Autor: Miguel Villas-Boas *
O economista norte-americano Thomas
Sowell advertiu para o que hoje sabemos, malogradamente, de cor: “Parece
que estamos a rumar em direcção a uma sociedade onde ninguém é
responsável pelo que faz, mas todos nós somos responsáveis por aquilo
que outras pessoas fizeram no presente e no passado”.
Dão-se alvíssaras: À PROCURA DA ALEGADA ÉTICA REPUBLICANA!
Mandatasse o maior detective do Mundo para tal demanda – a de procurar a
alegada Ética republicana – e mesmo ele teria uma dificuldade oceânica
em encontrar bom porto! Como desenvolver positivamente essa tarefa de
encontrar “a dita e tão referida” – à boca cheia – se nunca dela
vislumbramos um assomo que seja, ou mesmo um assombro, já que é de
republicanisses que se trata.
Assim, não precisava de ser indivíduo de poderosa imaginação – como o
maior detective do mundo – para concluir que só se pode tratar de “UMA
AGULHA NUM PALHEIRO!”
Mas se a não descubro, será porque a fabricaram – mas lembremos que
qualquer mentira para parecer verdadeira tem que ter nem que seja um
elemento de verdade.
Mas não, pelo que sou levado a concluir que se trata tão-somente de um bordão linguístico!
Uma palavra ou uma expressão usada com elevada frequência no discurso
oral que, por ser repetida imensas vezes, acaba por se tornar uma
espécie de vício na fala.
Parece então, que, ética republicana são palavras ou uma expressão que
servem de “bengala” aos políticos quando estão a falar, e, que das duas,
uma, ou mesmo as duas: lhes permitem dar algum tempo para pensar no que
se vão dizer a seguir e/ ou evitam pausas longas no seu discurso.
De facto, tornou-se um bordão linguístico tão comum como os conhecidos: ó
pá…. quer dizer… portanto… pronto(s)… é assim… tipo… então…
Dá vontade de rir, embora não se trata de uma comédia, mas sim de uma
tragédia que assume proporções iguais ou semelhantes à grega.
O traço mais grave e mais geral desta falta de Ética republicana é a
condescendência com os plutocratas cleptomaníacos, permitindo-se-lhes –
inclusive a Justiça – “uma vida airada!”, à custa dos sacrifícios do
contribuinte. Paralelamente, a uma enorme sufocação com impostos a que
os verdugos submetem o cidadão comum – confiscando-lhes os rendimentos
mais diversos -, assiste-se a uma complacência generalizada com os
grandes corsários seus amigos.
Quando saem à “Caça” – palavra deles – é para “Caçar” os que já são
esboroados pela carga da canga fiscal, e sempre às ordens de uma
entidade estrangeira sem personalidade jurídica que teimam em agradar a
todo o custo, mesmo que à custa das vidas dos portugueses que deviam
defender, desiderato pelo qual foram eleitos.
Não é incomum, os interesses mais abusivos do Estado tomarem a forma e a cor do direito para se imporem.
Consequências gravíssimas atingem o Povo sobrecarregado com cortes nos
salários, esbulho das pensões, confisco dos rendimentos, fome, penúria,
falta de saúde, emigração dos adultos jovens – desempregados e sem
oportunidades – quebra na natalidade, enquanto se verifica um aumento
galopante da dívida pública e se assiste à criação de proveitosas
sinecuras.
Depois os politiqueiros dando-se ares de importância que manifestamente
não possuem, enclausurados numa redoma de privilégios, a todo custo
tentam manter o status quo e procuram mascarar a má qualidade do produto
que “vendem” em tempos de eleições, mas cuja banda sonora de fundo
grita o refrão: “Desculpem o Pouco!”
Enfatuam uma pose institucional e calcorreiam periclitantes desfilando a
vaidade, um mais ombreado que outro por energúmenos de pistolita ou em
potentes limusinas bávaras. Fazem-se afectados por uma cultura que não
têm mas que supõem ter, ostentando, outrossim, uma ignorância efectiva,
que não se inibem de mostrar publicamente através da eloquência
histérica! Que alacridade mostram as criaturas com as suas quixotadas –
bazófias ridículas de quem não reconhece que falha a toda a linha!
Afrontados que somos por esta falta de mínimo ético, por quem com o seu
clubismo imergiu as instituições estatais numa crise abissal ao
assinarem os contratos da nossa desgraça, não podemos conter o nosso
protesto sabendo que há efectivamente uma solução, um modelo que nos
afastará desta espiral de crise e dos manifestamente responsáveis pela
actual situação do País, e que nunca estiveram à altura das enormes
responsabilidades que assumiram sem qualquer preparação. Com frequência
rodeados de bandidos que chamam muitas vezes para o seu círculo de
poder, distribuindo-lhes cargos e alvíssaras: “pingues sinecuras e
rendosas conezias” – como lhes chamava o nosso Eça de Queiroz.
Não poucas vezes, após um curto período de nojo, impõem-nos os caídos em
desgraça, que, picados pela ambição, retornam sem pudor. Não deixa de
ser preocupante a redenção institucional que se fazem a figuras de
má-memória!
E tudo isso pagámos nós, cidadãos comuns, enredados na teia do Confisco que nos cerca preparando-se sempre para dar o bote.
“Acho uma moral ruim
trazer o vulgo enganado:
mandarem fazer assim
e eles fazerem assado.”
- António Aleixo
De facto, “As repúblicas são mais
oligárquicas, mais aristocráticas e mais plutocráticas do que as
Monarquias”, como defendeu André Rebouças, o Abolicionista Brasileiro. E
também, apontou para um facto fundamental: “É mais fácil democratizar
um rei ou uma rainha do que um parlamento aristocrático, oligárquico e
plutocrático.” Porque não subsista dúvida que é isso que é hoje o
Parlamento português.
Foi um século perdido, com exuberância dos políticos cada dia mais gordos e aperto das gentes cada dia mais magras.
Mesmo os melhores programas de reforma apresentados em tempo de
candidatura ao poder acabam por converter-se num establishment
tecnocrático tão curto de vista como um Ciclope.
Recorde-se o pensamento de Correia dos Remolares: «Que sendo uma
República governo de muitos e já tão difícil encontrar Homem Bom para
Rei, mais difícil seria conseguir-se juntar os tantos honrados para uma
República…»
E claro que se pode e deve distinguir uma e outra coisa e pode-se
afirmar que é difícil saber como obtê-la, mas ninguém pode negar a
outrem o entendimento de que só se muda chamando o REI! Isto porque,
Reinar é uma especialização na defesa dos interesses da Nação.
É essencial que a prática do poder deixe de ser confusa e passe a ser
executada de acordo, não só com o mínimo ético, mas, ainda mais além,
que se irmane com a moral. Não se deve demarcar nem contrapor Moral e
Política, uma vez que o bem-ser regula sempre o bem-fazer. Não pode
subsistir o Poder pelo Poder, com a frustração da Moral, mas sim unir-se
os dois conceitos, para se alcançar o soberano bem da Nação. Fazer mal
porque se pode, não!
É necessário, uma verdadeira comunicação entre os cidadãos e aqueles que
são eleitos para os representarem. Não podem continuar cativos de um
mundo gasto, embarrancados na imutabilidade, sem poder realizar outro
caminho.
É, também, por isso que a Monarquia será uma terapia de choque democrático.
Atente-se o exemplo do Sistema Eleitoral na Monarquia Constitucional
Parlamentar Britânica no qual para a eleição dos Membros do Parlamento
se estabelece um sistema de eleição individual, por método maioritário e
por meio de círculos eleitorais uninominais. E, consequentemente, todos
os cidadãos britânicos têm o direito tradicional de pedir para serem
recebidos pelos seus Membros do Parlamento, encontro que se verifica no
ornamentado Salão Central (Central Lobby). Hoje, nenhum cidadão pode
requerer o mesmo no nosso País!
Ora aí está um exemplo de Monarquia de Democracia meritória que queremos ver implementado no nosso País!
Depois, a figura do Rei que exprime a virtude da abnegação ao bem comum
fará repercutir nas instituições democráticas essa disciplina moral.
Pouco mais se imporá aos políticos, depois fazer, pois evoquemos as
palavras do 2.º Conde de Alvellos, em “O Berço Exilado”: «Para bem
governar Portugal basta ser – realmente – Bom, porque a Bondade dos
Antigos Reis, fez deste Povo, o melhor dos melhores povos do Mundo».