MENSAGEM DE S.A.R O SENHOR DOM DUARTE DE BRAGANÇA AOS PORTUGUESES

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

O PALÁCIO DA AJUDA VAI SER CONCLUÍDO. O QUE ACHA DA SOLUÇÃO??





Uma parceria entre a Câmara de Lisboa, o Ministério da Cultura e a Associação de Turismo de Lisboa vai fazer história!

Mais de 200 anos depois o Palácio da Ajuda vai ser concluído e todos poderão ficar a conhecer a colecção das Jóias da Coroa portuguesa e a Ourivesaria Real. 

Obrigado a todos os que fizeram do sonho realidade!



"Apesar de ser uma solução possível, dentro das limitações orçamentais, aliás, anunciadas pelo anterior secretário de estado da Cultura, com base na dotação orçamental, prevista pelo fundo de indemnização do roubo de algumas jóias da Coroa, e com aplicação de alguma ajuda extra, concordo em parte com a intervenção. Explico, a intervenção de carácter modernista, contemporânea, remate como uma lâmina o alçado poente, é quanto a mim, uma atitude arrojada, mas parece-me perene, e mantém o cenário do provisório, para melhores dias prever a conclusão do possível dentro do impossível do projecto original, aqui, neste particular, e sem qualquer tipo de preconceito, o projecto de Raul Lino, e de Gonçalo Byrne, este mais modernista, fecham o quadrado e assumem as quatro torres palacianas, símbolos arquitectónicos dos Paços ou Palácios Reais. Neste particular, Gonçalo Byrne compreendeu o propósito dos remates possíveis. Contudo, acho que em algumas intervenções de conclusão, como o templo da Sagrada Família, de Gaudi, poderão ser executados os projectos de cariz de reposição de estilo, neste caso específico, adaptando a conclusão preconizada por Raul Lino. Sinceramente, é a minha humilde opinião."

Comentário do Arquitecto José Peres Silva Bastos, na página de Fernando Medina.



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Ficou hoje a conhecer-se mais um dos muitos projectos apresentados para o remate da fachada poente daquele que é o maior e mais imponente edifício público da capital portuguesa.

Dispensando quaisquer comentários a respeito do gosto ou desgosto que os esboços mostraram, esta construção, mesmo com o previsível isco dos fundos do Turismo e da apresentação em exposição permanente das muito desfalcadas Jóias da Coroa, não pode ser iniciada sem a prévia consulta a quem mais interessa, ou seja, os habitantes de Lisboa. 

O Palácio da Ajuda não é uma construção da qual se possa dispor à la carte. Desde que se ergueu tem sido uma sede de  poder, seja ele o monárquico ou o republicano. Nele se pavoneiam vaidades na recepção do corpo diplomático e ali se inauguram presidências e governos, por muito efémeros que sejam. É um local emprestado pela nossa história, um eco de um passado relativamente glorioso. Aqueles brilhos dos adamascados e dourados, as pratas e porcelanas, as pinturas e tapeçarias, os bibelots assinados, os torneados do mobiliário daquela mescla de estilos, o bric-a-brac de Dª Maria Pia de Sabóia, impressiona os nacionais e os estrangeiros. Não é nenhuma novidade, aquela colecção marcou uma época e por milagre praticamente íntegra - apesar dos acontecimentos da 1ª república, da visita recolectora da aventureira com quem o infante D. Afonso se casou, da retirada de mobiliário e peças decorativas que o regime da 2ª república colocou em embaixadas -, é um cenário infinitamente superior em termos de prestígio e harmonia, a uma banal construção que qualquer um dos regimes que sucedeu ao ciclone de 1910, tenha erguido nas respectivas Expo.

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Poderá a entidade mais ansiosa, a Câmara Municipal, esgrimir argumentos a favor da "rápida conclusão de uma obra que já tarda e é urgente", mas estas atitudes em nada abonam quem decide e muito dependerá da confiança de uma população muito desconfiada por este inesperado inferno eleitoral de ciclovias, alargamento de passeios, demolições a eito e sem consulta, desrespeito pelo próprio inventário municipal e outras habituais habilidades comezinhas. Bem poderá então escudar-se atrás do MC e do Turismo, mas o protagonismo é totalmente seu, nada de manobras de ilusionismo. O protagonismo e o interesse.

O projecto existe há bastante mais de meio século e é da autoria do arquitecto Raul Lino que se manteve fiel à ínfima parte construída do risco original que a Ajuda teve nos finais do século XVIII e alvorada de oitocentos. O Palácio jamais foi concluído e será supérfluo inventariarmos as razões para tal incúria sobretudo devida às vicissitudes da política, às mudanças e de regime e à sempre latente penúria financeira. Anos após a sua concepção, Salazar, a braços com uma guerra em três frentes africanas e assoberbado pela construção da Ponte, não pôde dar andamento a este projecto que hoje, a ter sido concluído, já teria beneficiado da patine da passagem de meio século e muito provavelmente, com interiores a condizerem com a fachada. Seria parte da paisagem urbana. Não se fez, paciência, outros valores se levantaram, mesmo quando alguém teve a ideia de construir de raiz um Centro Cultural em Belém, nem sequer aproveitando o que já existia no alto do bairro lisboeta da Ajuda. Idem quanto ao Museu dos Coches, naquelas cíclicas, bastante oportunas para uns tantos e previsíveis derrapagens orçamentais que em muito lesaram o crédito e a respeitabilidade de quem decidiu e ordenou. Este é o país em que os cidadãos enviam cartas registadas aos governantes e estes, nada preocupados, nem sequer se dão ao trabalho de acusar a recepção. Foi o que sucedeu há perto de três décadas, quando do anúncio da construção do CCB e alguém lhes terá chamado a atenção para o aproveitamento da parte a reconstruir do Palácio da Ajuda. Pelos vistos, continuamos neste estranho caminho da surda arrogância. O mesmo se pode dizer a fundos esfumados, como aqueles deixados pela Sra. Reagan que também terá apreciado o potencial do edifício.

Mais próximo de nós, ainda está o embaraço nacional acerca da retirada russa da exposição do Hermitage na Ajuda, pois consideraram o palácio na sua secção poente, impróprio para a apresentação das periódicas colecções imperiais. Não valerá a pena o recurso a subterfúgios lava-faces, pois foi isto mesmo o que aconteceu.


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Este edifício não pode ser mais um passageiro pasto de modas e vaidades. Não pode, é campo interdito. Bem vistos, os factos, este anúncio de surpresa é mais um exercício devanitas política embrulhada caprichosamente em argumentos apenas válidos, porque óbvios ao longo de mais de duzentos anos. O Palácio Real ou Nacional, como queiram, consiste num património que condensa a história de um século pleno de acontecimentos e que está recheado de uma inestimável colecção de época, embora, tal como as Jóias da Coroa, privada, como acima dissemos, de inúmeros elementos que a queda da Monarquia fez por vários meios sumir. Há que valorizá-lo e para isso podem e devem ser despendidas quantias necessárias que estimularão a criatividade, a arte de bem fazer, o labor dos artesãos nacionais e o interesse de uma miríade de pequenas e médias empresas de construção. A cultura não é despesa, por muitos fundos que nela se vertam sob supervisão e criteriosamente. Trata-se de um investimento e para mais, da garantia da identidade nacional que é pontilhada por um certo sentido de orgulho. 


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Os decisores podem pensar o que entenderem acerca das suas excelsas personalidades, mas não vivem num exclusivo Olimpo. Desçam à terra e procedam então a uma consulta popular que decida a viabilidade do projecto de Raul Lino ou a alternativa hoje apresentada. Num país onde a palavra mais usada pelos agentes da política é democracia! democracia! democracia!, do que que têm medo os senhores da nossa situação?


Nuno Castelo-Branco



Semanário EXPRESSO, página 14, de 17 de Setembro de 2016


Palácio da Ajuda vai ser acabado 222 anos depois

Conheceu inúmeros projectos e tentativas de remate, mas hoje é a sério. Há programa, projecto e dinheiro para a conclusão: 15 milhões de euros repartidos pelo ministério da Cultura, a Câmara de Lisboa e a Associação de Turismo

Arcos e paredes integrados, vista privilegiada para o Tejo e dois novos espaços para visitar: as caixas fortes que guardarão as jóias da coroa e os tesouros da ourivesaria. O aspecto inacabado do Palácio Nacional da Ajuda será passado uma vez concluído o projecto que hoje será apresentado para o único monumento, em Lisboa, que documenta a vida da monarquia. A obra custará 15 milhões de euros ao ministério da Cultura, à Câmara Municipal de Lisboa e à Associação de Turismo de Lisboa (ATL).



O Palácio da Ajuda tal como ele está hoje, inacabado

| REINALDO RODRIGUES/ GLOBAL IMAGENS

"O que se vai fazer é fechar aquela ala com uma volumetria semelhante à que já existe", explica ao DN o arquitecto responsável pelo projecto, João Carlos Santos, subdirector do Património Cultural. O remate do Palácio em linguagem actual e deixando bem à vista que se trata de uma intervenção contemporânea, prevê a requalificação da Calçada da Ajuda e a relação com o Jardim das Damas, recuperado há poucos anos mas não mostrado ao público. A rua, reabilitada entre a Alameda dos Pinheiros e a rua das Açucenas manter-se-á transitável de carro e de eléctrico. O projecto prevê, aliás, que este meio de transporte pare à porta nessa espécie de par terre que receberá os visitantes - turistas ou oficiais. Esta continuará a ser sala nobre de recepção dos grandes actos oficiais da República Portuguesa.

"É um palácio inacabado e não uma ruína", frisa João Carlos Santos, para começo de conversa sobre o plano que hoje apresenta ao primeiro-ministro, António Costa. "O projecto inicial era três vezes maior", explica. O que ele e a sua equipa no Património Cultural pensaram "é muito simples". Pelo piso térreo, passando as bilheteiras, detector de metais e outros procedimentos de segurança obrigatórios, entra-se - do lado direito - para o segundo piso. É lá que vai ficar a caixa forte que guarda as jóias da Coroa. O terceiro piso está reservado para a colecção de peças de ourivesaria. "No final, há uma cafetaria com uma vista excelente sobre o Tejo", explica o arquitecto. "Como quem vai à Tate Modern e tem uma vista fantástica sobre a cidade de Londres", compara. Ponto que faz questão de frisar é que o novo edifício, com dois torreões que alinham com os da ala norte, fazem um equilíbrio arquitectónico, mas também melhoram a acessibilidade ao palácio.

Pensado com a equipa multidisciplinar que tem trabalhado o projecto, e que inclui o director do Palácio Nacional da Ajuda, José Alberto Ribeiro, não haverá comunicação entre o actual palácio-museu e os novos espaços. "Ponderámos a hipótese, mas por razões de segurança abandonámos a ideia", nota. Mas, também, para que se mantenha a entrada no Palácio da Ajuda onde sempre esteve, quando era morada da família real portuguesa.

Palácio inacabado, não ruína

Foi aqui que a família Real se refugiou depois do Paço da Ribeira ter caído no Terramoto de 1755. Era a Real Barraca, uma casa de madeira que ardeu, a que sucedeu o projecto barroco do arquitecto régio Manuel Caetano de Sousa, de 1796, que sofreu alterações em 1802 para se adequar ao gosto neoclássico. A construção parou com as invasões francesas e foi habitação real a partir de 1826. D. Luís e D. Maria Pia fizeram grande uso do local a partir de 1861 e a decoração tem marca forte da rainha de origem italiana. Foi protegido do saque por um fervoroso republicano em 1910 e converteu-se em museu em 1968.

Para esta ala, a poente, foram pensados vários destinos. De Raul Lino, nos anos 40, como director dos Monumentos, a Gonçalo Byrne, nos anos 80, a uma outra concebida pela equipa dos Monumentos que chegou a ser iniciada, mas não concluída, as propostas somam-se. Quase todas previam desviar a Calçada da Ajuda e foi já no século XXI que se pensou completar o palácio para albergar as jóias da coroa e a colecção de ourivesaria.

João Carlos Santos, que trabalha no projecto desde 2006, diz que "para concretizar esta obra o investimento tem de ser controlado". "Esta solução permite rentabilizar e preservar a Calçada da Ajuda", explica.

Quando o projecto, "fundamental para dar dignidade ao palácio", nas palavras do arquitecto, estiver concluído, no final de 2018, será evidente o que é construção de hoje, como ditam as cartas e convenções internacionais de boas práticas de restauro e reabilitação, explica o também responsável pelos trabalhos de recuperação do Mosteiro de Tibães, em Braga, e da Igreja e Torre dos Clérigos, premiada na semana passada com o prémio Vilalva da Fundação Gulbenkian para a recuperação de património.

"Serão usados novos materiais, uma nova linguagem, que preservam a unidade de leitura do conjunto", conta. Depois da apresentação vai começar-se a trabalhar nestes detalhes.A adjudicação da obra está prevista para meados de 2017. Obra e museografia deverão estar prontas 18 meses depois, em Dezembro de 2018. Os 15 milhões do financiamento serão repartidos pelo ministério da Cultura, através da DGPC, que entrará com 4 milhões de euros (uma parte dos 6 milhões de euros da indemnização pelo roubo das jóias em 2002, em Haia), e pela da Câmara de Lisboa, através da Associação de Turismo de Lisboa (ATL). Da taxa turística municipal, gerida por esta entidade, virá a mais importante fatia do financiamento, 6 milhões de euros, a que acrescem mais 2 milhões de receitas próprias e 3 milhões de um empréstimo a contratualizar. As três entidades celebraram um protocolo de 20 anos. Prevê-se que o investimento esteja pago ao fim de 12 anos, a partir do que repartirão os lucros. As estimativas apontam para 200 mil o número de entradas por ano.

Lina Santos

3 comentários:

  1. acho uma aberracao este toque orrivel de moderno que querem dare o palacio , acho mais ridicolo ainda se e que vao fazer essa obra com o dinheiro das joias da coroa visto tais joias pertencerem a casa de braganca e nao o estado a menos que tenhao a intencao de devolver os bems da familia reale a seu devido dono o que embora tarde nao seria uma ma ideia seija como fore como em portugal os politico s fazem o que querem sem pedir opinioa a ninguem pois nao prestao contas a ninguem ,boa sorte ,esperemoss que nao seija mais uma St ingracai

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  2. Jesus, Rui Rodrigues... Não tem corretor automático? E não, o dinheiro não vem da venda das jóias da coroa. Está lá a explicar de onde vem, a maioria da tão criticada taxa turística municipal, que afinal parece que serve para alguma coisa. Quanto ao projeto, não sendo possível concluir o palácio conforme o plano inicial, parece-me uma solução melhor do que a atual, que é a de não fazer nada. Conforme está é que não pode ficar.

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  3. Este novo projecto é uma nódoa! Vejam o exemplo da igreja de Santa Engrácia (panteão nacional), imaginem que a cúpula em vez de ter seguido o estilo do resto do templo tinha sido um remendo ao estilo moderno. Tenham vergonha! Respeitem o estilo do palácio e deixem de fazer estes remendos ridículos como se fosse a vossa casa de férias.

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