
Mensalmente,
no contexto da Plataforma de Cidadania Monárquica, desde Setembro de
2013, tenho entrevistado personalidades que se destacaram seja na
Militância Monárquica, seja na Sociedade Civil ou até mesmo na Política
corrente.
Assim, para este mês de Março, convidei o
Professor Doutor Miguel Mattos Chaves, que muito me honrou e à Equipa
da Plataforma de Cidadania Monárquica, para mais uma entrevista.
1. Dr. Miguel Mattos Chaves,
antes de mais, muito obrigado por ter aceite o meu convite, em nome da
equipa da Plataforma de Cidadania Monárquica, para a Entrevista do mês
de Março. Na sua opinião, porquê que em 40 anos de Democracia, já
estivemos sob assistência internacional por 3 vezes?
RESPOSTA: Antes de mais muito obrigado pelo seu convite. Vamos lá a ver se poderei responder algo de útil.
Em 40 anos de Democracia termos tido por três vezes a assistência
internacional deve-se, na minha opinião, a vários factores de carácter
interno e de carácter externo.
No que se refere aos factores externos temos a instabilidade dos
mercados petrolíferos (combustíveis e energia) que pesam bastante na
nossa Balança de Pagamentos e na nossa Balança de Transações, factor que
é praticamente comum às três crises.
Por outro lado, a Desregulação do Sistema Financeiro que se deu na
década de 1980, proporcionou uma situação em foi mais rentável para a
Banca explorar as oportunidades dos mercados financeiros (Bolsas) do que
ajudar a fomentar o crescimento económico e o emprego daí derivado,
Em terceiro lugar, e ainda no que toca aos factores externos, direi que a
União Europeia quis ser o “paladino” da globalização dos mercados e foi
no seio da OMC (negociações do GATT) longe de mais na liberalização das
trocas. Por força dos interesses de países vendedores de equipamentos
(Reino Unido e Alemanha sobretudo) abriu as suas fronteiras pautais a
produtos manufacturados em países cujos salários, e outros custos de
produção, são manifestamente desiguais face ao modelo de sociedade
ocidental.
Por outro lado, este factor provocou uma crescente deslocalização da
indústria europeia para esses países, atraída pelo menor custo de
produção e pela liberdade de exportar os seus bens para a Europa, com
preços muito mais baixos do que quando os produziam no continente
europeu.
Ou seja, com esta filosofia errada de liberalizar sem cuidar de perceber
quais seriam as consequências para o emprego europeu, para a criação de
riqueza europeia; sem cuidar de saber quais as condições humanas
vigentes nesses países extra-europeus (salários, condições de trabalho,
horários e bem-estar) para os produtores dos produtos, destruiu-se
progressivamente a indústria europeia e destruíu-se boa parte dos
empregos e consequente bem-estar que esta proporcionava aos europeus.
Ao nível interno português.
Destaco em primeiro lugar a parafernália de promessas de um “el dourado”
que o novo regime, saído do 25 de Abril de 1974, prometeu que iria
proporcionar aos portugueses, sem cuidar de perceber qual seria a
sustentabilidade das mesmas; passou a haver um foco em Direitos e
esqueceram-se os Deveres.
Em segundo lugar com o PREC destruiu-se o pouco que havia dos grupos
industriais fortes portugueses, permitindo-se a sua nacionalização, o
que acarretou perdas de produtividade, organização, planeamento,
direcção prudente, o que nos fez retroceder 20 a 30 anos nos índices
económicos e desprotegeu o país face ao exterior.
Em terceiro lugar tudo isto provocou uma fuga enorme de capitais do país
por falta de confiança dos investidores. E a prazo provocou, com a tal
desregulação de fronteiras pautais, a progressiva deslocalização de
empresas multinacionais que até aí tinham investido em Portugal, quer ao
nível de construção e instalação de unidades industriais, quer ao nível
do emprego proporcionado.
Em quarto lugar, com a miragem da, então CEE, para onde íam 25% das
nossas exportações em 1973, (o que era razoável em termos de risco), os
nossos empresários passaram a eleger a CEE como nosso principal destino,
passando as nossas exportações a significar (para esses países) 80% das
nossas exportações, o que se veio a revelar fatal, como agora se
verificou com a presente crise. Isto porque nos mercados europeus o
factor em que se jogou foi o preço e não o valor acrescentado.
Em quinto lugar, (a ordem dos factores é arbitrária) deu-se o Ultramar
Português à esfera Soviética, numa altura em que o Mundo estava
Bipolarizado, e com isso enfraqueceu-se Portugal, e o seu tecido
económico (pela perda súbita de mercados de exportação e de
abastecimento de matérias-primas não sujeitas a cotações
internacionais), para além de se terem destruído as vidas de mais de 800
mil pessoas que levaram os 10/20 anos seguintes a tentar refazê-las.
Por último, tal como aconteceu com o Ouro do Brasil, deixámos entrar
dinheiro no País oriundo da CEE/UE de qualquer forma, com controlos de
aplicação reduzidos ou errados. Houve um deslumbramento da classe
política que a troco de promessas fáceis, deu rotundas, auto-estradas,
fontanários, pavilhões gimnodesportivos em aldeias, etc… em vez de se
canalizar esse dinheiro para a reestruturação da indústria, das pescas e
da agricultura.
Pelo contrário, ao aceitar cegamente tudo o que era originado em
Bruxelas, (até se chegou a pagar aos agricultores para não produzirem,
aos armadores de pesca para venderem as suas embarcações, deixando a
indústria desprotegida e por reestruturar) promoveu-se a desestruturação
da produção e dos hábitos de trabalho.
Com estas atitudes destruíram-se empregos estruturais na nossa economia, que dificilmente voltarão a ser proporcionados.
E chegou-se a esta situação de desnorte e de empobrecimento.
Mais poderia dizer, mas a resposta já vai longa e não quero maçar os vossos leitores.
2. Certa vez, a Dra. Manuela
Ferreira Leite afirmou que seria talvez necessário equacionar a hipótese
de “suspender a Democracia” por um determinado período de tempo. E isto
leva a uma constatação, desde o final do século XIX até ao presente, só
no período da II República – O Estado Novo é que Portugal conseguiu
regularizar o déficit orçamental e ter um crescimento económico de
alguma importância. Assim pergunto-lhe, seremos incapazes de nos
governarmos em Democracia?
RESPOSTA: em primeiro lugar quanto à
suspensão da democracia. Tratou-se na minha opinião de uma “figura de
estilo” e não mais do que isso, querendo, creio eu, significar a autora
que haveria um défice de autoridade para fazer aquilo a que se propunha.
E sobre isto não quero fazer mais nenhum comentário.
No que respeita à 2ª República.
Na verdade durante a 2ª República ou Estado Novo foi prosseguida uma política em três fases:
A 1ª fase, até ao final da segunda guerra mundial, de tentativa bem
conseguida de estabilizar as contas públicas e de salvaguarda da Paz em
Portugal;
A 2ª fase, de 1948 a 1957, prosseguiu-se uma política de dotar o país de
diversas estruturas que eram necessárias e que propiciaram o
desenvolvimento subsequente, a saber:
- Estado: introdução de disciplina, métodos e competências na sua actividade.
- Ensino: construção da rede de escolas primárias nos concelhos e
aldeias, rede de liceus nas sedes de distrito, e reformulação e
construção de novos edifícios para as universidades de Lisboa, Porto e
Coimbra;
- Comunicações: construção e reparação de estradas e de caminhos-de-ferro;
- Energia e abastecimento de águas: construção de barragens e mini-hídricas;
- Saúde: implantação das Caixas de Previdência e seus postos de saúde
agregados, Casas do Povo e Hospitais Centrais (Lisboa, Porto e Coimbra) e
Regionais nas restantes capitais de distrito, incentivando ao mesmo
tempo, a manutenção dos Hospitais e Centros das Misericórdias.
- Protecção Social: implantação crescente das Caixas e Fundos de
Previdência que proporcionassem Pensões e Reformas, primeiro para os
Funcionários Públicos e depois estendidas ao sector privado, a par da
introdução do mesmo modelo em Inglaterra.
Para só falar dos mais importantes e significativos.
A 3ª fase – de 1958 a 1974 – foi dedicada à industrialização e ao
desenvolvimento, por um lado, e por outro à internacionalização e
aprofundamento das Relações Internacionais de Portugal.
Neste último capítulo Portugal foi membro fundador, da OCDE, NATO, EFTA,
FMI, SFI, BEI, e em 1956, entrou para o ONU a pedido dos EUA e do Reino
Unido.
No primeiro capítulo, o da industrialização, Portugal apresentou em vinte anos (1950-1970) os seguintes indicadores:
Comentário: os números falam por si. Daí
que se chame, também em Portugal, a este período “o período de ouro” do
crescimento da economia portuguesa. A Europa, do pós-guerra, toda ela
crescia a níveis elevados e Portugal acompanhou esse crescimento.
Acontece que Portugal partiu mais de trás que os seus parceiros do
continente e, portanto, para chegar aos níveis destes, levaria mais
tempo do que se tivesse partido de bases semelhantes.

A Taxa de Crescimento do Produto foi em média de 6,2% ao ano, na década de 1960, tendo aumentado para 9% ao ano, de 1970 a 1973.
O défice público nunca excedeu 1,5%.
À questão sobre sermos capazes de nos governarmos em Democracia: até aqui a história demonstra que não.
Na verdade se consultarmos as Séries Longas do Banco de Portugal
verifica-se que quando o País esteve sob regimes liberais (na
Monarquia), ou Democráticos (1ª República) o país estagnou ou mesmo
retrocedeu.
Mas não creio que isso seja uma inevitabilidade para o futuro.
Tudo dependerá das pessoas e de se afirmarem novas élites mais competentes.
3. Na actual Legislatura, também
pelo facto de estarmos sob assistência internacional, fala-se cada vez
mais, na necessidade de uma reforma do Estado. Até onde acha que deve ir
essa reforma?
RESPOSTA: a tão propalada Reforma do Estado tem que ter por base:
a) a identificação clara sobre qual deverá ser o papel do Estado e da sua Missão na Sociedade;
b) a identificação das suas áreas de actuação exclusiva e das áreas partilhadas;
c) o seu nível de intervenção.
Enquanto isto não estiver identificado, em cada nível, é apenas uma
brincadeira de mau gosto e que deslustra a classe política que arremessa
esse argumento, sem qualquer fundamento teórico ou prático.
4. É por demais evidente, que o
sistema republicano, nas suas três variantes não soube corresponder
verdadeiramente às ânsias dos Portugueses. Acha que uma eventual
restauração do Reino poderia dar outras garantias aos Portugueses,
nomeadamente ser A Garantia, de um futuro mais risonho?
RESPOSTA: esta asserção não é
inteiramente verdade pois a 2ª República teve um desempenho que não
pode, por injusto, ser comparado à 3ª República, muito menos à 1ª
República e, se quisermos ser justos, aos anos do Regime Monárquico do
Séc. XIX que provocaram a primeira banca rota de Portugal.
Para mim, como Monárquico, este é o Regime (Monarquia) que melhor se comporta dada a sua natureza.
Mas como em tudo na vida, tudo depende dos Homens. E será preciso ter em
atenção que o Regime Monárquico não pode nem deve ser estático, como o
atestam as mudanças necessárias que aconteceram nas crises de 1383/1385 e
de 1638/1640 em que houve a necessidade de mudar os protagonistas
Reais, por várias razões atendíveis e que se prenderam com o Interesse
Nacional.
Mas essa reflexão, que terá que ser feita, deverá sê-lo no recato de discussões mais restritas e não na praça pública.
5. Estamos a pouco mais de 2
mêses das próximas Eleições Europeias. É sabido que em vários países
europeus, movimentos e partidos de extrema-direita têm estado a ganhar
maior notoriedade e até há quem diga que haverá uma forte clivagem entre
os Federalistas e os Eurocépticos. Poderemos considerar decisivas as
próximas eleições europeias para a própria estabilidade e manutenção da
própria União Europeia?
RESPOSTA: Eleição para o Parlamento Europeu – REFLEXÃO sobre a PRÓXIMA ESCOLHA dos PORTUGUESES
1. Que MODELO de Poder querem os Portugueses?
2. O que defende cada um dos Candidatos/Partidos?
1. Que MODELO de Poder querem os Portugueses? ESTADOS UNIDOS da EUROPA ou EUROPA das NAÇÕES.
As posições Federais vs. posições Intergovernamentais aos níveis económico, social e político.
Uma questão, na minha opinião, insuficientemente discutida junto da
opinião pública, e mesmo nos corredores da política, é a velha luta de
pelo menos desde 1948, entre as pessoas que defendem um modelo Federal
para a Europa e as que defendem um modelo de Cooperação
Intergovernamental. Estas são as duas grandes balizas da discussão de
fundo (Poder dos Estados e sua distribuição) embora no seu intervalo
existam posições intermédias, como veremos.
1.1 – As gerações que atravessaram as guerras, queriam
compreensívelmente chegar a uma plataforma de entendimento, no
continente, que permitisse alcançar uma situação de paz perene. Por isso
percebe-se que nalguns casos o medo de não se conseguir esse objectivo,
levou algumas dessas pessoas a tentarem encontrar um “remédio” que
fosse definitivo para a situação europeia; – e, entre outros “remédios”,
a Federação aparecia-lhes como uma entidade, que por ser supranacional,
não permitiria a existência de conflitos, já que o seu poder se
exerceria perante todos os integrantes. Estão neste caso Alcide De
Gasperi, Alexandre Marc, Jean Monnet, Churchill (embora este recusasse a
participação do Reino Unido nesta associação;
1.2 – Noutros casos, as pessoas desejando a paz, acharam que não se
podia destruir séculos de história de formação de nacionalidades, de
Estados independentes, em prol de uma entidade terceira. Tinham medo de
poder haver convulsões sérias, que pusessem em perigo o equilíbrio
necessário entre os países e que isso acabasse com a paz. Preferiam,
portanto, defender um outro modelo – o da Cooperação Voluntária
Inter-governos. Estão neste caso o Conde Austríaco Coudenhouve Kalergi,
Aristid Briand (os dois principais Ideólogos da União Europeia), Robert
Schuman, Paul Henry Spaak, Charles De Gaulle, Konrad Adenauer, Paul Van
Zeeland.
1.3 – Ainda outros, mais próximos da linha federalista, mas percebendo
que as coisas não podem, ou não devem, andar muito depressa, sobretudo
em matérias tão sensíveis como as questões dos símbolos nacionais e das
soberanias, preferiram seguir a via de uma integração progressiva,
sector a sector, esperando que surgisse o fenómeno do “spillover”. Isto
é, que a integração, sector a sector, fosse empurrando a Europa para uma
União que integrasse cada vez mais sectores, até acabar numa União
Federal. São os neofuncionalistas, inspirados por um Jean Monnet da
segunda fase, e que têm influenciado todo o processo de construção
europeia, desde há 50 anos para cá. Recorde-se que, por exemplo, Jean
Monnet começou por defender a Federação a todo o custo, e acabou por
defender a Federação a prazo mais dilatado, através da integração por
sectores.
1.4 – Quais as outras posições?
(a) Os que não querem a União Europeia;
(b) Os que teem muitas dúvidas sobre se será útil uma União de Estados no continente – os denominados Eurocépticos;
(c) Aqueles que querem uma União Europeia. Neste caso, desde 1948
(Congresso de Haia) básicamente existem 4 abordagens teóricas, em termos
de modelo:
(c.1) A abordagem pluralista – A Europa das Pátrias, a Europa da Cooperação Intergovernamental;
(c.2) A abordagem funcionalista – que defende que as relações técnicas e
económicas levarão os Estados a cooperar mais estreitamente;
(c.3) A abordagem neofuncionalista – que diz que a dimensão meramente
técnica e económica é redutora, ou insuficiente, e que a construção
europeia exige uma dimensão política;
(c.4) A abordagem federalista – que defende a constituição formal de uma
federação de Estados, governada por Órgãos centrais, supranacionais.
1.5 – Em primeiro lugar creio que o pecado original desta discussão, não
no seio dos fundadores, mas nos seus “herdeiros”, é a mistura que se
faz entre os temas sociais, económicos e políticos. Adopta-se
mentalmente um modelo, e esse torna-se geral para todos os segmentos da
vida em comunidade. A solução que defendem para um dos campos,
defendam-na para os outros todos. Ora se existe um entendimento, quase
generalizado, pelo menos enquanto não surgir a tal crise, de que a
integração, leia-se federação, económica e financeira é uma boa ideia,
porque não assumi-la sem arrastar outros segmentos da vida em sociedade?
Ora se quisermos extrapolar esse modelo de organização, de carácter
económico-financeiro, para outros âmbitos, a questão já não é tão
pacífica, ao menos nos países onde este tema é abertamente discutido. O
que não é o caso de Portugal onde estas questões fundamentais não são
discutidas.
2. ELEIÇÕES EUROPEIAS -
O que defende cada um dos Candidatos/Partidos (CDS, PSD, PS, PCP, BE) ?
Aproxima-se a data em que os Portugueses terão que saber muito bem o que
defendem os candidatos/partidos e o que está em causa para Portugal.
É meu Dever tentar informar, deixando a cada um a Sua Decisão. É meu
Dever tentar informar, desvendando, no final deste texto, a minha
posição.
Como já acima se disse, faço aqui uma ADVERTÊNCIA: Duas Posições
Fundamentais estão em jogo e (qualquer delas) terão consequências para
os Portugueses e para o País em geral e seu Futuro.
Três (3) POSIÇÕES DIFERENTES ESTÃO em CIMA da MESA, para os portugueses Votarem e Legitimarem, nestas eleições:
1ª POSIÇÃO: Contra a U.E., Eurocepticismo, NEO-FUNCIONAL TÁCTICA –
defendida pelo PCP e BE. Ambos defenderam, até há pouco tempo, que esta
União Europeia não serve, por ser Governada segundo o modelo Capitalista
que ambos rejeitam, por preferirem o modelo Comunista, no primeiro caso
e indefinido, no segundo caso. De há pouco tempo para cá, 1 a 2 anos, e
dadas as condições actuais do panorama europeu, por questões tácticas,
passaram a defender a permanência de Portugal na União Europeia, mas
rejeitando o Modelo Federal.
Defendem, embora Não muito claramente, o modelo Neo-funcional, que
postula uma organização e integração por sectores, mas rejeitando a
Federação Política.
2ª POSIÇÃO: Modelo FEDERAL – os Estados Unidos da Europa – defendida
pelo Dr. Paulo Rangel (PSD) e pelo Dr. Francisco Assis (PS):
Na verdade, e atento aos seus discursos políticos, verifica-se que Ambos
defendem, a adopção do Modelo de Organização do Poder Federal. Isto é,
querem e defendem a construção de um Estado Federal Europeu que assumirá
Centralmente os Destinos e o Futuro de todos os países europeus,
Governado por de cima dos países membros. Segundo este modelo, os
Estados actualmente Soberanos estarão subordinados ao Estado Central
Europeu. As Nações independentes que têm delegado a sua representação e o
seu Auto-Governo nos respectivos Estados Nacionais, passam a delegar a
sua Representação e Governo num Estado Central da União Europeia.
3ª POSIÇÃO – Modelo INTERGOVERNAMENTAL – A EUROPA das NAÇÕES – até há 5
anos defendido pelo CDS-PP (agora ignoro se continua a defender este
modelo, dada a Coligação Eleitoral com o PSD).
Este modelo postula que Portugal deverá permanecer na União Europeia
seguindo o Modelo Político da Decisão entre Governos/Estados Iguais.
Defende/ia ? uma integração Económica e Comercial, com o respeito pelas 4
Liberdades Fundamentais do Tratado de Roma (Liberdades de: 1ª –
Circulação de Pessoas, 2ª – Circulação de Bens e 3ª – Prestação de
Serviços, e Liberdade de Estabelecimento), mas Recusando a Integração
dos Factores Decisivos da Soberania e Independência: Defesa, Segurança,
Justiça, Orçamentos e Fiscalidade, Produção de Leis, Política Externa.
NOTA de ESCLARECIMENTO ADICIONAL: Com a Coligação PSD e CDS-PP, esta
última posição INTERGOVERNAMENTAL está prejudicada pois SE os
portugueses que se reveem neste modelo votarem nela estarão a Votar no
Modelo Federal dado que o PSD (Dr. Paulo Rangel) é quem Lidera a
Coligação.
RESULTADO. Não Há a possibilidade, para os Portugueses que o queiram, de
se Votar nesta 3ª POSIÇÃO, dadas as posições das forças políticas com
representação parlamentar.
QUAL o MODELO/POSIÇÃO que EU DEFENDO? Defendo a 3ª POSIÇÃO. Ou seja o
Modelo INTERGOVERNAMENTAL. Sendo do CDS-PP, estou com um problema Grave,
pois o meu Partido vai em Coligação e essa defende o Federalismo. Por
isso: Ou Voto em Branco ou vou procurar numa força política que não tem
assento Parlamentar, a minha representação.
A ABSTENÇÃO NÃO É uma opção séria pois, dado o Método de Hondt, quem se
abstém está, na prática, a Votar no Partido mais Votado. E mais uma vez o
afirmo: por várias razões Portugal vive um Sistema de Democracia
deficiente.
6. Portugal é um país
naturalmente europeu, mas vocacionado para o Atlântico, para a
Lusofonia. Mas ainda, no quadro Europeu, gostaria de lhe perguntar se,
de facto, faz sentido continuarmos no Euro ou se seria mais razoável ou
um regresso ao Escudo ou a criação de uma nova moeda?
RESPOSTA: clarificando desde já esta
questão direi que uma União Monetária faz-se pela fixação de taxas de
câmbio fixas e irrevogáveis, não sendo necessária a adopção de uma Moeda
Única.
Ao se entrar numa União Monetária, aprofundada pela existência de uma
única moeda, está-se a retirar aos Estados a sua capacidade de gerir a
sua própria política monetária, cambial e orçamental que são
instrumentos fundamentais para a gestão da economia e finanças públicas.
Este facto que afecta decisivamente a governação por parte do Estado
Nacional da Nação que este representa, pela sua importância deveria ter
sido exposto aos portugueses e aprovado ou rejeitado pelos mesmos em
referendo.
Ao contrário foi negociado nas costas da Nação e Imposto como a solução salvadora.
Um único sector é claramente favorecido por uma união deste tipo: o sector bancário, por razões que todos sabem.
Na altura tentei esclarecer as pessoas para estes perigos. Não fui, nem
eu nem os muitos portugueses que tinham e mantêm esta posição, ouvido.
Aí têm os resultados sem mais comentários.
Mas não é uma questão fechada. Se um País sair do Euro permanece na
União Europeia a exemplo dos 17 países que não adoptaram a Moeda única e
que permanecem na organização.
Temos uma Economia fraca, em comparação com a maioria dos nossos
parceiros do Euro. Ora um país com uma economia fraca ter uma moeda
forte pareceu-me, e continua a parecer-me, um contrassenso agravado pelo
facto de não termos uma política monetária, cambial e orçamental
autónoma.
Os países da UE que estão fora do Euro continuam a permanecer num
sistema de “serpente monetária” com flutuações controladas das suas
moedas e que me conste não pretendem integrar o euro, na sua maioria.
Por de cima deste facto, não me consta que tenham sido muito afectados
pela presente crise internacional. (consultar por favor o Eurostat).
7. Colocando de novo a hipótese
de uma restauração monárquica em Portugal, que vantagens o nosso país
teria, no quadro da União Europeia?
RESPOSTA: vejo algumas, se os intervenientes de topo forem devidamente escolhidos:
- a estabilidade da representação, a nível internacional,
- a estabilidade da chefia do Estado
- a da coesão nacional (pela defesa continuada e coerente dos interesses
permanentes da Nação e da sua História) que a figura de um Rei sempre
propicia melhor que a alternativa republicana.
Por outro lado, existindo o Regime Monárquico em grande parte dos países
europeus, isso poderia ser um elemento adicional e facilitador de
melhores relações internacionais, nomeadamente no seio da União
Europeia.
8. A Lusofonia é sem dúvida um
grande Legado que Portugal deixa à Humanidade. O quê que acha que ainda é
preciso ser feito? O Senhor Dom Duarte de Bragança, por diversas vezes,
afirmou que bem que se podia ter evoluído para uma “Commnonwealth”.
Concorda, mesmo que tal comunidade seja feita no futuro e não como
talvez pudesse ter sido feita aquando da descolonização?
RESPOSTA: claro que sim. Já o escrevi por diversas vezes de há 20 anos para cá, pelo menos.
Situemos então o problema na questão do Sistema Internacional e que o papel da CPLP poderia e deveria desempenhar.
Na verdade o Mundo Global que vivemos implica que saibamos (nós os
membros da Lusofonia e da CPLP) que o confronto entre potências mundiais
continua (Federação Russa e EUA), ou directamente ou através dos seus
aliados preferenciais (Países ou Blocos).
Vidé os casos da Ucrânia e da Venezuela, que ainda estão LONGE do
términus das suas presentes crises internas e ainda longe de uma
definição duradoura de Poder, que os leve a uma Paz duradoura.
Ora na verdade é necessário que os novos proto-pólos mundiais como:
- o Brasil, a India, a China e a África do Sul se assumam
conscientemente como tal, para tentarem influir na construção de um Novo
Equilíbrio Mundial.
Na verdade têm progressivamente adquirido a consciência de que têm que
exercer, de forma afirmativa, o seu novo papel no Sistema Internacional,
de forma a tentar o tal Novo Equilíbrio.
No caso do Brasil o Presidente Henrique Cardoso foi o primeiro a
interiorizar que o Brasil não tem que se confinar a um “aparente
destino” de ser apenas uma Potência Regional, tal como até aí acontecia
no topo dos destinos da Nação Irmã.
Ora, na minha modesta opinião, o Brasil e Portugal, bem como Angola,
Moçambique e todos os outros países de língua oficial portuguesa, têm à
sua disposição um novo instrumento que poderá ser de afirmação
internacional.
Só que não o têm visto como tal: refiro-me naturalmente à CPLP.
Mas para isso será necessário que TODOS os integrantes deste bloco
percebam e interiorizem que este instrumento é fundamental para Todos e
que avancem para o seu aprofundamento.
Isto é, a sua extensão para as áreas de Defesa Comum, da Segurança, da
Economia e Finanças e de concertação estratégica a nível de uma Política
Externa baseada em Mínimos Denominadores Comuns que permitam a sua
afirmação como actor internacional.
Para isso é necessário, em primeiro lugar que os Governos dos Países
deste espaço o interiorizem, isto é que os Poderes Políticos desses
países, percebam que uma Comunidade assim construída pode potenciar a
importância relativa do Bloco e em consequência dos seus integrantes,
com evidentes benefícios potenciais para todos.
Isto, sem prejuízo de se inserirem noutros Blocos (A.S.E.A.N., U.E, N.A.F.T.A., etc…) que mais convenha aos seus interesses.
Mas tendo a Noção Clara que:
(1) Se o fizerem (o aprofundamento da CPLP no Modelo que defendo) serão
parte de um espaço Geopolítico e Geostratégico importantíssimo.
(2) Se o souberem fazer, serão a um tempo: Embaixadores das suas
Alianças Regionais junto da CPLP e Embaixadores da CPLP junto desses
espaços, com os benefícios e sinergias daí resultantes.
Seguindo a reflexão e clarificando um pouco o que atrás escrevi gostaria de deixar á vossa Reflexão mais os seguintes pontos:
(1) A independência das Nações consegue-se, como o venho dizendo há
alguns anos, por vários factores dentre os quais destaco a
Diversificação de Dependências Externas;
(2) Nessa linha de raciocínio o simples facto de se aprofundar esta
aliança, ainda embrionária, proporcionaria a todos os Estados
Integrantes uma alternativa de dependência externa face a outros blocos;
(3) Trata-se de uma Comunidade com cerca de 250 milhões de pessoas,
espalhadas por 5 Continentes (Europa, África Ocidental e Oriental,
América do Sul, Ásia e Oceânia) e 3 Oceanos (Atlântico, Pacífico e
Indico); ou seja um Espaço Mundial;
(4) Tem como factor comum a Língua e uma História de mais de 400 anos,
com as memórias comuns daí advenientes nos povos que habitam esses
Estados;
(5) São, todos eles, Estados com “territórios” de Mar apreciáveis,
alguns deles com recursos apreciáveis; tal facto podia proporcionar
sinergias e cooperação em termos de uma política de Mar, aproveitando as
Auto-Estradas Marítimas que este factor proporciona;
(6) Poderia começar-se pela introdução prática de 4 liberdades:
Liberdade de circulação de pessoas, de bens, de capitais e Liberdade de
Estabelecimento e pela constituição de um Mercado Comum para os produtos
agrícolas e industriais;
(7) Deveria no seu seio ser concertada uma acção de Política Externa
Comum (salvaguardados as pertenças de que anteontem falei) que levasse
este bloco a ter posições comuns face aos acontecimentos mais graves,
nos fora internacionais, o que provocaria um Novo Equilíbrio
Internacional.
(8) Quando os nossos Embaixadores (dos vários países) falam actualmente
em algumas Organizações Internacionais, representam Um País. Se
representassem 8 com a implantação referida acima, a sua importância e a
importância das suas palavras seria, de facto, no jogo do Poder
Mundial, diferente porque mais poderosa.
9. Olhando para o futuro, que Portugal gostaria de ver realizado?
RESPOSTA: gostaria de ter um país em que
as pessoas tivessem a consciência plena sobre os projectos, modelos de
sociedade e objectivos nacionais que lhes são propostos, em cada
momento, e que adoptassem aquelas propostas que lhes parecerem mais
sérias.
Ou seja, que deixassem de votar apenas clubísticamente.
Gostaria de ter um país em que as pessoas percebessem que os Partidos
têm que ser apenas um instrumento para o engrandecimento de Portugal e
que este está primeiro que aqueles.
Gostaria de viver, em suma, num país mais consciente.
E gostaria de ter na liderança pessoas esclarecidas, face:
- Aos Interesses Nacionais permanentes de Portugal;
- Aos objectivos e desígnios de Portugal, para si próprio, e nas Relações Internacionais;
Em suma que fizessem o que todos os Governantes de TODOS os outros países fazem:
- Pusessem os interesses do seu país e dos seus cidadãos, em primeiro lugar.
10. Dr. Miguel Mattos Chaves,
muito obrigado mais uma vez por ter aceite responder a esta entrevista.
Convido-o para uma reflexão final.
NOTA FINAL: Eu é que agradeço. A
entrevista, as respostas já são muito longas e não quero tomar mais
tempos aos leitores, meus concidadãos e companheiros monárquicos que, se
chegaram até aqui, tiveram a paciência de me ler.
Cordiais Saudações a todos e às suas famílias.
Melhores cumprimentos
Miguel Mattos Chaves