A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

AS 7 MARAVILHAS DESAPARECIDAS DO PORTO (8)

 

Palacete de Monteiro Moreira (1724-1916)

Em 1724, no topo norte da então praça Nova das Hortas (hoje praça da Liberdade), começou a ser construído um edifício de boa traça, o opulento palacete de Monteiro Moreira, onde, algumas décadas mais tarde, se fixou o Senado da Relação. A crescente centralidade da praça Nova levou a Câmara Municipal do Porto a estabelecer-se no palacete de Monteiro Moreira em 1819. Para tal, teve de desembolsar 31 contos de réis na sua aquisição, para além de outras despesas em diversas obras, nomeadamente na construção de um frontão com as armas da cidade, rematado pela estátua de um guerreiro intitulada "O Porto". Da varanda destes Paços do Concelho foi proclamado o liberalismo, a 24 de Agosto de 1820; D. Pedro IV proclamou a Carta Constitucional, em 1832; e os revoltosos anunciaram a república (de curta vida...), a 31 de Janeiro de 1891.

O palacete acabou por ser demolido em 1916 para abertura da avenida dos Aliados. As armas da cidade do seu frontão ornamentam hoje os jardins do Palácio de Cristal. A estátua "O Porto", após ter deambulado por diversos pontos da cidade, encontra-se hoje em frente ao Branco de Portugal, nas proximidades da sua localização original.


 

Velódromo Maria Amélia (1895-1932)

Aquando das Comemorações Henriquinas de 1894, o rei D. Carlos doou à associação do Velo Club do Porto um terreno nas traseiras do Paço Real, o palácio dos Carrancas (actual Museu Soares dos Reis) para construção de um velódromo. D. Carlos foi nomeado presidente honorário do Velo Club e o novo equipamento desportivo tomou o nome da rainha, Maria Amélia. A pista tinha 333,33 metros de perímetro, com duas rectas paralelas que se uniam no topo, através de curvas com a respectiva sobrelevação. No interior da pista encontravam-se dois campos de ténis. O acesso era feito por um grande portão, ainda existente, na rua do Pombal (hoje, de Adolfo Casais Monteiro). O velódromo Maria Amélia acolheu muitas corridas, como foi o caso da primeira corrida motorizada realizada em Portugal. No entanto, o ciclismo em pista começou a perder apoiantes nos inícios do séc. XX.

O velódromo acabou por encerrar definitivamente em 1932 quando o antigo Paço Real, propriedade pessoal do deposto rei D. Manuel II, passou para a Misericórdia do Porto. O espaço do antigo velódromo está hoje integrado no jardim do Museu Nacional Soares dos Reis, tendo sido requalificado pelo arquitecto Fernando Távora já no início do séc. XXI, recuperando-se parte da estrutura original da pista.




Café Palladium (1940-1974)

Ocupava todo o edifício que o arquitecto Marques da Silva projectara inicialmente para os Armazéns Nascimento, no gaveto das ruas de Santa Catarina com Passos Manuel. Foi reconvertido a café pelo arquitecto Mário de Abreu e anunciado como "o maior da península". Ostentava uma decoração inovadora para a época, com colunas de vidro e néon. Para além de café no piso térreo, tinha um salão de chá no piso sobrelevado, um salão de jogos no 1.º andar, bilhares no 2.º e um cabaret no último piso, com entrada separada e elevador exclusivo. No seu salão de jogos sobressaía o xadrez, daqui saindo alguns campeões da modalidade. Por sua iniciativa, em 1941, o russo Alexander Alekhine, campeão mundial de xadrez, visitou o Porto e foi recebido no café Palladium. Eram frequentadores assíduos do café Adolfo Casais Monteiro, Jorge de Sena, José Régio, Júlio Resende, Nadir Afonso, entre outros.

O café Palladium fechou em 1974, sendo o edifício transformado num pronto-a-vestir, as galerias Palladium. Hoje o espaço alberga hoje uma megastore da FNAC e uma loja de roupa da cadeia C&A.




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[Ed. "Le Temps Perdu", col. "Porto Desaparecido", n.º 67]


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