A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

domingo, 25 de julho de 2021

ENTREVISTA A S.A.R. O SENHOR DOM DUARTE DE BRAGANÇA, CHEFE DA CASA REAL PORTUGUESA

 

Fotografia do Mestre António Homem Cardoso
Nesta ocasião dramática que estamos a viver, do ponto de vista da saúde e crise económica generalizada, é importante que se invoque esta protecção da nossa Rainha

ENTREVISTA/LIDERANÇAS/SÉRGIO CARVALHO 

POSTED ON 18 DE JULHO, 2021

No dia 25 de março, comemoraram-se os 375 anos da proclamação e coroação de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa como Padroeira e Rainha de Portugal. A este propósito fomos entrevistar, Dom Duarte Pio, duque de Bragança, pretendente ao trono de Portugal e chefe da Casa Real Portuguesa, a propósito desta efeméride.

Completaram-se no passado mês de março, dia 25, festa da Anunciação do Anjo a Nossa Senhora, o 375.º aniversário da proclamação e coroação de Nossa Senhora da Conceição, pelo rei Dom João IV, como padroeira e rainha de Portugal. Como é que o descendente e herdeiro da coroa portuguesa vê tal acontecimento?

Dom Duarte de Bragança (DB) – Em muitas das antigas cidades e vilas portuguesas ainda hoje se encontra afixada a placa da entrada da localidade anunciando esta consagração. Em 1646 a iniciativa foi unanimemente aprovada por todos os deputados às Cortes Gerais, que por sua vez transmitiram as instruções recebidas pelas suas Câmaras Municipais, eleitas pela população. Também votaram os Professores Universitários, os Bispos e Abades. Constituiu-se assim uma legítima representação de todos os Portugueses. Esta iniciativa, tomada no momento em que corríamos o grave risco de ser reconquistados pelo Reino de Espanha, teve um resultado muito feliz, e até hoje nunca mais perdemos a nossa independência.

De cada vez que nós, Portugueses, nos mostramos desleais para com a nossa Rainha, as coisas correm mal. Receio bem que perante algumas das leis recentemente impostas aos Portugueses, a nossa Rainha celeste não consiga impedir estes desastres naturais. Aliás, já uma das Pastorinhas de Fátima nos tinha prevenido que isto iria acontecer se, como nação, não corrigíssemos o nosso comportamento.

Considero que a consagração de Portugal a Nossa Senhora foi uma iniciativa muito oportuna e inteligente dos Portugueses da época, mas implica uma gravíssima responsabilidade da parte da geração actual.

Pensa que foi dado o destaque que merecia ao 375.º aniversário da coroação de Nossa Senhora da Conceição como Rainha de Portugal? Ou acha que a data foi esquecida? Qual o motivo e o que ainda se poderá fazer?

DB – Creio que o destaque dado foi muito tímido e envergonhado, talvez por termos consciência de que os compromissos assumidos nessa altura não estão a ser cumpridos.

Por parte da Real Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa foi tomada em 2019 a iniciativa de pedir a Sua Santidade, o Papa, a concessão de alguma regalia espiritual por ocasião da bicentenário da fundação da Ordem da Imaculada Conceição de Vila Viçosa por Dom João VI, Rei de Portugal, a qual foi concedida por um Decreto com efeitos desde o dia 25 de Março de 2019 até ao fecho solene do Ano Jubilar.

O Papa Francisco teve ainda este ano outro gesto que nos deixou cheios de alegria, ao conceder uma Bula Papal com Indulgência Plenária pelos 850 anos da Instituição da Ordem de S. Miguel da Ala, referindo que o seu Grão-Mestre é o Duque de Bragança, Dom Duarte Pio, afilhado do bem-aventurado Papa Pio XII. Como andam por aí outros sujeitos a afirmar ser “Duque de Bragança” e “Grão-Mestre das Ordens Reais Portuguesas” e como, que eu saiba, nenhum deles é também afilhado do Papa Pio XII, isto esclarece definitivamente algumas pessoas que pudessem estar confundidas.

Este Decreto Pontifício é válido até ao dia 29 de Setembro de 2022. O texto do Decreto Pontifício foi lido pelo Pároco de Alcobaça, em cujo Mosteiro se situava a Chancelaria da Ordem até o Governo Português, autodenominado liberal, em 1835, ter confiscado todos os bens de todos dos conventos e mosteiros para os vender em hasta pública. Desse modo, o Estado liberal destruiu o inestimável trabalho de educação, saúde e assistência social que era desempenhado pelas Ordens Religiosas no território continental e nas Províncias Ultramarinas portuguesas.

Na arquidiocese de Évora houve celebrações no santuário de Vila Viçosa, participou nessas celebrações?

DB – Sim, participei.

O que significou e significa ainda hoje o facto de a coroa de Portugal pertencer a Nossa Senhora?

DB – Significa uma enorme responsabilidade para a Nação Portuguesa! Em muitas ocasiões o pedido de auxílio da Imaculada Conceição foi atendido positivamente. Nesta ocasião dramática que estamos a viver, do ponto de vista da saúde e crise económica generalizada, é importante que se invoque esta protecção da nossa Rainha; que, de resto, o continua a ser, visto não ter havido até hoje nenhuma revogação da consagração de 1646 destituindo a Virgem Maria do seu cargo!

É por essa razão, que nos quadros e retratos oficiais dos reis portugueses, da dinastia de Bragança, eles nunca aparecem coroados?

DB – Sim, é.

Portugal ainda é, verdadeiramente, a Terra de Santa Maria?

DB – Para a maioria dos Portugueses, é. Basta ver que, em condições normais, cerca de quatro milhões de pessoas peregrinam a Fátima todos os anos. Claro que há muitas pessoas que, apesar de peregrinarem, se esquecem dos pedidos feitos por Nossa Senhora em Fátima e das instruções básicas que Jesus Cristo nos deixou… Isso confirma, em meu entender a falta de lógica no comportamento dos Portugueses, mas dá-nos uma esperança de que o nosso Povo continua no fundo fiel à nossa Rainha.

Se a Monarquia Portuguesa for restaurada, Dom Duarte manteria essa designação de Nossa Senhora como rainha de Portugal?

DB – Obviamente que sim.

A Casa Real marca sempre presença em Vila Viçosa, em Fátima, em Braga, aquando de importantes peregrinações e celebrações religiosas de cariz mariano. Que lugar ocupa a devoção mariana no dia-a-dia da Família Real Portuguesa?

DB – Nós esforçamo-nos por cumprir os pedidos feitos pela Virgem Maria, nomeadamente o de rezar o terço em família. Infelizmente nem sempre tem sido possível. Creio que todas as famílias católicas deveríamos organizar a nossa vida de modo a que tal aconteça, mesmo que seja através da internet.

No ano passado, pela primeira vez, em 100 anos, a peregrinação a Fátima de 13 de maio foi celebrada sem a presença de fiéis? Este ano, acha que vai ser diferente ou em que moldes?

DB – Com a experiência que o Santuário de Fátima tem adquirido nesta situação tão difícil e com o facto de já muita gente estar vacinada, creio que será possível no próximo 13 de Maio voltar a peregrinar a Fátima, ainda que com algumas precauções. Tem ficado provado que os fiéis, em todas as Missas, têm dado o melhor exemplo do cumprimento das normas de prevenção do contágio.

Que mensagem deixa aos nossos leitores?

DB – Numa época em que o espírito racionalista e científico pretende por vezes desvalorizar o contributo da fé e da espiritualidade no progresso da Humanidade, cada vez mais, cientistas de todas as religiões aceitam a importância dos valores espirituais. Tenho amigos Muçulmanos que peregrinam a Fátima em oração à Virgem Maria, que o Islão considera a mulher mais santa que está no Paraíso. Também acompanhei o Dalai Lama na sua peregrinação a Fátima, onde foi a meu convite e onde homenageou a Virgem Maria.

Passemos aos nossos amigos a mensagem de que a devoção a Nossa Senhora é da maior importância, mas implica da nossa parte uma atitude de procurar seguir aquilo que Ela nos indicou.

*

Dados biográficos do senhor Dom Duarte:

Fotografia de Homem Cardoso

Dom Duarte Pio de Bragança nasceu em Berna, na Suiça, durante o exílio político da sua Família. Mas nasceu na Embaixada de Portugal, a fim de nascer em território nacional.

Quando a Família Real foi autorizada pela Assembleia Nacional (Parlamento) a regressar a Portugal, começou por viver em Coimbrões, Gaia. Estudou no Liceu Alexandre Herculano, no Porto, no Colégio Nun´Alvares, da Companhia de Jesus, nas Caldinhas, em Santo Tirso, no Colégio Militar e no Instituto Superior de Agronomia.

Em 1968 concorreu e foi admitido na Força Aérea como Piloto aviador, tendo prestado serviço em Angola. Em 1972 ajudou na organização de uma lista independente, de candidatos angolanos, para esta concorrer à representação Angolana nas eleições à Assembleia Nacional Portuguesa. Em consequência desta iniciativa foi expulso de Angola e de S. Tomé e Príncipe pelo Governo de Marcelo Caetano em 1972.

Em 1974 visitou pela primeira vez o território português de Timor, na que foi a primeira de muitas visitas. Em 2014 o Parlamento Nacional Timorense votou por unanimidade a atribuição da nacionalidade timorense, “pelos altos serviços prestados à Nação” e porque “desde que em 1515 Timor abriu a Portugal, os Reis de Portugal passaram a ser Reis de Timor e, por consequência, a Família Real Portuguesa passou a ser timorense”. (Curiosamente, ao Povo Timorense não foi perguntado se queria deixar de ser Português aquando da Independência. A pergunta feita pelas Nações Unidas era apenas se queriam ou não ser indonésios. Há alguns anos houve uma enorme manifestação em Díli em protesto por não estarem a ser renovados os seus documentos de nacionalidade Portuguesa!)

Em 1995 casou em Lisboa com a Senhora Dona Isabel de Herédia com quem tem três filhos: D. Afonso, D. Maria Francisca e D. Dinis.

De acordo com o testamento da Rainha D. Augusta Victoria, viúva de D. Manuel II, assumiu a presidência da Fundação D. Manuel II, com a qual vem desenvolvendo também muitas actividades nos Países da CPLP.

Entrevista conduzida por Sérgio Carvalho

a Dom Duarte de Bragança, chefe da Casa Real Portuguesa

FONTE: https://religiolook.pt/liderancas/nesta-ocasiao-dramatica-que-estamos-a-viver-do-ponto-de-vista-da-saude-e-crise-economica-generalizada-e-importante-que-se-invoque-esta-proteccao-da-nossa-rainha/


sábado, 24 de julho de 2021

COMPLETARAM-SE 62 ANOS DA PASSAGEM PELA MADEIRA DA FAMÍLIA REAL PORTUGUESA

 

Completaram-se, no dia 20 de Julho, 62 anos, sobre a primeira passagem pela Madeira de D. Duarte Nuno de Bragança (n. Seebenstein, 23-09-1907; f. Lagoa, 23-12-1976), a bordo do navio “Angola”, em viagem para África. Estava acompanhado pela esposa, a princesa D. Maria Francisca de Orléans e Bragança (1914-1968) e seus filhos, os infantes Duarte Pio (1945), Miguel Rafael (1946) e Henrique Nuno (1949). O Duque de Bragança havia sido reconhecido como o pretendente legítimo ao trono de Portugal em 1920, sendo admitido como candidato universal ao trono português após o falecimento do seu pai, D. Miguel II (1853-1927). Estabeleceu-se em Portugal em 1953, após a revogação da Lei do Banimento (1950) que exilava o ramo Miguelista.

Museu de Fotografia da Madeira – Atelier Vicente’s
https://www.facebook.com/mfmvicentes 

CAUSA REAL

domingo, 18 de julho de 2021

JÁ ESTÁ DISPONÍVEL A REAL GAZETA DO ALTO MINHO, N.º 28



Neste número pode ler:
Entrevista ao Eng.º Ribau Esteves, Presidente da Câmara Municipal de Aveiro
A Monarquia Britânica - na origem do parlamentarismo -, por António Pinheiro Marques
O Patriotismo e a língua Portuguesa, por Humberto Pinho da Silva
Há 30 anos esteve nas Ilhas Terceira e S. Miguel Philip de Edimburgo, por Jácome de Bruges Bettencourt
Monarquia temperada vs res privata, por Miguel Villas-Boas
Aos Jovens Monárquicos portugueses, por Guilherme Catita
Monarquia em Portugal - preparar o dia seguinte
O Próximo Congresso Eleitoral e o “3.º Manifesto Roialista”, por António de Souza-Cardoso
Da necessidade da tapada e de outras coisas mais, por Teresa Côrte-Real
Pandemia – factos, crenças e idiossincrasias, por Mariana Magalhães Sant’Ana.
Pés, o alicerce do corpo, por Ricardo Dias
Arreda, o príncipe bombeiro, por António Moniz Palme



sábado, 17 de julho de 2021

S.A.R. O SENHOR DOM DUARTE VISITOU A FEIRA DE AGRICULTURA EM SANTARÉM

 






Visita do Senhor Dom Duarte de Bragança pela ocasião da Feira da Agricultura em Santarém no dia 11 de Junho de 2021, acompanhado pela @realassociacaoribatejo
É de uma enorme importância o mundo Rural na estratégia nacional.

TV Monarquia Portuguesa

sexta-feira, 16 de julho de 2021

CHEGOU O NÚMERO DE VERÃO DO ROYALISTE

 



O número de verão do Royaliste chegou.
Muitas coisas interessantes.. por exemplo, a escolha identitária de uma flor de lírio para colocar na primeira página do jornal. Um artigo de Gerard Leclerc sobre a reedição do ′′ A fonte ′′ de Boutang nos Provinciais, Um belo texto de Decherf sobre o ′′ Bainville ′′ de Dickes e uma interessante entrevista do pretendente português Dom Duarte que confessa a Philippe Delorme se interessar pela Nova Revista Universal (revisão laboratorial de ideias do Maurrassismo). O mar como bem comum por Gerlotto. Um rico artigo de Fleutot sobre Honoré de Estienne d ' Orves. Uma notícia de Louis Xavier Perez que publicasse em Imediatamente e... Eu acho que me lembro de insurreição. Além disso, e outras coisas ainda...

Germain Philippe


Entrevista concedida por Sua Alteza Real O Senhor Dom Duarte à revista Royaliste, N.º 1215 de 11 de Julho.
Portugal: um príncipe ao serviço da pátria Dom Duarte de Bragança responde às nossas perguntas nas páginas 8 e 9.
A monarquia é para todos
O Príncipe Duarte de Bragança é o chefe da Casa Real de Portugal e candidato ao trono. O Seu o envolvimento na vida pública do seu país fez dele um exemplo para os outros príncipes da Europa. Recebeu-nos em Lisboa, na sede da Fundação Dom Manuel II, a que preside.
Fonte: Real Associação de Viana do Castelo; Revista Royaliste nº 1215, de 11 de Julho.


terça-feira, 6 de julho de 2021

CONCERTO DE LOUVOR À RAINHA SANTA ISABEL


 

Cumprida a fase estritamente religiosa da passada semana, com a pregação do Tríduo Preparatório e com a celebração da Solenidade de Santa Isabel de Portugal, a Confraria da Rainha Santa Isabel retoma o ciclo cultural das festas em louvor de Santa Padroeira da cidade de Coimbra, com a realização de um concerto a ter lugar nos claustros do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, pelas 21h30, no próximo dia 8 de Julho. 


Este concerto tem lugar na quinta-feira em que se realizaria (não fora a pandemia) a Procissão da Penitência, desde a Igreja da Rainha Santa Isabel até à Igreja do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, que tinha sido adiada do ano passado.


Até ao próximo Domingo, a imagem da Rainha Santa Isabel estará no centro da sua Igreja, sobre o andor ornamentado, tal como se fosse sair em procissão, mas disponível para a devoção de todos os fiéis.

 

Também a Exposição histórica sobre as procissões em louvor da Rainha Santa Isabel estará patente na Sala do Capítulo do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova até ao próximo dia 26 de Julho.

 

Os apoios à acção da Confraria da Rainha Santa Isabel devem ser realizados sob a forma de donativo e depositados na conta bancária em nome da Confraria da Rainha Santa Isabel com o IBAN PT50 0018 0008 0381 5627 020 61 (Banco Santander).

Com os melhores cumprimentos, muito gratos,

Joaquim Costa e Nora

(presidente da Mesa Administrativa da Confraria da Rainha Santa Isabel

 CONVITE

A Confraria da Rainha Santa Isabel vem convidar V. Ex.ª para o primeiro concerto da 2.ª fase do ciclo cultural das festas em louvor de Santa Isabel, Rainha de Portugal, a ter lugar nos claustros do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, pelas 21h30, no próximo dia 8 de Julho (a quinta-feira em que se realizaria a Procissão da Penitência, desde a Igreja da Rainha Santa Isabel até à Igreja do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra)

O concerto será realizado pelo Coro de Santo Agostinho, da Paróquia de Santa Cruz de Coimbra.

 

Este concerto em louvor da Rainha Santa Isabel é intitulado “adorate dominum in atrio sancto eius

 

Tendo presente todos os condicionalismos indicados nas orientações das autoridades de saúde e da Conferência Episcopal Portuguesa em relação à pandemia COVID 19, de modo a preparar o melhor acolhimento de todos, agradeço a confirmação da presença de V. Ex.ª até ao dia 7 de Julho de 2021, pelos telefones 239441674 / 918048310.

 

Contando com a presença de V. Ex.ª neste momento cultural em louvor da Padroeira da cidade de Coimbra, apresento os melhores cumprimentos,

O Presidente da Mesa Administrativa,

Joaquim Leandro Costa e Nora

 

domingo, 4 de julho de 2021

4 DE JULHO - DIA DA RAINHA SANTA ISABEL

 

D. Isabel de Aragão era uma Infanta do Reino de Aragão, que nasceu a 11 de Fevereiro de 1270, no Palácio da Aljafería, em Saragoça.

D. Isabel era a filha mais velha do Rei Pedro III de Aragão e de D. Constança de Hohenstaufen, Princesa da Sicília. Por via materna, era descendente de Frederico II, o Sacro Imperador Romano-Germânico, pois o seu avô materno era Manfredo de Hohenstaufen, Rei da Sicília, filho de Frederico II. Não existem fontes históricas exatas sobre a data e local de nascimento de Isabel, e portanto este não é um ponto consensual, sabe-se no entanto que cresceu em Barcelona, onde estava instalada a Corte da Coroa de Aragão.

O seu nascimento, também, está envolto em lenda, pois nasceu envolta numa pele, indicando logo o seu vínculo com o celestial.

Dos seus cinco irmãos destacaram-se os reis aragoneses Afonso III e Jaime II, e Frederico II da Sicília. Foi ainda sobrinha-neta de Santa Isabel da Hungria, também canonizada pela Igreja Católica.

D. Isabel de Aragão nasceu numa das Cortes mais cultas à época, e, fruto da aliança matrimonial tornou-se Rainha de Portugal pelo casamento com El-Rei Dom Dinis.

A Rainha Santa desempenhou um decisivo papel político como Rainha-consorte intervindo como conciliadora nos antagonismos entre o seu belicoso filho D. Afonso e o Rei D. Dinis, tendo papel decisivo no cessar definitivo das hostilidades entre pai e filho, no pior desses episódios em 1322.

D. Isabel introduziu em Portugal o culto do Espírito Santo e foi o verdadeiro Anjo da Caridade, distribuindo pão e dinheiro pelos pobres, visitando asilos e foi fruto dessa reconhecida bondade e acção caridosa, que nasceu a Lenda do Milagre das Rosas.

A narrativa mais popular da Rainha Santa Isabel é sem dúvida o famoso Milagre das Rosas. Segundo a lenda portuguesa, a Rainha saiu do Castelo do Sabugal numa manhã de Inverno para distribuir pães aos mais desamparados e sendo surpreendida pelo marido, que a questionou sobre onde ia e o que levava no regaço, a rainha terá exclamado: ‘São rosas, Senhor!’ Desconfiado, D. Dinis replicou: ‘Rosas, em Janeiro?’ A Rainha Santa revelou então o recheio do regaço do seu vestido e nele havia rosas, e já não os pães que levava.

Deus dava assim aos homens, uma Santa.

A data exacta do aparecimento desta lenda na tradição portuguesa não está determinada - não constando inclusive da biografia anónima sobre a rainha escrita no século XIV -, mas já circulava oralmente pelo país nas últimas décadas desse mesmo século. O mais antigo registo conhecido é um retábulo quatrocentista conservado no Museu Nacional de Arte da Catalunha.

O primeiro registo escrito do milagre das rosas encontra-se na Crónica dos Frades Menores, Frei Marcos de Lisboa, 1562:

"Levava uma vez a Rainha santa moedas no regaço para dar aos pobres(...) Encontrando-a el-Rei lhe perguntou o que levava,(...) ela disse, levo aqui rosas. E rosas viu el-Rei não sendo tempo delas."

Viúva, a Rainha Santa recolheu-se no Convento de Santa Clara, em Coimbra, apenas saindo para, em Estremoz, fazer a paz entre Afonso XI de Castela e Dom Afonso IV de Portugal.

Foi nessa localidade que a Rainha Santa Isabel foi tocada pela peste, que pôs fim à sua vida mas inaugurou ao Seu reinado espiritual, falecendo no dia 4 de Julho de 1336, aos 65 anos.

Apesar da vitalidade da devoção a Santa Isabel, a Rainha só foi canonizada por Urbano VIII, em 1625.

Ora pro Novis, Regina Sancta!

Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica

Plataforma de Cidadania Monárquica




Na Igreja, o dia 4 de julho é aquele em que, não sendo Domingo, se faz Memória Litúrgica de Isabel de Portugal, a nossa rainha Santa. Aragonesa de nascimento, Isabel foi dada em casamento a D. Dinis, rei de Portugal, quando apenas contava a idade de doze anos. Ainda muito jovem, tornou-se modelo de compromisso religioso e de empenho social, pelo que a rainha Santa Isabel de Portugal (1282-1336) pode e deve ser evocada como exemplo de vida particularmente integrada e espiritualmente fecunda, vida que foi capaz de fazer emergir a partir do centro do seu próprio coração as melhores virtudes, fossem elas da acção, mesmo política, ou de contemplação. Sempre capaz de gerir as exigências de uma vida social e de compromisso ao mais alto nível com a piedade mais autêntica e profunda; capaz, enfim, de associar o desejo da caridade e o sentido da justiça, de integrar oração e vida, sempre atenta às realidades do mundo circundante e determinada a conciliar os vínculos familiares com as mais altas exigências do Bem Comum, a rainha Santa Isabel, não obstante as dilacerações causadas na sua vida pela infidelidade do marido, o rei D. Dinis, ficou conhecida como pessoa sempre disponível e atenta às necessidades dos outros, sobretudo dos mais pobres e vulneráveis, acabando por ser o que a Igreja hoje nela reconhece: um intrépido exemplo de dedicação às causas da Reconciliação e da Paz, um eficaz testemunho do que seja trabalhar pela pacificação entre forças rivais, uma manifestação particularmente feliz do que seja articular a caridade com a verdade, ou melhor, do que seja a verdade actuante na caridade. A imagem clássica, e hagiográfica, que dela temos como mulher de um regaço que, levando apenas pão, se faz jardim de rosas sem fim, diz praticamente tudo do que pode ser a exemplaridade desta notável Santa de Portugal: de como a caridade não esconde a justiça, ou de como esta, de facto, pressupõe aquela. Peregrina do seu tempo, a rainha de Portugal fez-se ao caminho, atravessou o Minho, e chegou a Santiago de Compostela, e lá fez questão de depor a coroa do seu poder de rainha para se dar toda à vida da contemplação, para abraçar o Amor de uma vida que a chamava, ou atraía, a um Além sempre mais longínquo, mas que ao mesmo tempo se faz irremediavelmente próximo. Por isso, temo-la agora não como rainha, mas como modelo de vida integrada, como exemplo de uma existência em que o sofrimento não derruba a alegria e o poder não faz esquecer o serviço, antes o potencia; um modelo de vida, portanto, que merece continuar a ser evocado, e invocado, no sentido de nos aproximar de Cristo e por Ele nos alcançar tudo o que, como nação ou como famílias, como comunidades e como pessoas, em Deus podemos e devemos esperar em ordem à realização do nosso melhor futuro.

Em palavras de Amin Maalouf:

«Belle, sans l’arrogance de la beauté,
Noble, sans l’arrogance de la noblesse,
Pieuse, sans l’arrogance de la piété.»
Santa Isabel de Portugal!
[Imagem : O Milagre das Rosas, de André Gonçalves, c. 1735-40, Igreja do Menino Deus]

João J. Vila-Chã




Senhor nosso Deus, fonte de paz e de amor, que destes a Santa Isabel de Portugal o dom de reconciliar os homens desavindos, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de trabalhar ao serviço da paz para podermos ser chamados filhos de Deus. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.



sábado, 3 de julho de 2021

MONÁRQUICOS DISCUTIRAM O FUTURO DE PORTUGAL

 

Eis o artigo publicado na edição desta semana do "Jornal de Matosinhos", hoje nas bancas, acerca da Tertúlia "Monarquia do Norte", na qual foi palestrante Tomás Moreira, numa organização da Real Associação do Porto e em articulação com as Reais Associações de Braga, Viana do Castelo e Trás-os-Montes e Alto Douro.

De recordar que este encontro aconteceu no passado dia 17 de Junho, ao final da tarde, com a presença de cerca de 60 pessoas, todas com máscara e distanciamento assegurado, cumprindo-se as regras da DGS.

E no final tivemos o prazer e a honra de jantar com Sua Alteza Real, o Senhor Dom Duarte Pio, que surgiu depois da tertúlia e as muitas intervenções que se seguiram à intervenção de Tomás Moreira, que nos pôs a todos a pensar acerca do Futuro de Portugal!

Real, Real, Real, por Sua Alteza Real!