A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A REPÚBLICA INTERESSA AOS PSEUDO-ARISTOCRATAS

Neste artigo, irei falar acerca do adesivismo de uma certa elite monárquica depois de 1910 até aos dias de de hoje. Isto, com a finalidade de dar a conhecer aos leitores, todas as tentativas de silenciar-se a oposição monárquica.Desde já, responsabilizo essa mesma elite, pela política de silenciamento, que pôs em causa, a acção de personalidades como: Paiva Couceiro, Almeida Braga, Vieira de Almeida, Abel da Cunha, Henriques Barbosa, Luís Leite Rio, Augusto Carlos Saldanha, Pessoa da Costa, Fernando Amado, Costa Félix, Alberto Abranches, entre outros.

Os monárquicos democráticos(os verdadeiros) nunca tiveram condições para organizar-se como uma estrutura clandestina.Lutaram contra o salazarismo ao lado de anti-salazaristas como  Mário Soares e até houve (e há) monárquicos no PCP. Até anarquistas monárquicos houve sendo o caso flagrante o de João Camossa, mas houve mais ilustres descohecidos… Por razões óbvias isso foi abafado: a tentativa de Salazar ocultar do conhecimento dos Portugueses a existência de uma oposição monárquica (um continuar da república do 5 de Outubro de 1910); E outra razão bem mais grave: A dita causa monárquica “aristocratizada” ser colaboracionista com Salazar. Um pouco como aconteceu com a implantação da república em Portugal em que o adesivismo foi bem mais determinante que a nojenta carbonária.

Tenho a certeza que é só esse facto e nada prende-se com características retrógradas ou saudosistas.Basta intercalar com a experiência liberal Portuguesa desde 1820 até 1933, em que, o outorgar da carta constitucional de 1826, como uma infeliz iniciativa de D. Pedro IV, permitiu a permanência de uma elite preocupada unicamente em satisfazer os seus interesses. A literatura de Eça de Queiroz é muito evidente! Essa característica continua a fazer-se sentir na actualidade.

Assim, o movimento que originou o PPM original é apenas obra de meia dúzia de homens sérios e sábios que continuaram a luta das personalidades que refiro acima.

Com a leitura do documento torna-se evidente que a implantação da república interessou a muitos sectores da dita “nobreza” monárquica para defender interesses monopolistas nas possessões ultramarinas. Isto, contra a política do governo de D. Carlos de não ceder ao lobby colonialista do século XIX. Será sempre a ideia do império colonial que orientará a política da república do Estado Novo.

Lanço mais uma critica à falta de inteligência política de D. João VI em gerir as consequências da sua ida para o Brasil em 1808, cujas consequências ainda hoje sofremos actualmente.

O adesivismo de uma certa aristocracia que se originou por títulos dados ao desbarato no século XIX foi a razão da deformação da ideia de um Rei representante e defensor dos cidadãos contra os interesses de uma certa parte desssa mesma parte nobreza amante de interesses económicos de origem nova-rica e uns poucos tradicionais.

Isto aconteceu nos bailes e recepções de gala da república do Estado Novo, em que muitos desses aristocratas eram presença constante. Isto, em contraste com Paiva Couceiro que era preso e depois expulso do país sem documentos, na expectativa que uma patrulha espanhola o matasse. Isto em plena guerra civil Espanhola.

Partindo da ideia que Salazar é uma consequência da 1ª república e que a forma republicana do seu poder, apelidada de Estado Novo, serviu apenas para a sua satisfação pessoal, não acho estranho que este tentasse fazer crer que era monárquico e que todo o seu elenco governamental estava com a monarquia.

Não concordo com o facto de se referir em certas fontes que a justificação da adesão de monárquicos à União Nacional se prender com o facto de 60 ou 70% dos deputados desse partido se dizer monárquicos e isso contribuir para a restauração. Se essa variável fosse verdade, a presença de D. Manuel II em Portugal seria inevitável. Porque é que esse “grupo” não contribuiu para o regresso do Rei?

Temos de ver que essas ideias foram a propaganda do partido republicano português em 1908-1910 e único programa político depois de 1910.

Por isso, o Estado Novo , sendo uma consequência do 5 de Outubro de 1910, não me parece estranho que aproveitasse essas ideias e desprestigiasse ainda mais a ideia monárquica.

Isto, porque tenho a certeza que Salazar tinha consciência da possibilidade da restauração monárquica após 1926, porque, o golpe do 28 de Maio foi o fracasso das ideais republicanas de 5 de Outubro de 1910, apesar, de o 28 de Maio ser mais um pronunciamento militar que caracterizou Portugal, desde a implementação do liberalismo.

Assim há certeza que a primeira república só acaba em 1933 e que a ditadura militar e o reviralho republicano são invenções políticas, depois perpetuadas pela historiografia republicana.

O Estado Novo continuou com a política, seguida pela primeira república, de silenciar a oposição monárquica, tentando ocultar a sua existência. Enquanto à oposição de carácter republicano era reconhecida a sua existência, à de carácter monárquico não era reconhecida. E assim se explica porque é que se criou o mito da república do 5 de Outubro como uma época de liberdades e garantias democráticas.

Ou seja, a ideia que os republicanos do Estado Novo tentaram vincular era que todos os monárquicos estavam conotados com o salazarismo. E quem fosse da oposição era comunista ou republicano-histórico.

Tal como hoje acontece, alguns monárquicos de brasão, desde 1910, são os que têm mais ganho com a república. Usam a ideia monárquica como uma questão de status para lhes dar o passaporte a recepções oficiais e a “tachos” republicanos. Os monárquicos da segunda fase do Integralismo Lusitano e a sua luta pela liberdade surgiram da vontade de cidadãos empenhados em salvar a população de um republicanismo burguês, na verdade devoto aos interesses particulares.

É mais que óbvio que Salazar tinha noção da força da ideia monárquica na consciência social. Porque não esqueçamos toda a instabilidade do período de 1910-1933: Crimes, repressão, fome, guerra, desemprego, partidarização. Esses factos são um contra-senso das ideias republicanas apregoadas desde 1908.

Mas qual era o ponto fraco da causa? As elites.

Certos condes, barões, e outras pessoas que rodearam em vida D. Duarte Nuno, com o objectivo de obter favorecimentos. Com essa mentalidade, não seria muito difícil a Salazar aliciar as elites monárquicas com o partido da União Nacional.

Mas a oposição monárquica foi silenciada! O que é bem diferente de não existir. O movimento de monárquicos democratas (herdeiros legítimos do regime monárquico constitucional antes de 5 de Outubro de 1910), que deu origem ao PPM surgiu da fusão de várias correntes monárquicas depois da 2ª Guerra Mundial. É com o primeiro manifesto monárquico de Outubro de 1957, durante a “campanha eleitoral” desse ano que começa a formar uma estrutura permanente.

Só este parágrafo põe em causa toda a historiografia desde 1910. Por isso, sabendo o leitor que a oposição monárquica existe desde 1910, acho que se deve estar a perguntar: Porque é que as Reais Associações não continuam com este excelente trabalho?

Por uma razão muito simples: os continuadores do PPM original, onde Gonçalo Ribeiro Telles pontificou, são as Reais Associações que trabalham e não se vergam á vontade da oligarquia aristocretina e as forças vivas independentes que querem a mudança de regime resultantes, mas alguns pseudo- monárquicos de brasão procuram tirar benefícios com a república a querer usar algumas reais como feudos pessoais e das famílias.

O trabalho da Restauração envolve todos os monárquicos de todas as classes, não uma elite que não faz nem deixa fazer e que só integra membros que acha que devem pertencer á sua família de interesses e os outros que não interessam é para rejeitar. Para quem se diz tão nobre, agem como se fossem dirigentes de colectividades de bairro.Lutar pela democracia monárquica é um trabalho de equipa não exclusivo de certas pessoas. A verdadeira aristocracia está do lado da sociedade civil e não precisa do Geneall para se legitimar, pois são seguros da sua identidade e tradições centenárias e até milenares, logo são humildes.

O Movimento de Unidade Monárquica tenta dizer que a juventude e a sociedade civil monárquica pensam e queremos provar que a esmagadora maioria dos monárquicos não estão interessados nos “cheques” da república. Acreditamos sim, nos benefícios sociais de uma Monarquia e de uma verdadeira democracia para Portugal. E não venham certos críticos dizer que somos contra a nobreza, porque no MUM há jovens de origem humilde e de origem nobre, mas acima de tudo somos humanos e iguais. A monarquia é do povo e para o povo, seja a classe social, cor política, religião, orientação sexual, etnia etc. Precisamos do Rei e o Rei de todos nós, os portugueses, em nome da dignidade da Pátria.

Daniel Nunes Mateus

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