A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

MENSAGEM DO DIA 1º DE DEZEMBRO DE S.A.R. O SENHOR DUQUE DE BRAGANÇA


Mensagem 1o Dezembro 2020
S.A.R. o Senhor D. Duarte, Duque de Bragança
Escrever a minha Mensagem do dia 1o de Dezembro numa ocasião tão difícil para os
Portugueses implica uma especial responsabilidade. No entanto não posso deixar de
afirmar a minha preocupação perante a situação portuguesa e a minha total
solidariedade para com as tão numerosas vítimas de uma potencial situação de
pobreza da qual não tiveram culpa. Todos quantos viram as suas actividades
económicas encerradas pelas medidas sanitárias tomadas pelo Governo, são os que
mais direito teriam a um apoio estatal, desde empresários a empregados.

O Estado não pode mandar para casa um país inteiro, sem garantir as atempadas
condições económicas que permitam os portugueses e as suas empresas
sobreviverem.

Também merecem um apoio mais eficaz possível, todos os que têm enfrentado e
combatido com coragem e abnegação as suas difíceis tarefas, como os profissionais
de saúde, de áreas assistenciais, prestadores de serviços de alimentação e segurança.
Não podemos esquecer os empresários que diariamente lutam no terreno para manter
o funcionamento das suas empresas e a economia do país, que somos todos nós. É
nossa obrigação manifestar-lhes reconhecimento e gratidão.

Esta pandemia chegou a Portugal meses depois de serem conhecidos os efeitos na
China, bem como em alguns países europeus. Numa fase inicial, lidámos bem com a
situação, tendo tomado medidas acertadas e atempadas.

Infelizmente, nesta segunda fase da pandemia, não adoptámos a tempo as medidas
necessárias e suficientes que permitissem atenuar o seu impacto, sobretudo na
população mais debilitada pela idade e pela saúde. Muitas das medidas adoptadas,
quer no campo da prevenção sanitária, quer no da economia não foram suficientes,
por erráticas ou contraditórias.

As falhas de prevenção verificaram-se quando todos os especialistas já previam o
surgimento de uma segunda vaga. Recentemente os últimos Bastonários da Ordem
dos Médicos, em carta dirigida à Ministra da Saúde, queixam-se da falta de estratégia
das autoridades nacionais e exigem uma maior articulação do SNS com os sectores
de saúde sociais e privados para optimização da capacidade instalada, caso contrário
a situação poderá ser trágica.
As consequências da estratégia adoptada levaram ao preocupante estado actual:
Na saúde, segundo dados da Ordem dos Médicos, ficaram por fazer milhares de
cirurgias e milhares de consultas. Neste momento, os óbitos por não COVID
dispararam para números preocupantes. Seria importante resolver os problemas
burocráticos que impedem centenas de Médicos e Enfermeiros formados no
estrangeiro a viver em Portugal de poderem contribuir com as suas competências na
luta contra esta pandemia.

Segundo as previsões económicas, Portugal terá no final do ano uma recessão de
mais de 8% e um brutal aumento do desemprego.

Espera-se que Portugal venha a receber da UE, uma quantia muito avultada para
impulsionar a recuperação da economia.
A concretizar-se será sem dúvida uma boa notícia, cujo desenlace se deseja bem-
sucedido, com a aplicação de forma ajustada, isenta e bem controlada das verbas
atribuídas. É fundamental conhecer com clareza qual o critério de atribuição e qual o
seu controlo. Desta vez não pode haver margem de erros, nem facilitismos.

É uma oportunidade única para a modernização e recuperação económica do País.
Assim, é fundamental exigir-se aos governantes e entidades públicas a maior
transparência na atribuição e gestão destas verbas. Infelizmente os índices
internacionais de corrupção situam o País abaixo da média da Europa ocidental e da
União Europeia, reflectindo a falta de reformas estruturais para o reforço da
integridade do Estado.

Portugal não pode mais ser adiado. É hora dos Portugueses estarem vigilantes e
actuarem.

O País está envelhecido e cada vez é maior a dependência da sociedade em relação
ao Estado.

Ao contrário das Monarquias do Norte da Europa, onde as pessoas enriquecem antes
de envelhecer, em Portugal as pessoas envelhecem sempre a empobrecer. Este é um
dos problemas base que urge resolver e que evitaria muitos dos actuais males que
existem na sociedade portuguesa.

Vivemos enredados por uma estranha coligação de interesses em que uma minoria
impõe controversas medidas e inaceitáveis ideologias a uma maioria. Infelizmente
pretendem que se aceite com naturalidade verdadeiros atentados à moral e princípios
gerais da humanidade, como são os casos, no plano ideológico, da introdução no
programa da Educação para a Cidadania, da ideologia do Género ou da votação para
o Referendo à Eutanásia, em que uma centena e meia de deputados calaram a voz a
milhões de portugueses. Sendo este último tema, para mais, suscitado num contexto
chocante para a população que, diariamente, é confrontada com um número crescente
de mortos entre as pessoas mais velhas e debilitadas.
Chega-se ao apuro de se pretender apagar a História de que tanto nos orgulhamos e
quererem fazer acreditar às gerações mais jovens que somos depreciativamente o que
nunca fomos.

Mais de 200 anos depois da Revolução Liberal ter introduzido que a escolha dos
deputados para o Parlamento se faria por voto directo, ninguém está interessado em
questionar por que razão mais de 50% dos eleitores não votam.

Nunca os deveres cívicos assumiram tamanha importância para salvação da Pátria.
Quem não se dá ao trabalho de participar, de votar e de pagar os seus impostos não
tem qualquer autoridade moral para criticar o rumo que Portugal leva.

Apelo à participação cívica para o combate em defesa dos valores da vida e dos
tradicionais direitos do homem assentes nas nossas raízes cristãs para que seja
possível ajudarmos a construir um Portugal bem melhor.

No próximo mês de Janeiro o País vai assistir a uma nova eleição presidencial. Mais
uma vez vamos expor a Chefia de Estado à fractura e conflitualidade ideológica,
enfraquecendo a sua autoridade e representatividade. São essas as consequências
mais evidentes da eleição do Chefe de Estado. Seria de elementar justiça e
inteligência política retirar da Constituição os elementos não democráticos que
impedem a possibilidade de o Povo preferir ter um Rei, à semelhança do que
acontece hoje em vários países europeus e alguns fora da Europa, que são geralmente
exemplos de coesão política, eficácia e transparência democrática.

A chefia de Estado, independente dos poderosos interesses económicos e políticos,
exercida pelos Reis e Rainhas actuais é que tem conseguido garantir melhor estes
valores, assim como a soberania e a identidade nacional aos seus povos.

Como se pode verificar nos países escandinavos, no Luxemburgo, Bélgica e
Holanda, no Reino Unido, entre outros.

Quando se assinalam os 380 anos da restauração da independência nacional, através
de uma heróica intervenção dos nossos antepassados, o caminho que a actual crise
sanitária e económica nos exige é o da adaptação dos nossos comportamentos na
defesa do bem comum e vencer o medo de um futuro incerto e exigente.
Tenho a certeza de que uma vez mais os Portugueses saberão ultrapassar este
momento e sair vitoriosos.

Viva Portugal!

sábado, 25 de abril de 2020

MENSAGEM DE S.A.R. O SENHOR DOM DUARTE DE BRAGANÇA AOS PORTUGUESES



Mensagem do Chefe da Casa Real Portuguesa, S.A.R. o Senhor D. Duarte, Duque de Bragança, a propósito da crise de saúde pública emergente

Portugueses:

Nas circunstâncias da pandemia que vivemos, reconheço os valores que constituem a alma portuguesa e que se manifestam hoje com profunda esperança no nosso futuro comum. São exemplo disso a civilidade e a prontidão com que os portugueses se mostraram convocados para o bem de todos, visível na tranquilidade e prudência com que se respeitam as instruções das autoridades, reduzindo o comércio, fechando os escritórios ou limitando ao mínimo indispensável a saída de suas casas.

Não esqueço as Comunidades Portuguesas espalhadas pelo mundo e a forma como nesses locais de residência e trabalho tão bem têm representado Portugal quando é tão importante ser exemplo.

Uma palavra de enorme respeito e gratidão por todos os médicos, enfermeiros, profissionais da saúde e de lares que, em condições de grande tensão e cansaço, e grave falta de meios, têm sido inexcedíveis a cuidar dos doentes do covid-19 e das outras enfermidades, com altruísmo e generosidade, mostrando bem de que fibra são feitos. Assim também aos cientistas e pesquisadores nacionais que afincadamente procuram remédio.

Com apreço quero agradecer a todos quantos servem a comunidade que somos, minorando as consequências das circunstâncias e permitindo um confinamento tão confortável quanto possível - militares, bombeiros voluntários, forças de segurança, profissionais dos serviços básicos de limpeza, água, etc., das mercearias e supermercados, farmácias, e tantos outros.

Não esqueçamos o fundamental serviço prestado pelos agricultores. Agora mais do que nunca percebemos a importância de Portugal poder produzir uma boa parte do que todos consumimos…

Com alegria, vejo também a criatividade e engenho com os quais tantas empresas particularmente atingidas pela queda brusca da sua actividade se reinventam para acudir a quem mais precisa, criando propostas onde parecia só haver desalento: cozinhas de hotéis que trabalham para IPSS, restaurantes e pequenos negócios que fazem entregas em casa, e tantos outros.

A todos quantos se vêem com o seu sustento familiar subitamente interrompido ou diminuído, manifesto a minha total solidariedade.

Vejo com grande preocupação as muitas famílias que emigraram para Portugal com dificuldades económicas, em particular as do Brasil, terra Natal de minha Mãe. E fico feliz pelas muitas pessoas que continuam a ajudar aqueles que, por estarem aqui há pouco tempo, não beneficiam de apoio da Segurança Social.

Saibam que não estão esquecidos e que, como noutras crises, entre todos havemos de encontrar soluções para a vossa grande aflição.

Quantos voluntários e instituições caritativas multiplicaram esforços para chegar aos mais vulneráveis e atingidos, apoiados no reforço financeiro que de outras famílias lhes vai chegando através de donativos.

A todos os que, enlutados, sofrem a dor da morte nas suas famílias, a minha compaixão.

Nunca como agora se manifestou tão claramente a importância das várias profissões e a honradez do trabalho de cada um e quanto em sociedade dependemos uns dos outros.

É também nestes momentos em que lutamos contra um inimigo invisível que vemos como os Portugueses respondem com serenidade. Vemos como um número crescente de pessoas prefere comprar produtos agrícolas ou industriais produzidos em Portugal, contribuindo para diminuir o desemprego e a crise económica que ameaça a sobrevivência da nossa economia. As escolhas inteligentes são cada vez mais importantes para garantir o nosso futuro colectivo!

Nesta altura em que nos sentimos, de certa maneira, isolados não deixamos de pensar nas pessoas que estão mais sozinhas e desamparadas.

Havemos de viver esta crise também como oportunidade, firmes na grandeza das inúmeras qualidades que são as nossas, certos na Esperança que nos foi confiada.

Espero que esta Páscoa e esta provação nos tenha recentrado no essencial da vida e nos conceda a todos, crentes e não crentes, um espírito de renovação, de Paz e de unidade.

Sua Santidade o Papa Francisco disse que esta pandemia era “uma resposta da Natureza” face ao nosso comportamento. Que este aviso nos leve a respeitar melhor o ambiente, não esquecendo o respeito pela Natureza humana que inclui o direito à vida dos mais frágeis.

Peçamos à Imaculada Conceição, Rainha de Portugal, que mais uma vez proteja a nossa Pátria!

Assim também se cumpra Portugal.


Dom Duarte de Bragança

Sintra, 23 de Abril de 2020

terça-feira, 17 de março de 2020

MENSAGEM AOS PORTUGUESES DE SUA ALTEZA REAL O DUQUE DE BRAGANÇA

Durante as últimas semanas temos vindo a ser confrontados com um desafio que nunca imaginámos que nos pudesse acontecer. De forma inaudita o Coronavírus tem alastrado a grande velocidade pelo mundo, tendo chegado a Portugal nos últimos dias e com crescimento exponencial.
Inicialmente, ninguém quis acreditar no que nos estava a atingir, mas rapidamente os portugueses adoptaram um comportamento notável para este enorme desafio que se nos coloca.
Milhares de cidadãos e empresas já tomaram medidas. Os cidadãos restringindo movimentos e recolhendo-se em casa, tendo iniciado um período de quarentena e isolamento social por sua voluntária iniciativa. Por seu lado, as empresas privadas e outras instituições deram um exemplo notável ao longo da última semana disponibilizando condições para os seus trabalhadores poderem exercer as suas actividades em casa, implicando uma maior segurança para as suas famílias, bem como dos seus colegas.
De forma admirável toda a sociedade está a organizar-se num enorme esforço para ultrapassar este perigo com a maior rapidez possível.
Ainda neste sentido, gostaria também de dar uma forte palavra de apreço e gratidão aos profissionais da saúde que estão na linha da frente deste combate, correndo enormes riscos pessoais de forma muito profissional e generosa. Quero estender o agradecimento a todos os que por motivos profissionais ou por voluntariado trabalham para a protecção dos portugueses, nomeadamente forças de segurança civis e militares, bombeiros, farmacêuticos. Não esquecemos os sacerdotes e religiosas que nos ajudam nesta altura difícil assim como todos aqueles que pelo seu trabalho e risco da própria saúde permitem o funcionamento do comércio de abastecimento alimentar.
O Governo, por seu lado age com maior cuidado, tendo vindo a tomar as suas decisões, ponderadas, mas sempre alguns passos atrás da sociedade, que por sua iniciativa está sempre à frente.
Temos vindo a assistir a sucessivos apelos da população aos governantes para tomarem medidas mais rapidamente. Primeiro foi o encerramento das escolas, agora o pedido de declaração do estado de emergência e de iniciativas para apoiar as empresas e a estrutura económica.
É difícil compreender na situação em que estamos a viver como é possível convocar o Conselho de Estado que deverá definir o estado de emergência do país para meados desta semana. Todos os estudos realizados sobre este tipo de situações indicam que, quanto mais rapidamente e de forma radical actuarmos, mais depressa podemos conter o crescimento da pandemia e retomar a normalidade.
O comportamento exemplar dos portugueses exige uma maior rapidez por parte dos seus governantes.
Situação como a recuperação do controlo das nossas fronteiras não deve continuar a ser protelada. Não podemos continuar a assistir a situações como a do navio que foi proibido de atracar em Lisboa e que seguiu para Espanha, tendo os seus passageiros vindo para Portugal por terra. Não podemos aguardar pela Europa quando a descoordenação é grande.
Não quero também deixar de referir que as empresas necessitam de um forte apoio por parte do Governo e que a resposta terá de ser também rápida. O país vai, com certeza, sobreviver a esta prova, mas precisamos ter empresas sólidas que nos permitam encarar o futuro com confiança.
O tempo é curto, a partir de hoje o IVA das empresas estará a pagamento e até à próxima sexta-feira as contribuições sociais. No início deste ano, em consequência do Corona Vírus, que já atingiu a China há mais tempo, as empresas não têm desenvolvido a sua actividade de uma forma normal, com consequências na sua rentabilidade. Assim, o Estado deverá assumir responsabilidades perante as empresas portuguesas, aliviando a sua tesouraria, permitindo pagamentos mais urgentes como são ordenados e fornecedores.
Ao longo dos últimos anos, as empresas portuguesas têm vindo a sofrer uma forte descapitalização o que dificulta a sua actividade para os desafios que se vão colocar. É necessário assegurar que as empresas vão ter capacidade para aguentar dois, três ou quatro meses de actividade reduzida para posteriormente voltarem a actuar. O bem-estar dos portugueses depende da capacidade de dar respostas rápidas. Os tempos são de excepção, por uma vez há que não olhar às despesas.
Os tempos que aí vêm poderão trazer-nos más notícias, temos que nos preparar para isso. Mas serão também uma oportunidade para o nosso desenvolvimento pessoal. Por outro lado, mostra-nos ainda a importância do nosso relacionamento com o próximo, das nossas famílias, dos nossos amigos, dos nossos vizinhos, etc. Na realidade dependemos todos uns dos outros, do nosso espírito de entreajuda e solidariedade. São momentos de adversidade como o que estamos a viver que nos fazem reflectir sobre o que temos e a que por vezes não damos valor.
A minha família e eu, como todos os portugueses, vivemos com alguma apreensão os tempos que se aproximam, mas ao mesmo tempo com uma grande confiança de que, juntos, iremos todos superar este momento difícil e sair mais fortes. Estaremos em isolamento, à semelhança de todos e tentaremos tirar partido da melhor forma desta inusitada situação.
Os portugueses foram sempre grandes nas épocas difíceis demonstrando uma união e uma solidariedade difícil de encontrar noutros povos. Foi assim em tantas situações ao longo da nossa história.
Tenho a certeza que é isso que mais uma vez faremos, respeitando as orientações dos responsáveis políticos. Vamos ser novamente heróis ajudando a salvar a nossa vida e a dos nossos mais próximos, ficando em casa com a calma, a responsabilidade e a serenidade que o momento exige.
Só assim conseguiremos vencer esta guerra, que nos toca a todos.
Finalmente, reitero o apelo ao governo para a declaração do estado de emergência nacional que permita declarar quarentena obrigatória a toda a população, salvo serviços essenciais assim como a recuperação do controlo das fronteiras. São momentos extraordinários que requerem medidas de excepção máxima.
Nos momentos mais graves da nossa história sempre imploramos a Divina protecção e o maternal socorro de Maria, a Imaculada Conceição, que foi proclamada nossa Rainha pelos legítimos representantes de todo o povo português, solene decisão que nunca foi politicamente revogada. Assim a saibamos merecer.
Termino com uma palavra de confiança no sentido de responsabilidade e de espírito de comunidade de todos os portugueses. Que ninguém se sinta sozinho nesta luta. Estamos, como sempre estivemos, juntos por um bem maior que é Portugal e os portugueses.
Dom Duarte, 16 de Março 2020

terça-feira, 6 de março de 2018

FAMÍLIA REAL NA PROCISSÃO DO SENHOR DOS PASSOS DA GRAÇA


A Família Real Portuguesa esteve presente na secular Procissão do Senhor dos Passos da Graça, cumprindo a tradição, que se realizou em Lisboa.










sábado, 3 de março de 2018

21º ANIVERSÁRIO DE S.A. A INFANTA DONA MARIA FRANCISCA



SUA ALTEZA SERENÍSSIMA A INFANTA Dona Maria Francisca Isabel Micaela Gabriela Rafaela Paula é a segunda filha de SS.AA.RR., Dom Duarte Pio, Duque de Bragança e de Dona Isabel de Herédia de Bragança, Duquesa de Bragança. Nasceu em Lisboa, a 3 de Março de 1997 e ostenta o título de Infanta de Portugal.


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Para a nossa Bem-amada Infanta de Portugal desejamos que este dia seja repleto de sonhos e realizações para um longo Futuro recheado de Saúde, Paz e Amor.

Alteza, muitos parabéns e que na companhia de SS.AA.RR. Nossos Reis e Infantes, os Anjos cantem em Sua honra e a Imaculada Conceição, Nossa Rainha e Mãe, A proteja ao longo da Sua Vida.


VIVA A INFANTA DE PORTUGAL!

VIVA A FAMÍLIA REAL!

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

MOMENTO ALTO DE CULTURA, HISTÓRIA E SENTIMENTO

Foto de Nova Portugalidade.
Presidida por SAR, o Príncipe da Portugalidade, excepcional conferência do Professor Pedro Dias promovida pela NP sobre Malaca Portuguesa de Ontem e de Hoje. Momento alto de cultura e patriotismo que terminou em demorada ovação ao insigne catedrático.

Foto de Nova Portugalidade.
Foto de Nova Portugalidade.
Foto de Nova Portugalidade.
Foto de Nova Portugalidade.
Foto de Nova Portugalidade.
Foto de Nova Portugalidade.
Foto de Nova Portugalidade.
Foto de Nova Portugalidade.
Foto de Nova Portugalidade.
Foto de Nova Portugalidade.
Foto de Nova Portugalidade.
Foto de Nova Portugalidade.
Foto de Nova Portugalidade.
Foto de Nova Portugalidade.
Foto de Nova Portugalidade.
Foto de Nova Portugalidade.
Foto de Nova Portugalidade.
Foto de Nova Portugalidade.
Foto de Nova Portugalidade.
Foto de Nova Portugalidade.
Foto de Nova Portugalidade.
Foto de Nova Portugalidade.

Agradeço muito aos responsáveis pela NOVA PORTUGALIDADE a oportunidade de apresentar, nesta quarta feira, 21 de Fevereiro, no Palácio da Independência, alguns resultados do meu trabalho sobre a Diáspora Portuguesa e, neste caso concreto, sobre Malaca, realidade que estudo, há 30 anos. Foi uma reviver da história do seu urbanismo, da sua arquitectura, de outras disciplinas artísticas, e também das comunidades que aí viveram e daquelas que ainda vivem e que, justamente, se assumem como portugueses ou, pelo menos, de origem portuguesa. Foi uma notável experiência ter uma sala cheia de jovens entusiasmados, e ter a presidir à sessão SAR o Senhor D. Duarte de Bragança. À Sociedade Histórica da Independência de Portugal também manifesto o meu agradecimento pelo excelente acolhimento. Valeu a pena e senti-me muito acarinhado por todos os presentes. UM AGRADECIMENTO IMENSO.





quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

LIVINGSTON RESPONDE AOS TRATANTES

Foto de Nova Portugalidade.

Re-História: para restabelecer a verdade histórica

Livingston responde aos tratantes


"Os portugueses não dão mostras de dureza em relação aos negros e não têm preconceitos contra as pessoas de cor. (...) Habituado a ser confrontado com os ridículos preconceitos de que são vítimas os mestiços, foi para mim uma verdadeira alegria ver como as pessoas de cor são tratadas pelos portugueses desta prov
íncia [de Angola]. (...) Os empregados partilham as refeições com o patrão e sem que ninguém se preocupe com as diferenças da cor da pele. (...) Nunca vi em parte alguma tão bom relacionamento entre indígenas e europeus".

Como dizemos sem parar, há que ler para não nos deixarmos enganar pelos maníacos do politicamente correcto, pelos falsificadores da História, os manipuladores de sentimentos e essa nova troupe de académicos sem pingo de honestidade que por aí anda a inquinar e desfazer o que o tempo construiu.

O naco de prosa que reproduzimos não é de 1970, nem de 1950, nem mesmo do início do século XX. Foi retirado de David Livingston e foi publicado em 1857 sob o título Missionary Travels and Researches in South Africa.


Recolha e tradução da Nova Portugalidade

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

O INFANTE PORTUGUÊS QUE OS ESPANHÓIS CANTAM

Foto de Nova Portugalidade.

"Por Dios, por la Patria y el Rey lucharon nuestros padres,
Por Dios, por la Patria y el Rey lucharemos nosostros también."


Os interessados na História recente do Reino de Espanha conhecerão as campanhas empreendidas pelos Carlistas, primos ideológicos dos Miguelistas portugueses, contra os governos liberais da Espanha oitocentista. O seu combate desigual, e muitas vezes heróico, marcou indelevelmente os últimos dois séculos da vida espanhola. Teve, também, grande e duradouro impacto político, pois os carlistas, ao contrário dos miguelistas portugueses, conservaram até recentemente papel central nos equilíbrios políticos de poder. Na guerra civil de 1936-1939, que opôs as esquerdas às direitas em brutal e sanguinolento conflito, os carlistas formaram parte da coligação vencedora. Hoje ainda, o ramo carlista congrega alguns monárquicos espanhóis, particularmente nas regiões de Navarra e do País Basco. Menos sabido é que um dos mais celebrados chefes carlistas era português e nascido no Rio de Janeiro.

O hino carlista, a Marcha de Oriamendi, é conhecido cântico patriótico espanhol. Foi, também, parte do hino nacional espanhol durante o regime do General Francisco Franco. O encontro celebrado na marcha, a Batalha de Oriamendi, foi travado entre os exércitos fiéis a Dom Carlos Maria Isidro, Infante de Espanha e irmão do anterior monarca Fernando VII, de persuasão política tradicionalista e anti-liberal, e o exército liberal de Isabel II de Espanha, sobrinha de Carlos e filha de Fernando. Entre os isabelinos marchavam numerosos ingleses da Legião Auxiliar Britânica, enviados pela Grã-Bretanha para o esmagamento da insurreição carlista. A batalha terminou em rotundo triunfo para os fiéis a Dom Carlos, não obstante a larga superioridade de homens e armas dos isabelinos. O general carlista era Dom Sebastião Gabriel de Bourbon e Bragança, Infante de Portugal.

Simultaneamente neto de Dona Maria I e do filho daquela, Dom João VI (o seu pai, Pedro Carlos de Bourbon e Bragança, era filho da Infanta Mariana Vitória de Portugal, por sua vez filha de Dona Maria e irmã de Dom João VI; a sua mãe, a Infanta Maria Teresa de Portugal, era filha de Dom João VI e neta de Dona Maria), o Infante nasceu no Rio de Janeiro, em 1811, e foi baptizado como Sebastião Gabriel Maria Carlos João José Francisco Xavier de Paula Miguel Bartolomeu de S. Geminiano Rafael Gonzaga de Bourbon e Bragança. Neto, como vimos, de dois monarcas portugueses, Dom Sebastião era, ainda, bisneto do Rei Carlos III de Espanha. Contudo, o único título que carregou desde o berço foi o de Infante de Portugal - o de Infante de Espanha só o receberia em 1824.

Devido à invasão francesa da metrópole portuguesa, o Infante Dom Sebastião nasceu, como se viu, no Rio de Janeiro, e no Rio de Janeiro residiu até 1821. Nesse ano, retornando a corte portuguesa à Europa, Sebastião seguiu-a também. Não, todavia, para Lisboa. Embora o seu pai tivesse falecido em 1812, Sebastião e a mãe instalaram-se em Madrid no regresso à Europa. A sua mãe, como Infanta de Espanha, o que era por direito do marido já morto; Sebastião, como Infante de Portugal com razoável pretensão aos seus direitos espanhóis. Estes foram-lhe reconhecidos por Fernando VII de Espanha, passando Sebastião a Infante de Espanha e de Portugal.

Com a morte de Fernando VII e a guerra civil entre os partidários de Carlos, defensores da monarquia tradicional e católica, e os de liberais de Isabel confrontando-se pelo futuro da Espanha, o Infante Sebastião acabaria por erguer armas por Carlos. Nisso foi muito influenciado pela sua mãe, Maria Teresa de Portugal, cuja simpatia estava com o partido carlista. Em 1838, de resto, a mesma Maria Teresa casar-se-ia em segundas núpcias com Carlos Maria Isidro, convertendo-se desse modo em Rainha de Espanha para os carlistas. Foi incentivado pela mãe, pois, que o Infante Sebastião se alistou na causa de Carlos, e essa causa defendeu esmeradamente. Oriamendi foi, provavelmente, a maior das vitórias carlistas contra as forças liberais espanholas.

Derrotados os carlistas, Sebastião foi forçado ao exílio e privado de todos os seus títulos espanhóis, passando novamente a assinar apenas como Infante de Portugal. Regressou a Espanha décadas mais tarde, perdoado pelos vencedores e obtendo a recuperação das dignidades que lhe devia o país nosso vizinho. Tentou mais que uma vez a reconciliação entre os ramos desavindos da família, mas sem sucesso. Morreu em 1875 com 63 anos.

RPB

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

SOMOS NACIONALISTAS? CLARO QUE NÃO, SOMOS DA PORTUGALIDADE

Foto de Nova Portugalidade.

O nacionalismo é coisa nova em Portugal; nova e tardia, inventada em finais do século XVIII e exportada pela Europa oitocentista por uma verdadeira "internacional nacionalista" - o "cosmopolitismo nacionalista" a que aludia Anne-Marie Thiesse na sua incontornável Criação das Identidades Nacionais - que fez estragos, dividiu o que era uno e juntou o que nunca estivera unido.

É hoje sabido que o nacionalismo nasceu da invenção de um passado mítico, socorrendo-se as mais das vezes de manipulação de fontes literárias, invenção de textos e, até, invenção de línguas anteriormente quase inexistentes. Tudo começou com Macpherson, que literalmente inventou o celtismo. Depois, foi a vez de Herder, de Goethe e dos irmãos Grimm criarem uma identidade alemã, jamais comprovada, a partir de colecções de lendas, delas retirando um "volkstum" e um "volksgeist" (um espírito popular) que indiciava uma "essência nacional". Ora, se perguntassem a Mozart se era alemão ou austríaco, este responderia que não era nem uma coisa nem outra. Considerar-se-ia, apenas, súbdito do arcebispo-príncipe de Salzburgo e, por extensão, súbdito dos Habsburgos.

Grande parte dos "nacionalismos" nasceram de colagens, recortes e importações literárias. O "nacionalismo" sérvio foi inventado por Prosper Mérimée na célebre La Guzla, o "nacionalismo helénico" saiu das antologias de Claude Fauriel e o mito de uma Roménia latina foi urdido pelos irmãos Shott a partir de contos valáquios. Depois, coube aos nórdicos desenterrarem sagas a partir da oralidade (a oralidade não resiste a duas ou três gerações), pretendendo recriar o volkstum viking, preenchendo um hiato de mil anos obscuros.

Este movimento que sacudiu a Europa ao longo de Oitocentos - o nacionalismo - serviu para a engenharia da fabricação dos Estados contemporâneos e teve como instrumento de difusão a imprensa (o periodismo), a fixação de "línguas nacionais" através de dicionários e gramáticas, bem como a rede de ensino primário. Pode-se dizer, com propriedade, que o nacionalismo é (e foi), nesta acepção, uma invenção; em suma, uma ideologia.

Lembrando o sábio Popper, o nacionalismo constitui a "secularização da superstição religiosa" em sociedades onde o sagrado e o religioso pedem novas ligações e devoções.

Contudo, se há identidade que prescindia desse esforço de estandardização forçada, esse era Portugal. Portugal não precisava de importar o que quer que fosse pois erigira, ao longo de séculos, uma identidade compacta e homogénea - uma consciência nacional - com provas dadas desde a revolução de 1383-85: uma só língua, uma só religião, contornos geográficos estabilizados no século XIII e, depois, um sentido de comunidade que se exportou e incorporou outros "portugueses" pela simples exigência da fidelidade ao Rei de Portugal e ao catolicismo.

O "nacionalismo postiço" europeu de Oitocentos fez estragos que mataram a identidade portuguesa. O liberalismo, ao inventar o cidadão, privou de "cidadania identitária" todos aqueles que se consideravam "portugueses" desde o século XVI. Depois, o estúpido Acto Colonial, separou os habitantes do ainda vasto império remanescente em "colonizadores" e "colonizados". O patriotismo português fora um alicerce da capacidade de resistência e unidade. O "nacionalismo português", aqui chegado no comboio de Paris, empobreceu, reduziu e matou.

Dizia-me há dias um amigo que o "nacionalismo" é o bilhete de identidade de uma sã consciência do grupo. Respondi-lhe que não: esse nacionalismo não é nosso, é uma ideologia, uma simplificação, uma impostura. O verdadeiro esteio da unidade dos "portugueses" está no patriotismo, o mesmo que venceu no passado e uniu, em vez de separar. Os cronistas holandeses que escreveram sobre os Guararapes indignaram-se pelo facto dos seus exércitos - brancos, louros e calvinistas - haverem sido destroçados por um exército de escravos negros, mestiços esfarrapados e brancos papistas. Da Europa nem sempre chega boa mercadoria. O "internacionalismo nacionalista" terá sido, sem dúvida, da pior contrafacção.

MCB


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

ABRAÇANDO O MUNDO

Foto de Nova Portugalidade.

Tal como D. Afonso Henriques no processo da Reconquista, também as frotas dos Descobrimentos levaram consigo o espírito hospitaleiro e uma forma peculiar que sempre caracterizou a presença portuguesa nos diferentes lugares, povos e nações, desde Marrocos até aos confins do mundo até então conhecido. 

Voltaire, o bem conhecido filósofo francês do século XVIII, elogiou os Portugueses como exemplo de homens extraordinários que, «mau grado toda a ignorância desses tempos, começaram a merecer então uma glória tão durável quanto a do universo...» E acrescenta: «Em menos de cinquenta anos os Portugueses haviam descoberto cinco mil léguas de costa... tudo o que a natureza produziu de útil, de raro, de agradável, foi trazido por eles à Europa.»

Foi também este mesmo filósofo que distinguiu entre os «Descobridores», os Portugueses, e os «Conquistadores», os Espanhóis. Compreende-se esta distinção: dois milhões e meio de aztecas foram chacinados no México, depois de saqueados todos os tesouros; um milhão e oitocentos mil incas morreram pelo saque do ouro. Igualmente, dos guanches, povo primitivo das Canárias, não restou um único. Se a estes números somarmos os valores apontados por muitos autores relativos às espantosas chacinas efectuadas pelos ingleses nos chamados «índios» americanos, podemos ficar com a imagem de formas de estar no mundo dos homens e dos povos, bem diferentes da forma de estar portuguesa. Por isso, misturar, numa suposta e fictícia «epopeia ibérica» dos descobrimentos, homens como Francisco Pizarro ou Fernando Cortez, com os esforçados e valorosos descobridores portugueses, não pode deixar de ser profundamente injusto e afrontoso.

A abertura de novos mundos ao mundo, de que os Portugueses foram os autores, tão admirada e invejada pelos povos europeus, teve ainda características ímpares que mesmo os piores detractores não podem negar. A relação humana estabelecida com outros povos e nações, o estudo da sua língua e dos seus usos e costumes, assim como da fauna e da flora, permitiram avanços científicos excepcionais, abrindo de par em par as portas do mundo moderno. A par deste conhecimento da gente das novas terras descobertas, os Portugueses tiveram igualmente a preocupação de transmitir os seus conhecimentos em áreas tão diversas como a agricultura, as artes e os ofícios.

O conhecimento da língua local foi sempre uma das grandes preocupações dos descobridores lusos, assim como dos missionários que os acompanhavam. Foram numerosos os manuais de aprendizagem compilados, quer das línguas nativas quer do português para os povos com quem entravam em contacto. A aprendizagem das línguas nativas, preocupação que foi uma das características da colonização Portuguesa, verdadeiramente pioneira, permitiu conhecer melhor o modo de pensar dos diferentes povos sobre todos os aspectos da sua vida. Este foi, sem dúvida, mais um dos enormes serviços prestados pelos Portugueses à Humanidade, trabalho de incalculável valor, pouco conhecido e ausente dos manuais de história. Reconheçamos o seu devido valor.

Miguel Martins

domingo, 18 de fevereiro de 2018

PORTUGAL, O PAÍS QUE OS OUTROS PAÍSES OUVIAM

Foto de Nova Portugalidade.

A fotografia data de 1905. De visita a Lisboa, o Imperador da Alemanha e Rei da Prússia Guilherme II observa com Dom Carlos I, Rei de Portugal e dos Algarves, exercícios realizados pelo exército português. O Imperador da Alemanha enverga uniforme português de coronel honorário do Regimento de Cavalaria N.º 4. A visita do Imperador alemão a Portugal foi uma das muitas vitórias diplomáticas do Rei Dom Carlos, cuja acção energética fez de Portugal nação determinante da arena europeia.


sábado, 17 de fevereiro de 2018

ELOGIO DE DOM JOÃO III, UM DOS MAIORES PRÍNCIPES PORTUGUESES

Foto de Nova Portugalidade.

Injustamente tido por fanático, fraco e acanhado, Dom João III foi, à imagem de tantos grandes monarcas portugueses, vítima de longa e enérgica campanha difamatória. Coroado jovem num tempo em que todas as grandes monarquias da Europa tinham jovens por seu chefe, João herdou o império aos 19 anos, estabilizou-o após a súbita dilatação operada por seu pai, defendeu-o e fortaleceu-o. Em tudo foi formidável. Confirmando o apetite português pelo governo forte e centralizado, João convocou cortes apenas três vezes em trinta e seis anos de reinado. Na cultura, o seu governo coincidiu com período verdadeiramente áureo para Portugal, facto devido, em larga medida, à intervenção do Rei: foi Dom João quem ordenou que se fizesse em Coimbra o Colégio das Artes e Humanidades, instituição a que afectou recursos avultadíssimos e para onde convidou a fina-flor da intelectualidade europeia. Foi também com o apoio de Dom João que se impuseram na Europa os nomes de Garcia de Resende, Garcia de Orta, João de Barros, Gil Vicente ou Pedro Nunes. Erasmo de Roterdão marcaria a sua admiração por João III nas suas Chrysostomi Lucubrationes, obra que dedicou ao Rei português.

Na política externa, no adestramento científico, na produção legislativa, no fomento das letras ou no fortalecimento do Império, os esforços de Dom João evidenciam inteligência, bom senso e dedicação imensa ao bem do Estado. Para povoar, desenvolver e defender o Brasil, o rei ordenou a divisão do território em capitanias e, logo, a constituição de um governo unificado. Em 1548, Dom João daria ao Brasil a sua primeira constituição, o chamado Regimento de Tomé de Sousa, dotando-o do essencial da sua ossatura institucional e administrativa. No Mediterrâneo, onde crescia sempre mais a sombra do Turco, João III ofereceu os navios, homens e ouro de Portugal para defesa da Europa, participando com a Espanha na reconquista de Tunes. No Oriente, defendeu-se uma e outra vez a Índia dos turcos, ganhou-se Macau, chegou-se ao Japão e negociou-se com a Espanha o Tratado de Saragoça, reservando a Ásia a Portugal e entregando o Pacífico a Castela. Com obra tão vasta e governo tão rico em exemplos de sucesso militar, científico, humanístico e diplomático, parecerá extraordinário imaginar João III como inaugurador de um tempo de decadência portuguesa. Pelo contrário, Portugal atingiu com Dom João o ápice da sua História. Poderia pedir-se mais ainda de um só homem?

RPB

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

O FILHO LUSO-MARROQUINO DE AFONSO DE ALBUQUERQUE

Foto de Nova Portugalidade.

De uma interessante comunicação há tempos produzida por Rui Manuel Loureiro num colóquio promovido pela Biblioteca Nacional e pelo Movimento Internacional Lusófono, ficou-se a saber que está a terminar uma longa investigação sobre a infância e juventude de Afonso e Albuquerque. Após porfiado trabalho, Rui Loureiro desvendou, finalmente, os anos obscuros daquele que viria a ser o fundador do império português no Oriente. Albuquerque deixou uma criança, nascida em 1501 e cuja educação confiou à sua irmã. Essa criança (Brás de Albuquerque), que viria a ser o herdeiro da fortuna do pai e ocupou relevantes funções, era filho de uma rapariga marroquina que o Terribil terá conhecido durante os anos em que serviu nas praças do norte de África. Onde está o suposto fanático religioso, o matador de mouros e o inimigo do Islão? Como a abundante documentação o atesta, Albuquerque percepcionou as diferenças e várias obediências do mundo islâmico, usando-as para aplicar o seu plano de domínio do Mar Vermelho e Golfo Pérsico. Foi um entusiástico defensor de uma aliança entre Portugal e a Pérsia xiita.

Dessa amplitude mental é também Brás, seu filho, prova eloquente. Tudo sugere que a mãe do
filho de Albuquerque não seria muito diferente daquela que escolhemos para ilustrar este postalinho.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

UMA AMIGA DE PORTUGAL E DA VERDADE

Foto de Nova Portugalidade.

Por razões profissionais, recebi hoje um velho diplomata português, homem experimentadíssimo, excelente conversador, culto e com quem partilho interesses comuns. Foi durante muitos anos Embaixador de Portugal no Irão, ali desenvolvendo um notável trabalho.

Entre as muitas histórias que pretende fixar numas memórias, contou-me um curioso episódio passado com Mary Robinson, antiga Presidente da Irlanda e, depois, Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. De passagem por Teerão, Mary Robinson presidiu a um congresso sobre direitos humanos ao qual acorreram centenas de delegados de todo o mundo.

Após a intervenção de um orador mais exaltado, que repetira as baboseiras ainda marcadas pela retórica de Bandung, Mary Robinson pediu a palavra e corrigiu o irritante discursante: "estando de acordo com muito do que disse, lamento que continue a confundir os portugueses com outros colonialistas, pois por muitos defeitos que os portugueses possam ter, nunca foram como os outros. Foram, se tal expressão se pode usar, bons colonialistas, os melhores colonialistas". O Embaixador de Portugal sentiu-se inchado de orgulho. Os outros, calaram-se.

MCB