto é uma lei em que em 90% dos casos vai contra a vontade das mulheres. Quase sempre as mulheres prefeririam ser apoiadas e ajudadas em vez de recorrerem a esta solução.
Falando agora um pouco da sua história, em Angola chegou a liderar em 1972 um movimento de oposição ao Estado Novo, organizando uma lista multiétnica e independente à Assembleia Nacional. Tal atitude valeu-lhe a expulsão de Angola por decisão de Marcelo Caetano. Pode contar-nos um pouco sobre este acontecimento?
Eu organizei a lista, não a cheguei a integrar: era uma lista formada inteiramente por angolanos, a maioria negros, alguns europeus, e tinha como objectivo dar uma alternativa à política angolana dizendo que queriam mais democracia, mais participação, mais justiça, mais representatividade das populações angolanas, mas defendendo que a separação dos vários territórios portugueses era um erro enorme e que Angola tinha todo o direito de ser portuguesa como o próprio território português. O Marcelo Caetano – que tinha já preparada uma espécie de conspiração para “despachar” o ultramar - ficou muito aborrecido e muito incomodado e expulsou-me de Angola. Porque ele tinha feito uma combinação com americanos para a independência de Angola – provavelmente menos dramática da que aconteceu em 1974, mas não sendo também a solução ideal. O ideal era reformar, resolver os problemas que incomodavam grande parte dos africanos – como a justiça, a igualdade, a democracia - e depois, mais tarde, fazer um referendo e saber se o povo queria continuar português ou não. É o que o Marcelo Caetano não aproveitou, o que poderia ter feito – caminhou no caminho errado e conduziu o país ao desastre, que foi de facto o que aconteceu em 1974: em nome da restauração da democracia, nós destruímos a vida, a economia, a paz de milhões de pessoas. Foi preciso esperar trinta anos para finalmente terem novamente uma vida normal em Angola, Moçambique, Guiné etc. – embora na Guiné ainda não tenham essa normalidade. E em Timor, enfim, sofreram tanto. Todos esses mortos, toda esta destruição foi provocada por irresponsabilidade e por uma conspiração internacional entre os EUA por um lado e a União Soviética por outro. E é altura de deixar de sermos enganados, de mentirmos pela história, e de assumirmos o que realmente se passou: não podia ter sido pior. Dito isso, acho que é de todo o nosso interesse ter a melhor colaboração possível com os governos dos países da CPLP, e tentar reformar uma fraternidade e, quem sabe, no meu entender uma união lusófona, uma união dos países de língua portuguesa que poderiam um dia vir a ter uma política económica comum, uma política de defesa, uma moeda comum. É um caminho que poderíamos seguir e que não seria totalmente incompatível com a União Europeia.
Nasceu em Berna em 1945, e teve como padrinhos de baptismo, por representação, o papa Pio XII, a rainha-viúva Amélia de Orléans e a Princesa Aldegundes de Liechtenstein. Chegou a conhecer o Papa Pacelli?
Sim, visitei-o por duas vezes, em criança, e fiquei muito impressionado. Acho que é injusto não estar a ser beatificado quando outros Papas mais recentes estão a caminho da beatificação, só porque era muito conservador em alguns aspectos, como era próprio da época dele; mas foi de facto um homem muito santo, e que além disso correu grandes riscos pessoais para salvar a vida de muitíssimos judeus que estavam a ser perseguidos em Itália e na Alemanha.

Na Arquidiocese de Braga estamos a celebrar um ano dedicado à Liturgia. Que sugestões aponta para tornarmos a liturgia mais bela e mais atraente para os fiéis?
Há uns tempos atrás os meus filhos estiveram connosco em S. Tomé e Príncipe e gostaram imenso de ter ido lá à missa. Hoje perguntam-me porque é que as missas em Portugal não são tão bonitas como as missas em S. Tomé – e foi uma missa que durou duas horas! Mas muito bem cantada, muito participada, com todo um cerimonial, etc. Estive há poucos dias na missa de domingo em Díli, Timor: vieram vários portugueses comigo. Todos choravam, de comoção: uma missa belíssima. Nós temos em Portugal missas muito bonitas, é verdade: temos outras que são, enfim, mal cantadas, em que o coro não tem preparação nenhuma, e às vezes há párocos que precisariam talvez de uma reciclagem sobre como se faz um sermão, como se fala hoje numa linguagem que as pessoas entendam. No Minho há missas muito bonitas e muito bem conduzidas. Houve uma época em que se cometeu o que eu considero um erro, que foi o de meter uma música “leiga” porque se achou que os jovens iriam considerar mais animada. Mas na verdade estragou a beleza das missas. Outra coisa: hoje em dia há a tendência de meter umas canções que ninguém acompanha, que ninguém percebe; por exemplo, a missa no Alentejo, a música segue um ritmo alentejano e os cânticos são alentejanos. E toda a gente percebe, e toda a gente pode acompanhar, porque corresponde à cultura de um povo. Quando as missas correspondem à cultura da população, sobretudo nos meios rurais, mas também nos meios urbanos, as pessoas acompanham. Se não, às vezes metem umas cantorias lá pelo meio que se tornam numa espécie de intervalos musicais, de um espectáculo, que não têm muito a ver. Acho que haveria muita coisa a ser discutida e tratada, reunindo teólogos, especialistas musicais e representantes dos fiéis.

AAUM TV, grande meio de comunicação e de divulgação da RUM, entrevistou S.A.R. Dom Duarte, Duque de Bragança, no passado dia 18 de Janeiro, em Braga, entrevista conduzida pelos jornalistas da Rádio Universitária do Minho, Daniel Vieira da Silva e José Reis.

D. DUARTE PIO DE BRAGANÇA EM BRAGA - O FILME



AS CONSEQUÊNCIAS DA MORTE DE UM REI


Há precisamente um ano atrás, escrevi o seguinte artigo:

Luis XVI, Rei de França e de Navarra, faz este dia 21 de Janeiro, 218 anos (este ano 221 anos!) que foi executado, por um meio bárbaro, a guilhotina, na Place de la Concorde, em Paris, depois de ter sido preso na Bastilha e julgado por um Tribunal Revolucionário.

Não me compete fazer julgamentos, porque a História está escrita, felizmente sobre esta época tanto pelos vencedores como até já pelos vencidos.

Quero apenas reflectir esse momento histórico em particular e trazer à luz as consequências que não tardaram a se fazer sentir em França e na Europa.

Luis XVI foi Rei muito novo. Era neto do Rei Luis XV e ao assumir o Trono de França, sabia perfeitamente a situação em que seu País se encontrava. Contudo, não hesitou por um instante, em ajudar as Colónias Rebeldes Norte-Americanas na sua Secessão contra a Grã-Bretanha.

Depois da Tomada da Bastilha em 1789, pelos revolucionários aceitou ir para Paris e jurou fidelidade à primeira Constituição Francesa em 1791. Durante quase 2 anos, Luis XVI foi um Rei Constitucional!

Contudo, a situação do País era grave. As grandes potências europeias lançaram-se contra a França Revolucionária, e o Rei mal aconselhado procurou se refugiar na Áustria, mas em Varennes foi reconhecido e feito prisioneiro e teve que regressar a Paris, onde a partir desse momento iria ser julgado e condenado à morte.

De facto, esta situação “da Pátria em perigo”, como alguns historiadores a denominam, psicologicamente levou a que os acontecimentos se precipitassem e levassem à morte do Rei e posteriormente da Rainha Maria Antonieta, e os que conseguiram se salvar, saíram de França, como aliás foi o caso dos Irmãos de Luís XVI, o futuro Luis XVIII e Carlos X e suas respectivas famílias assim como Madame Royale, Filha mais velha de Luis XVI e Maria Antonieta.

A França entra em Guerra com a Europa Monárquica e Absolutista. A Convenção, o Directório e o Consulado foram os principais períodos da Revolução Francesa onde foi dificil encontrar uma estabilização política. Assim, surge Napoleão Bonaparte que através de um golpe de génio (para alguns) se torna Imperador dos Franceses e se lança à conquista da Europa com vista à deposição das Dinastias Europeias Absolutistas e a favor da implantação dos ideais da Revolução Francesa.

Bem sabemos que a Herança da Revolução Francesa a nível cultural é vasta e importante, como a primeira Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão que aliás Luis XVI jurou cumprir com a Constituição de 1791. Nesse documento estavam consagrados os Direitos mais elementares do Homem, nomeadamente a igualdade de todos perante a Lei. O próprio Rei ao jurar cumprir essa Declaração com a Constituição, passou a ficar sujeito à Lei.

Contudo, a Herança mais pesada da Revolução Francesa são as vítimas da mesma em França e na Europa, incluíndo Portugal. E todos os eventos revolucionários que se deram ao longo dos anos, durante o século XIX e XX, foram eventos herdeiros, de algum modo, dos ideais da Revolução Francesa, em que por esses ideais, se matou e se saquearam vilas e cidades inteiras.

A tendência para matar Reis e Imperadores, também é, de algum modo, uma herança revolucionária que posteriormente, grupos anarquistas que se foram organizando ao longo do século XIX matariam por exemplo, Humberto I de Itália, o Rei Dom Carlos e Dom Luís Filipe em Portugal, A Imperatriz Elizabeth “Sissi” da Áustria-Hungria, o Arquiduque Francisco-Fernando da Áustria, toda a Família Imperial Russa pelos Soviéticos, o Rei Alexandre da Jugoslávia, etc…

E essas mortes, grande parte delas, levaram a conflitos internos e internacionais de proporções enormes e de consequências nefastas. Como por exemplo, os casos de Portugal que levaram à proclamação de uma I República que foi uma anarquia total durante 16 anos com 48 governos!!! E o Assassinato de Sarajevo em 1914 que provocou a I Guerra Mundial. Na Rússia, o Massacre dos Romanovs levaria à implantação de uma Ditadura cruel que durou décadas nomeadamente com Estaline!

Pelo que, de facto, nem tudo o que é revolucionário é bonito de se ver e pouca gente, infelizmente, se dá verdadeiramente conta que muita gente morreu injustamente, porque defendia um certo Ideal de Pátria.

Finalmente, olhando para a França de hoje, que já vive numa V República, a qual aliás irá realizar este ano eleições presidenciais, em que terá até um Candidato da Alliance Royale – partido político monárquico Francês. Quero saudar a organização militante da Alliance Royale e desejar boa sorte ao seu Candidato às Presidenciais. Tendo em conta que os Monárquicos Franceses estão divididos em termos de preferências Dinásticas, considero primeiro fundamental trazerem a debate a questão de actualmente ser impossível em França, tal como em Portugal, um Referendo sobre o Tipo de Chefia de Estado e promoverem o debate Monarquia ou República, acabar com as velhas ideias sobre a Monarquia. Muitos franceses, tenho reparado, ao se lembrarem da Monarquia lembram-se do fausto do tempo de Luís XIV e Luís XVI, etc… É importante contrariar esses velhos e ultrapassados pensamentos para algo moderno e adequado ao tempo que se vive. A França pode muito bem ser uma Monarquia Parlamentar e Democrática e dêem se quiserem, por exemplo, a escolher quem deve ser o Rei – o candidato Bourbon ou Orleães. Contudo, a minha posição é sobejamente conhecida em relação a esta matéria em particular que gostaria aqui de sublinhar:

- Considero que SAR Luís Alfonso de Bourbon é um Jovem Príncipe extremamente dinâmico e que neste momento tem uma imagem extremamente moderna a defendê-lo.

- Contudo, tendo em consideração que o último Rei dos Franceses foi da Família Orleães, Louis Philippe Ier, então será um Herdeiro deste Rei que, quanto mais, tem toda a lógica e tem toda a legitimidade, para ser Rei dos Franceses, naturalmente estou a falar de SAR o Conde de Paris Henry VII e depois o seu filho Jean Duque de Vendôme.

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Hoje, voltando a reflectir sobre esta data Histórica que mudou a face da Europa indubitavelmente, gostaria de olhar para as consequências presentes da execução do Rei Luís XVI.

Quando nós olhamos para as actuais situações no mínimo inaceitáveis para um Chefe de Estado, como o actual Presidente Francês, François Hollande, assim como alguns dos seus antecessores, apercebemo-nos das fragilidades do ser humano e das tentações próprias e que  não são novidade em determinados sectores político-partidários. Não vou me debruçar muito sobre os pormenores das vidas privadas destas pessoas, apenas por uma questão de respeito que se deve a todo e qualquer ser humano, tenha ele muitos ou poucos defeitos, tenha ele cometido muitos ou poucos erros. Não me cabe a mim julgar, apenas constatar a diferença entre uma Chefia de Estado Real, actual, e uma Chefia de Estado Republicana actual.

E neste contexto, o que se verifica é que em França, seria interessante saber se os Franceses na sua maioria se sentem orgulhosos de viver em República ou se sentem orgulho nos Valores Republicanos. E nesta linha, será que uma Chefia de Estado Real esvaziada de poder político, mas com Autoridade, não seria mais interessante para a respublica francesa? Na minha opinião, a República Francesa e também de algum modo muitas outras repúblicas europeias, como a Portuguesa também, vamos começando a notar cada vez mais, que há cada vez menos Estadistas de renome. Recordo-me do General De Gaulle que até era monárquico, recordo-me de Churchill, Helmut Kohl, entre outros naturalmente. Mas os actuais dirigentes políticos serão considerados no futuro como Estadistas ao nível dos nomes que acabo de enunciar? Tenho sérias dúvidas! E é aqui que entra a Instituição Real e a Chefia de Estado Real, que efectivamente prepara praticamente desde o berço, o Rei ou Rainha para assumir um dia as funções para que está destinado. Um Rei, em Democracia, está esvaziado de Poder, isto é, não tem poder político algum, pois este está reservado aos políticos eleitos para um Parlamento, um Governo, e outros orgãos de soberania, que regem a respublica – a coisa pública – o bem comum de todos! Mas o Rei, é a Imagem máxima da Autoridade do Estado, mesmo não tendo um papel decisório em termos políticos, mas isso é uma vantagem, pois pode avaliar e aconselhar com independência e isenção os Governantes sempre que necessário. Ora, sendo um Rei preparado desde o berço para a Chefia de Estado, a Instituição Real transmitirá outra dignidade ao Cargo em sí, e um maior respeito, que é devido, ao Estado em sí, aos Cidadãos que são contribuintes do mesmo Estado e obviamente têm o direito de reclamar melhor e maior Dignidade aos seus Representantes!

E já que estamos a poucos dias de mais um aniversário do Regicídio que vitimou O Rei Dom Carlos I e O Príncipe Real, Dom Luís Filipe a 1 de Fevereiro de 1908, gostaria de fazer o mesmo paralelismo, começando pela seguinte pergunta: Valeu a pena?

Num momento histórico como aquele que se estava a viver, em que o Rei e o seu Primeiro-ministro estavam empenhados em fazer as reformas estruturais de que tanto a Monarquia precisava, destruíram-se as esperanças de uma revitalização das Instituições. E se tivermos que falar em “ses”, considero que foi um erro estratégico muito grave, a demissão de João Franco. Acho que O Rei Dom Manuel II devia ter expressado claramente que as reformas iniciadas por Seu Augusto Pai, deviam de prosseguir. A propósito, recordo-me do espanto que foi em Londres quando se soube que o Governo de João Franco tinha sido demitido, pelo Conselho de Estado. Mas verdadeiramente, as consequências do assassinato do Rei e do Príncipe Herdeiro de Portugal, hipotecaram o nosso presente. Como escrevi no meu texto acima, a desgraça da I República originou uma Ditadura e esta acabou por dar lugar ao pior que existia e que muito se assemelha à primeira experiência republicana, nomeadamente no “nível”. Talvez seja por isso, que certos sectores intelectuais republicanos, considerem que o actual regime constitucional é a II República e não a terceira, como obviamente o é…

Será que a França, Portugal, e outros países onde se mataram Reis e Príncipes em prol dos ideais republicanos, ficaram melhor?

A pergunta já tem em si uma resposta. É verdade que a execução do Rei Luís XVI foi num contexto muito diferente do caso português, com o Regicídio. Mas a França já vai na V República. Nenhum regime republicano durou muito tempo nesse país. O mesmo acontece com Portugal. Nostradamus certa vez terá profetizado que nenhum regime republicano duraria 100 anos! As Comemorações do Centenário da República, foram centradas no 5 de Outubro como a data da implantação, mas não de um só regime republicano, pois vamos no terceiro! Tal acaba por se considerar normal, dada a falta de qualidade das Instituições Republicanas em comparação com as Instituições de uma Democracia em regime de Monarquia Parlamentar. Hoje, olhando para o que e passa num Reino Unido, nos Países Baixos, na Noruega, na Suécia, no Luxemburgo, na própria Espanha que não deixou de ser um exemplo, bem pelo contrário!, demonstra-se a grande diferença que se constata os regimes monárquicos são regimes mistos, pois, por um lado têm uma Chefia de Estado Hereditária, mas esvaziada de poder, não deixando de ser a Autoridade máxima do Estado, e por outro lado a República ter os seus representantes eleitos normalmente, como em qualquer Democracia! Alguns especialistas em Ciência Política, consideram que os regimes parlamentares consagram, de algum modo uma espécie de “Presidencialismo do Primeiro-ministro”, dado que efectivamente, quem Governa, quem dissolve o Parlamento, em nome do Rei, é o Primeiro-ministro, líder do partido político mais votado!

Concluíndo, as consequências da morte do Rei, seja ele donde for, são o primeiro passo ilustrativo da decadência e dos defeitos e ambições desmesuradas do Ser Humano. Em nome da Liberdade se matou, em nome da Liberdade se perseguiu, em nome da Liberdade se mediocrizaram as Instituições fundamentais. Tendo em conta o quadro que actualmente se apresenta com os futuros candidatos presidenciais em França e em Portugal, que, na minha opinião, não são Estadistas na verdadeira acepção da palavra, apenas políticos de carreira ou professores universitários com uma carreira política de curta ou media duração, seria interessante, haver em ambos os países uma profunda reflexão nacional e os portugueses encontrarem a única alternativa que, depois da intervenção estrangeira poderá ajudar com independência e insenção à recuperação da moral na política e no serviço público. A Instituição Real, que é para muitos uma simples homenagem à tradição, não é, de todo um regresso ao passado, mas é acima de tudo, a valorização do passado, para dar ânimo com uma boa injecção de patriotismo, para reerguer a Dignidade do Estado, e com isso fomentar um novo rumo para Portugal. A Chefia de Estado Real, tanto em França como Portugal ajudará seguramente a dignificar a própria respublica fragilizada.

Assim, tanto em França como em Portugal temos as Alternativas. Em França temos SAR O Conde de Paris, Henrique de Orleães, e em Portugal temos SAR O Duque de Bragança, Dom Duarte de Bragança. Ambos são primos, ambos são parentes do Rei Luís XVI, e ambos estão prontos para assumir os seus Tronos, quando os povos respectivos assim o quiserem. Cabe aos Cidadãos de ambos os Países reconhecerem que pelo peso da História de ambas as Dinastias, que se confundem com as respectivas Histórias Nacionais, o Trono é o único lugar onde ambas têm que estar. Os Tronos pertencem à História dos Povos, pois são estes, que determinam se querem ou não ter um Rei e uma Dinastia a guiá-los pelos caminhos, nem sempre cheios de sol, da História!

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ORFEÕES DE MERELIM E DE BRAGA NO JANTAR DE REIS BRAGA 2014

Orfeão de Merelim cantaram para S.A.R. Dom Duarte de Bragança na Igreja de S. João do Souto
Sua Alteza com o Orfeão de Merelim

Orfeão de Merelim

Orfeão de Braga no Jantar de Reis Braga 2014