28.º ANIVERSÁRIO DA REAL ASSOCIAÇÃO DO PORTO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A "SÍFILIS" DE DOM LUÍS OU DE MÉDICO E LOUCO, TODOS TEMOS UM POUCO

Hoje, ao sair de casa, recebi o Destak. Para além de publicidade, aquele que poderia ser um jornalinho formativo, oferece pouco mais que sumário noticiário requentado; um verdadeiro desperdício de papel, ofendendo a consciência ambientalista de qualquer um.

Ora, entre a frioleira ali estampada, vinha um textinho sobre o último livro de Paulo Drumond Braga - que até tem obra interessante e séria - sobre as doenças dos nossos reis. Diz o Doutor Braga de forma apodítica ter falecido Dom Luís em consequência da sífilis. Não havendo nosografias de D. Luís, interroguei-me sobre a pertinência de tal atrevimento. Sabemos que a sífilis terciária, último estádio da doença, se caracteriza pela exibição de padecimentos insusceptíveis de ocultação, tais como, cegueira, dermafitoses, paralisia, espasmos e até loucura. O diagnóstico feito pelo Doutor Braga - que eu saiba não pode exercer medicina, pois não é médico - contraria todas as evidências. Dom Luís, que sofria de cancro na bexiga, deslocou-se à Europa em busca de tratamento. No decurso dessa longa digressão, sofrendo dores lancinantes, não deixou de oferecer a sua presença a todas as homenagens que lhe foram prestadas, dando provas de enorme coragem e presença de espírito. Outra prova que refuta liminarmente a suspeita de sífilis foi-nos dada por Fialho de Almeida, que era médico e (ainda) republicano. Dias após o falecimento do Rei, Fialho escreveu um texto (republicado pelo meu pai há duas décadas) que não alude a qualquer vestígio de sífilis. Fialho era médico e republicano, pelo que não teria deixado de sugerir a causa do óbito. Intrigado, folheei as causas da morte dos reis de Portugal, de Montalvão Machado, não havendo ali a mais leve alusão. Assim, depreendo tratar-se de inverdade que pretende assentar arraiais de verdade histórica. Não ceder ao sensacionalismo parece ser, pois, ponto de honra deontológico para qualquer historiador. Infelizmente, não foi o caso.

Miguel Castelo-Branco


Fonte: Combustões

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